19/01/2011

ODETE FERREIRA | Discurso Directo

Com 15 anos de amor à tradição e à modernidade celebrados recentemente, o Portugal Rebelde, foi conhecer, com a ajuda da Professora Odete Ferreira qual o "Significado" que a Associação D´Orfeu tem para a cultura artística de Águeda e do país.
Portugal Rebelde - A d’Orfeu Associação Cultural completou 15 anos no passado dia 4 de Dezembro. Que memórias guarda destes 15 anos de vida?
Odete Ferreira - Há memórias da ansiedade e do nervosismo anteriores à modelagem do rosto da Associação, das cumplicidades dos primeiros passos, da ingenuidade e do deslumbramento das primeiras iniciativas e dos primeiros aplausos. Depois, as primeiras dores do crescimento, a angústia da sustentabilidade, a errância da estrada, país fora, outros mundos dentro. Chega a pulso o reconhecimento.
PR - Para comemorar estes 15 anos de intensa actividade cultural, a d´Orfeu editou uma obra dupla: "Contexto", o livro escrito por António Pires e que nos transporta até às origens de uma associação artística que abriu novos caminhos culturais a Águeda, e "Significado - A música portuguesa se gostasse dela própria", realizado por Tiago Pereira, que pretende ser um testemunho visual contemporâneo das tradições musicais. Quer falar-nos um pouco mais sobre a importância desta obra?
OF - Contexto e Significado, de António Pires e Tiago Pereira , a obra dupla que assinala o nosso 15º aniversário, é o olhar de dois criativos para a nossa realidade. Um olhar reflexivo, crítico, como se esperava. Cada autor olha uma faceta da nossa multiplicidade, onde se cruzam o passado e o futuro. Sem cedências ou tiques laudatórios. Obrigando-nos a uma pausa reflexiva, neste rodopio constante que são os nossos dias.
PR - Toques do Caramulo, Festival Outonalidades e O Gesto Orelhudo, são algumas das “marcas” d´Orfeu? Que balanço faz destes projectos?

OF - À nascença, não se lhes augurava tão auspicioso crescimento. Mal nasceram, já correm por aí fora a arrastar públicos. Mas que não se pense que o sucesso veio na maré da sorte. Na vida dos artistas, a sorte conquista-se. A pulso. Com horas de insónia. À custa permanente da vida pessoal, para, em horas efémeras, quase fugazes, dizermos que continua a valer a pena.
PR - A d´Orfeu colocou definitivamente Águeda no mapa cultural do país?

OF - Nada é definitivo, segundo o lugar comum. Ou se sustenta o edifício ou ele acaba por ruir. Pensamos que Águeda tem, neste momento, um lugar assinalável nesse mapa. Pensamos também que, com outras instituições, contribuímos para esse reconhecimento. Acreditamos que encontraremos sempre novos caminhos para o nosso crescimento cultural.
PR - Passado que são 15 anos de amor ao tradicional e à modernidade. Que caminhos traçam para o futuro?

OF - O lugar ao tempo, à teimosia e à utopia.
(A foto da entrevista é da autoria de Mário Abreu)

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