Os Palankalama estão de regresso com o terceiro disco de originais, “Lama Pela Anca”, editado pela Saliva Diva. O projeto de música instrumental da cidade do Porto criou uma trilha sonora com música “pescada” num rio turvo, navegado na deriva criativa de um período histórico convulso e confuso da humanidade, ao qual não puderam ficar alheios. A banda é constituída por Afonso Passos na bateria e percussão, Aníbal Beirão no contrabaixo, Pedro João no cavaquinho, bandolim, viola braguesa, guitarra eléctrica, e Ricardo Nogueira na guitarra e viola braguesa. Os Palankalama são hoje meus convidados em "Discurso Direto".
Portugal Rebelde - “Lama Pela Anca” é um testemunho da vossa teimosia e dedicação a várias
correntes musicais de quadrantes distintos?
Palankalama - Sim , mas não só. O facto de levar por diante um projecto de música
instrumental, sem voz, e mesmo o insistir em fazer música de uma maneira
colectiva e em Portugal, são elementos que têm exigido alguma teimosia e
dedicação da nossa parte.
Ainda assim, a nossa procura por elementos da música tradicional e popular de
diferentes quadrantes é algo que continua a ser uma constante na nossa
maneira de fazer música. Ainda que sempre transformada por nós, já que o que
produzimos é música original, procuramos sempre espelhar o que andamos a
ouvir, o que é sempre muito variado, já que gostamos de muita música
diferente.
Os últimos dois anos exigiram muita teimosia, criatividade e perseverança de
todos nós.
PR - A exploração do universo dos instrumentos populares portugueses continua a
ser uma forte fonte de criatividade neste terceiro disco?
Palankalama - Sim, essa é outra característica do nosso trabalho. Ainda que neste disco alguns
temas tenham uma instrumentação mais comum ao universo do rock, muitos outros
surgiram de experiências em torno do cavaquinho ou da viola braguesa. Mesmo na
percussão utilizamos muitos timbres, ritmos e instrumentos comuns na música
popular portuguesa. Portugal tem uma riqueza muito grande em termos de
instrumentos e música popular. Gostamos de recorrer a esse manancial e trazê-lo
para a nossa música, por vezes de uma forma evidente, outras mais subtil.
PR - Para além do universo dos instrumentos populares portugueses, as influências
folk, jazz e rock, fazem-se sentir neste disco?
Palankalama - Neste disco a mistura é total. As nossas propostas musicais variam de música
para música e por vezes mesmo dentro da mesma música. Tentamos organizar a
“viagem”, o alinhamento de disco da forma que nos pareceu mais coerente, mas
as hipóteses de alinhamento são muitas. Há um convite ao ouvinte de fazer um
percurso estilístico e estético, e as reações das pessoas é algo que nos interessa e
estimula.
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Palankalama - Para nós é um bocado difícil fazer essa escolha. Ainda assim escolhemos o
“Chulaná” como primeiro single, por acharmos que é um convite enérgico a
conhecer a nossa música. A música Dubaú, que abre o disco, também contém
muitos elementos que julgamos caracterizar este Lama pela Anca.
PR - “Lama Pela Anca” vai ser apresentado no próximo dia 6 de Novembro no
Auditório CCOP, no Porto. O que é que o público pode esperar deste concerto?
Palankalama - Este concerto vai ser uma celebração a duplicar, pois é não só a apresentação do
nosso disco, como é igualmente a festa de comemoração dos dois anos de
existência da Saliva Diva, responsável pela edição do nosso disco, e que é uma
editora de música nova da cidade do Porto. As portas abrem às 17.00h com um
concerto de abertura do trio do Daniel Catarino, e pelas 18.30h arrancam os
Palankalama.
Deixamos o convite para o dia 2 de Dezembro, onde vamos rumar ao Barreiro
para um concerto na ADAO, e que esperamos seja uma oportunidade para fazer
a festa com os amigos e público do sul.

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