No próximo dia 6 de Outubro o MagaFest volta à Casa Independente para mais um dia de festa. Quatro concertos que têm como ponto de partida o foco em três compositores - Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas - e nos seus diversos projectos, que se entrecruzam. Hoje em "Discurso Direto" é minha convidada Inês Magalhães, a mentora deste evento.
Portugal Rebelde - “Nesta 4ª edição, o MagaFest volta à Casa Independente. Este será um dia de Festa diferente das edições anteriores?
Inês Magalhães - Este ano vai ser um pouco diferente porque ao contrario dos outros anos onde escolhia um cartaz bastante variado e composto por mais projectos que na sua maioria tinham passado pelas Magasessions. Este ano decidi, e porque as magas são isso mesmo, abanar as estruturas do que é suposto fazer, convidar 3 músicos/compositores e desafia-los a tocar cada um o seu projecto e em conjunto nos seus projectos. Vão ser 4 concertos no total.
PR - Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas dão a tónica para o próximo dia 6 de Outubro. Queres falar-nos um pouco do porquê destas escolhas?
Inês Magalhães - A ideia já estava na minha cabeça há dois e tenho estado à espera da oportunidade para fazer acontecer. Gosto muito do trabalho destes três músicos e quem acompanha os meus projectos ou a programação que vou fazendo já deve ter reparado. São músicos que são também compositores e que em todos os seus projectos têm desafiado a musica que se faz por cá. Acho esse transtorno necessário em qualquer processo de criativo, tanto para os músicos como para o publico e é exactamente o que procuro.
PR - Um das grandes surpresas desta edição é o concerto de Montanhas Azuis, que junta os 3 compositores já aqui falados. É possível desde já abrir um pouco da pontinha do véu daquilo que será este concerto?
Inês Magalhães - O concerto de Montanhas Azuis é um concerto sublime ainda antes de acontecer. Três grandes músicos e compositores que se juntaram num projecto é a resposta ao pedido de muito boa gente que nem sabia que queria. No meu caso foi ouro sobre azul porque estava a pensar junta-los para tocarem num evento os três, cada um com o seu projecto, e agora além dos seus projectos temos ainda o encontro destes músicos em montanhas azuis. Podem esperar synths, guitarras, pianos e um concerto que vai ficar na memória!
PR - Para terminar, indica-nos 3 boas razões para que ninguém deixe de estar presente nesta edição do MagaFest?
Inês Magalhães - As três boas razões são o Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas! Espero que possam ir a este dia imperdível!
Após lançarem em 2016 o single "Apolo" pela Xita Records, é no festival Indieota que os Grand Sun decidem começar a compor o seu primeiro registo. Já em 2017, no interlúdio dos concertos e ensaios, mostram-se no programa E2 (RTP2) em processo de composição do disco The Plastic People of the Universe, captado e produzido no Blacksheep Studios pelo Guilherme Gonçalves e pelo Bruno Plattier. E deste disco saem malhas que nos falam de personagens peculiares. Todos somos retratados, de certa forma. É um reflexo, claro, não só desses meses anteriores, mas também dessas amizades, dos desamores, da contemplação, dos concertos partilhados e da consequente boémia. O mantra colorido da "Flowers" a meio do disco une o seu inicio - "Go Home" e '"Little Mouse" são swings de fita magnética - e o seu final - "The Clown" e 'Round and Round" são passeios por esse mesmo jardim contemplativo, onde nada mais interessa senão observar e cantar o que os rodeia. "The Plastic People of the Universe" chega hojr às lojas. Portugal Rebelde - O que é que mudou nos Grand Sun após lançarem um single pela Xita Records em 2016?
Grand Sun - Na altura, sendo o nosso primeiro single, o facto de termos algo cá fora serviu muito para tocar em alguns espaços e conhecer pessoas que nos foram encontrando através da Apolo e da Xita. Houve uma mudança, por isso, na forma de nos apresentarmos ao público. Já este disco não é fruto de uma mudança, mas sim de um crescimento conjunto e da necessidade em mostrarmos o que nos vai passando na alma e na cabeça
PR - Este primeiro disco é reflexo de tudo que o que se passou entretanto?
Grand Sun - Sim, claro, nós quisemos fazer um disco que fosse um espelho das nossas vivências. E há algum surrealismo impresso tanto nas letras e na capa, mas é só fruto do prisma com o qual olhamos o mundo ao nosso redor.
PR - Numa frase como caracterizam este “The Plastic People of The Universe”? Grand Sund - Este disco é um misto de Jolly Farm com Rock n'Roll.
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Grand Sun - Diria que a "The Clown" é a que faz mais juz ao espírito do disco, meio circense, meio sonhador, parece encaixar-se fielmente no titulo. Porém a "Go Home" sintetiza toda a ideia de descoberta que pretendemos transmitir e essa é uma das razões pela qual foi escolhida para ser o Single
PR - “The Plastic People of The Universe” é apresentado dia 19 de Outubro no Side B, em Alenquer e 29 de Novembro no Salão Brazil, em Coimbra. O que é que o público pode esperar destes concertos?
Grand Sun - Nós ao vivo somos uma banda muito expressiva e só queremos mesmo que a malta que nos venha ver se expresse também da forma que quiser. Vamos também tocar coisas novas que temos estado a trabalhar nos últimos tempos Alem dos concertos que referem temos mais datas que iremos divulgar na nossa página nos próximos dias.
PR - Para terminar, estão contentes com o resultado final deste “The Plastic People of The Universe”?
Grand Sun - Estamos contentes pelo contexto e pelo que representa o disco, embora gostemos muito da sonoridade, claro. A belíssima capa é da autoria da Teresa Costa Gomes (Murta) e o vídeo do single de apresentação, a Go Home, é da autoria do Tomas Barão da Cunha
Numa edição da Alain Vachier Music Editions chega hoje às lojas o novo trabalho de Luís Pucarinho, "SaiArodada", um disco composto por dez canções originais que contam com os músicos Jéssica Pina no trompete, Afonso Castanheira no contrabaixo e Mário Lopes na bateria. Com base nas internacionalizações de Luís Pucarinho e o que a sua sensibilidade captou pelos vários continentes, este novo álbum veste a saia de todas as mulheres do mundo em prol dos seus direitos e da sua valorização, como se de uma homenagem se tratasse. A música que nos chega neste “SaiArodada consegue ainda a transversalidade de várias culturas com textos ricos e cuidados em português. Hoje em "Discurso Direto" é meu convidado Luís Pucarinho.
Portugal Rebelde - Neste novo disco funde a canção portuguesa com os ritmos africanos e latinos. Que “viagem” sonora é esta que nos apresenta em "Saiarodada"?
Luís Pucarinho - "SaiArodada" é o fim de uma viagem e o início de outra. Depois de um período conturbado após a morte do meu pai que me levou a uma fase deprimida, regressei “à vida” graças ás mulheres da minha família (sou o único homem de momento), sobretudo à minha namorada. O próprio nome do disco, não só simboliza a mulher (pela Saia) como também a “dança e liberdade” (Saia rodada), como também um brinde a esta nova fase da vida (Sai a rodada). Daí este disco celebrar uma comemoração, como se de uma homenagem de gratidão à mulher se tratasse, complementando com a responsabilidade social que me assiste, valorizar os direitos da mulher no mundo, uma vez que há muito a fazer nesta matéria e daí também este contributo. Os ritmos africanos e latinos são algo que trago em mim desde sempre, sou descendente já longínquo de Africanos e sou latino por natureza e sou de facto, apaixonado pelas culturas destes povos.
PR - Este trabalho é composto por dez canções originais que contam com os músicos Jéssica Pina no trompete, Afonso Castanheira no contrabaixo e Mário Lopes na bateria, todos provenientes da escola do Jazz. O que é que estes músicos trouxeram para este disco ?
Luís Pucarinho - Eu sou um músico vindo da formação clássica, no entanto a música não tem fronteiras e o Jazz é uma linguagem musical onde o improviso faz parte. O improviso é uma capacidade musical que permite que cada momento musical possa ser diferente e desta forma, o público poderá desfrutar de momentos únicos e irrepetíveis. Por outro lado, vem a amizade e a competência. Escolho os músicos em função de boas relações e de resultados. Todos eles participam do processo criativo no que diz respeito aos arranjos e com a capacidade de improviso (de inventar no momento) surgem sempre mais soluções, do que, se tivesse que escrever tudo sozinho (como já aconteceu no passado). Assim sendo, os músicos sentem que o resultado também faz parte do seu
trabalho criativo, sentem o projecto também como seu.
PR - Numa frase como caracterizaria este “SaiArodada”?
Luís Pucarinho - Sai a rodada, “brindando numa dança” aos direitos da mulher no mundo.
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco “?
Luís Pucarinho - O “espírito” do disco é traduzido por todos os temas no seu conjunto. A canção (pelo seu conteúdo literário) que posso dizer que resume melhor o que este disco simboliza é o tema “Gaia de Saia”.
PR - “SaiArodada” vai colaborar com a plataforma internacional "In place of war" cedendo uma parte das receitas do disco para os direitos da mulher em África. Quer falar-nos um pouco desta iniciativa?
Sim, esta parceria surgiu de um convite que me fizeram para dar formação musical e de produção na Republica do Congo (a lesados e refugiados de guerra) à imagem do que já havia feito em S.Tomé e Príncipe e em Timor, não a refugiados de guerra, mas conterrâneos com potencial para a recuperação de cultura local. Daí percebi que a instituição britânica “in place of war”, está ligada a várias instituições de caridade e apoio social, também contemplando os direitos da mulher, que nestes países estão agora a dar os primeiros passos. Assim sendo, como faz parte de mim fazer trabalhos sempre
com algum cariz social, decidi ceder parte das minhas receitas para este fim.
PR - Pela primeira vez assume neste disco a produção na íntegra (desde as gravações às misturas). Há alguma razão em especial para este facto?
Luís Pucarinho - Nos discos anteriores, fiz sempre uma parte do trabalho, essencialmente a captação (gravação) e embora já tenha produzido mais de uma dezena de discos a outros artistas, achei sempre por bem, no que diz respeito à minha música, criar uma certa distância, sobretudo na fase final, nas misturas e masterização. Isto porque considero o processo de finalização deve ser tratado por alguém que ouça o disco como um ouvinte comum e que o finalize com essa percepção, a mesma que o público terá. Desta vez fui mais longe e assumi as misturas, por tratar-se de um disco com poucos músicos e onde praticamente toda a matéria prima gravada foi aproveitada, no entanto deixei as gravações da voz principal e a masterização entregues ao Fernando Nunes do estúdio “Pé de Vento”, para que uma segunda opinião com conhecimento de causa pudesse acrescentar mais valias ao resultado final.
Com edição Cão da Garagem é editado hoje o EP "Did I Cut These Too Short?" dos Huugs, um disco gravado no verão de 2017 por Gonçalo Formiga (Cave Story) no seu estúdio nas Caldas da Rainha. Os Huggs são uma das mais promissoras bandas portuguesas de garage rock e indie da atualidade. "Did I Cut These Too Short?" é apresentado hoje no Maus Hábitos (Porto).
Portugal Rebelde - Antes de mais, onde e quando é que os Huggs começaram a dar os primeiros “passos” nesta viagem sonora?
Huggs - Eu (Jantonio) e o Duarte conhecemo-nos na faculdade, quando nos juntámos para fazer um projeto de uma das cadeiras que tínhamos. Na altura o Duarte mandou-me umas demos e começámos a tocar em minha casa, por diversão e para não trabalhar no tal projecto (ao qual acabámos por, inevitavelmente, chumbar). Isto foi em 2015. Os Huggs foram a evolução dessa brincadeira, quando em 2017 decidimos que queríamos levar as coisas mais a sério e gravar o que tínhamos feito. Só em 2018, depois de gravar o EP, é que concluímos que se íamos ter uma banda precisávamos de ter um nome e todas essas coisas de banda. Ficou Huggs.
PR - A energia crua e indisciplinada do panorama underground britânico e as baladas românticas típicas dos anos 50 e 60 são a grande fonte de inspiração dos Huggs?
Huggs - Acho que a maior fonte de inspiração são as “catástrofes” que vão acontecendo na nossa vida, temperadas com uma pitada de esperança, alegria e romantismo - como quando já bateste tão no fundo que já não podes descer mais, e acabas por sentir um certo alivio por já não teres mais nada a perder - és finalmente livre. Um alívio péssimo por um lado, mas extasiante por outro. O filme Trainspotting é um favorito da banda e ilustra na perfeição esse cenário. Em termos musicais, um de nós é o 8 e o outro o 80.
PR - Numa frase como caracterizam este primeiro trabalho de estúdio?
Huggs - “Ainda bem que ninguém levou o disco externo, aí tinha de voltar a misturar as coisas todas outra vez [e vocês são tão chatos] que tinha sido pior que me roubarem o resto da casa toda!”(Gonçalo Formiga, Cave Story)
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste EP?
Huggs - Um diz que é a "Take My Hand", outro diz que é a "Losing". Adivinhem quem diz o quê.
PR - O EP “Did I Cut These Too Short?” é apresentado hoje, dia 21 de Setembro no Maus Hábitos (Porto) e 25 de Outubro no Lounge, em Lisboa. O que é que o público pode esperar destes concertos?
Huggs - As músicas na sua forma mais crua e íntima; como foram criadas e sem a maquilhagem de teclados, percussões e todas as outras coisas com que experimentámos no estúdio. Talvez mostremos também um pouco do que poderá suceder a este EP!
PR - Para terminar, estão contentes com o resultado final deste EP?
Huggs - Muito. Graças a toda a gente que encontrámos e que nos aturaram e suportaram os nossos contrastes. Estamos contentes com a maneira como soa mas principalmente com as portas que nos tem aberto e com o que temos aprendido com ele. Estamos a fazer mais coisas do que imaginávamos e tudo o que vier a seguir é um bónus.
De 29 de Agosto a 1 de Setembro, Lamego convida a uma experiência imersiva na cidade e à descoberta do melhor da nova música portuguesa. Este ano, o fesival ZigurFest conta com 24 nomes da música portuguesa, espalhados por 8 palcos, do qual destacamos o já habitual Teatro Ribeiro Conceição, a sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego (dedicada ao mais importante pintor renascentista português), o Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, o Castelo de Lamego, a rua do Castelinho, o espaço verde do Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda) e a Capela Nossa Senhora da esperança. A menos de 48 horas do inicio do ZigurFest, recebemos hoje em "Discurso Direto" Afonso Lima, diretor executivo deste festival.
Portugal Rebelde - À descoberta da cidade e do melhor da nova música portuguesa. É este o mote que norteia mais uma edição do Zigurfest?
Afonso Lima - Sim. Este ano quisemos acentuar o ênfase nesta ideia de descoberta que tanto nos motiva, por um lado na música l proporcionando a oportunidade de descobrir os novos talentos e alguns tesouros mais escondidos do panorama nacional. Por outro lado queremos dar a oportunidade a quem nos visita de estar a usufruir da cidade e a conhecer Lamego, indo a vários pontos da cidade: desde espaços mais comuns, ligamos à sua rotina, a espaços mais inusitados. Tudo isto integrado nas festas em honra de nossa senhora dos remédios - a época do ano em que toda a cidade está em festa.
PR - O Teatro Ribeiro da Conceição e o Castelinho serão o centro nevrálgico deste Festival. Que outros palcos poderemos descobrir na cidade?
Afonso Lima - O teatro e a rua da olaria são efetivamente a génese do festival, mas sendo este um festival que quer-se cada vez mais da cidade, daí que procuremos explorar novos palcos. Como é o caso do Parque Isidoro Guedes (Alameda) ou o Castelo de Lamego onde teremos vários concertos. Mas também é de salientar os palcos especiais (de um concerto só) como a praça da cisterna, o núcleo arqueológico da porta dos figos e claro a sala grão Vasco do Museu de Lamego.
PR - Os concertos no Teatro Ribeiro da Conceição este ano terão entrada livre. Este é mais motivo para o público encher o palco principal deste Festival?
Afonso Lima - Agora já não têm desculpa (risos). A decisão de tornar o festival completamente gratuito nesta edição foi tomada em conjunto com o Município de Lamego na lógica de integração do ZigurFest nas festas dos remédios. Onde se pretende que o maior número de eventos sejam de acesso livre, contribuindo agora não só para as celebrações, mas também para a democratização do acesso cultural que a Lamego tanto precisa.
PR - A edição 2018 do Ziguefest dá um especial destaque ao Hip Hop. Esta era uma vertente ainda pouco explorada neste Festival?
Afonso Lima - Todos os anos tentamos fazer uma programação diversificada, contudo acabamos sempre por dar sempre algum destaque. Se nos últimos anos demos algum ênfase ao rock, Eletrónica e pop cantautoral este ano acabamos por ter esse destaque ao hip hop, assumindo como dois dos nomes maiores do festival Allen Halloween e David Bruno.
PR - Para além da música o Zigurfest contempla ainda uma vertente de arte contemporânea, com exposições, instalações e workshops inseridos na plataforma ZONA - Residências Artísticas de Lamego. Querem falar-nos um pouco deste projeto?
Afonso Lima - A plataforma ZONA,é a área daZigurfest que pretendemos que seja mais focada na arte contemporânea. O ano passado assumimos isso derradeiramente, tendo obtido um feedback muito positivo do público - especialmente do local. O que pretendemos é que dentro do zigurfest haja espaço para o público conhecer outras formas de expressão artística também de vanguarda. Este ano iremos fazer o mesmo modelo com novos artistas.
PR - Para terminar, 3 razões para que ninguèm deixe de estar presente no Zigurfest entre os os dias 29 de Agosto a 1 de Setembro, em Lamego.
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Afonso Lima - A primeira razão é sem dúvida a oportunidade de descobrir novas e distintas propostas da música nacional. Creio que o nosso histórico já comprova a nossa capacidade de antecipar talentos. Este ano não será exceção. A segunda é a cidade de Lamego, que pela sua beleza e monumentalidade já mereceria a visita, mas acrescentar a oportunidade de ver concertos e exposições de arte contemporânea, e viver as festas da romaria de portugal tornam estes os melhores dias para se estar em Lamego. A terceira são os espaços que escolhemos para fazer concertos, como o belíssimo teatro Ribeiro conceição, a rua da olaria, o castelo ou mesmo o salão grão Vasco do museu de Lamego.
"Em Tons de Aguarela" (2018), é este o título da primeira aventura musical que junta Tiago Morais (gaita de foles) e Tiago Marques (acordeão), dois músicos que procuram a sua inspiração na mais variada música do mundo, desafiando os limites da imaginação, não raras vezes, numa contradição surpreendente e emocionante. Hoje em "Discurso Direto" destaque para o projeto Alma Menor.
Portugal Rebelde - Antes de mais, quando é que começaram as “experimentações” do Alma Menor?
Alma Menor - Em Setembro de 2014, no entanto já nos conhecíamos há algum tempo atrás, por termos participado em alguns eventos previamente e partilhado a nossa musica acabando por tocar juntos em ambiente informal, nessa altura ficou o bichinho de uma linguagem muito próxima que queríamos explorar. Passado pouco tempo começámos a ensaiar. Numa primeira fase, o projeto contava com outros instrumentos: guitarra, cavaquinho e percussões, e também tínhamos vontade de incluir a sanfona. Porém, e em virtude da riqueza harmónica e melódica do acordeão, optou-se por este em detrimento dos cordofones. Gradualmente, as composições foram ganhando forma e tornaram-se de tal forma complexas que já considerámos o acordeão e a gaita-de-foles como os elementos basilares do nosso projeto, tentando levar os instrumentos para novos patamares em termos de abordagem estilística e de execução técnica, em especial no que diz respeito à gaita-de-fole.
PR - Onde é que vão beber as vossas influências musicais?
Tiago Marques - As nossas influências são muito variadas, desde o nuevo tango do Piazzola, música clássica Barroca, diversos músicos das regiões dos balcãs e da música Klezmer, sem deixar de lado alguns nomes do acordeão na música Portuguesa, tais como Eugénia Lima, do acordeão jazz, como Richard Galliano, ou ainda do jazz modal, como John Coltrane.
Tiago Morais - É notório que existem influências comuns entre os dois, desde logo no novo tango do Piazzola e na magia do acordeão do Galliano. No entanto é curioso realçar que pessoalmente descobri Piazzola através de uma versão de sanfona de um músico que considero único, German Diaz num dos seus projectos, Rao Trio. Sem esquecer também a belíssima versão do Libertango do meu professor e grande referência para mim, Daniel Bellón, e lá está, gaiteiro que é gaiteiro tem que admirar nomes como Gaiteiros de Lisboa, Carlos Nunez etc. Aparte disso, existem outros géneros que me têm influenciado ao longo dos tempos, apesar de considerar que isso não é uma coisa estanque nem fundamental no processo criativo. Interessante sim é constatar a riqueza que acontece quando uma ideia que é pessoal e está fechada em si, de pronto descobre outra percepção e se transforma drasticamente sob nuances inusitadas e que de repente nos surpreendem pela sua riqueza harmónica e melódica, como se estivessem à espera de ser descobertas.
PR - Este disco conta com a participação de Luís Peixoto, Hugo Correia, e Rúben Monteiro entre outros. Querem falar-nos um pouco destes “encontros”?
Alma Menor - Tínhamos bem definido que o nosso disco não se iria resumir exclusivamente a nós e nesse sentido apostámos no Hugo Correia para o produzir e acrescentar também os seus atributos técnicos que deram uma dimensão muito grande ao disco, o Hugo Correio é um daqueles músicos que toda a gente deveria conhecer, pois respira música por todos os poros, nos mais distintos processos. Por sorte temos a felicidade de ter como amigos todos os que participaram neste disco, alguns deles até são promessas antigas como no caso do Luís Peixoto ou do Tiago Pereira. Depois nos casos do Rúben Monteiro e do Léo Santos assim como do David acho que foi natural. As músicas já chamavam por eles à partida e foi só encaixar as peças. Com isto o que quisemos fazer foi também acrescentar outros timbres e tornar este disco especial, não apenas um registo do nosso trabalho mas sim um trabalho digno de registo.
PR - Já tiveram a oportunidade de apresentar ao vivo este disco. Qual tem sido o “feedback” do público?
Alma Menor - Tem sido curioso constatar a admiração com que as pessoas nos recebem, como se de verdade não esperassem que um acordeão e uma gaita de foles pudessem funcionar e “encher” uma sala. Acima de tudo temos sido surpreendidos com a quantidade de feedbacks honestos e super positivos, as pessoas de verdade ouvem o nosso disco, e não o revisam apenas. Temos gente que já conhece as músicas de cor, e aliás, temos histórias de pessoas, amigos que até sonham com as nossas músicas, o que não deixa de ser muito engraçado e revela que de facto há qualquer coisa que realmente fica. Sentimos claramente que esta sonoridade é para ser ouvida e vivida em ambiente intimista, e é ai onde nos sentimos realmente mais confortáveis e em casa.
PR - Numa frase como caracterizariam este “Em Tons de Aguarela”?
Alma Menor - Uma palete de sensações e sabores que bebe de várias fontes, é música com alma!
PR - Para terminar, estão felizes com o resultado final deste disco de estreia?
Tiago Marques - Enquanto músico, olhando sempre numa perspetiva de evolução, haverá sempre algo que faríamos de forma diferente. Também assumimos que este disco foi o culminar de uma etapa de encontro, descoberta e de experimentação entre dois instrumentos diferentes. Estou muito satisfeito e orgulhoso deste trabalho, mas já estou de olhos postos no próximo!
Tiago Morais - Normalmente não gosto de ouvir os trabalhos onde participo e acho que muitos músicas têm a mesma psicose, no entanto posso dizer que já ouvi este disco inúmeras vezes, o que representa para mim uma novidade, claro, mas acima de tudo um grande orgulho e realização pessoal com este trabalho. No entanto e como o Tiago Marques diz, já estamos a olhar ao próximo e a tentar perceber o que podemos fazer de diferente e de melhor.
Hoje em "Discurso Direto" é meu convidado Jorge Ferraz. Músico-guitarrista (embora trabalhe com muito equipamento electrónico e digital, a guitarra e a guitartrónica são a sua grande obsessão), compositor e produtor, fundou e liderou algumas bandas portuguesas underground desde 1983, com destaque para Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre! (cujo primeiro disco foi considerado em 1998, num trabalho conjunto do Público e da Fnac, um dos melhores discos da música popular portuguesa de 1960 a 1997), Ezra Pound e a Loucura, ou Fatimah X. Em 2006 passou a trabalhar em nome próprio, tendo publicado, desde então, dois álbuns (2008 e 2010). "Machines dor Don Quixote ...et... viva la muerte?" (2018) marca o regresso do músico às edições discográficas.
O que posso dizer sobre “Machines for Don Quixote ... et viva la muerte?” e as suas 16 músicas?
1º: olhar para os títulos do álbum e dos temas. São frases & slogans poéticos que indicam o imaginário e os assuntos por detrás desta edição e aparecem como uma espécie de letras das músicas que, à excepção de duas, são todas instrumentais.
2º ver quais as quatro partes em que se arrumam as músicas. Exprimem uma viagem pelo imaginário do álbum, bem como pelas suas influências estético-musicais.
3º o que é unificador, qual é o meu objectivo criativo principal? O que eu chamo de guitartrónica pessoal desenvolvida em formas variadas de músicas de adeus com ritmos saltitantes e ruídos lá dentro.
Nota: Os sons ouvidos (com excepção das percussões, programadas) foram quase todos tocados e gravados usando guitarra eléctrica (por vezes recorrendo a tecnologia audio-to-midi).
Tema a tema:
Intro:
“Beirut, the policeman said”
Este tema, que tanto caberia no capítulo rock como jazz, é uma versão de uma música de uma antiga banda que fundei (os “Santa Maria, Gasolina em teu Ventre!”) que nunca tinha sido editada e gravada em estúdio. Nela, podem ouvir solos de guitarra - a lembrar escalas orientais - e suaves sonoridades de guitarra noisy a jogarem entre si num tempo de valsa sobre o qual assenta um ritmo híbrido de jazz-funk. A serenidade perante o tumulto.
Parte 1: Up and down electronic orchestral music invaded by a not so gentle electric guitar
“Pasolini loves sci-fi”~
Exprime uma paixão pelo cinema lo-fi de Pasolini, quando este tratava temas e épocas da antiguidade clássica. Como? Com uma simples linha melódica assente num conjunto de falsas cordas e assomos de guitarra+delay que bebe inspiração nas peças de sinfonias de música clássica tratadas herética mas carinhosamente pelo uso de manipulações electrónicas e de falsas fitas magnéticas que aceleram e desaceleram.
“Industrial bruja”
Entram bruxas servidas por órgão e percussão de orquestra. A cena acaba muito rapidamente.
“Laser beam”
Assenta numa melodia de mistério que introduz o ambiente a bordo de uma nave espacial às voltas, sem rumo. Apresenta-se sob a capa de um falso quarteto de cordas e serve-se de percussão esparsa, ruídos à solta e teremim enganador.
Parte 2: Free-rock songs for losers and romantics
“There is no second time and I feel fine”
Este tema, um dos dois que é vocalizado, começa por ser um power-rock inspirado nos Stooges, pois, além de adorar o grupo, penso que é das formas mais eficazes de encarnar em música popular urbana as manifestações de violência absurda e subterrânea: aqui, o inaceitável fenómeno dos meninos-soldado. O texto traduz também isso, um poema semi-fonético, servido por uma voz com um timbre digitalmente adulterado e vagamente gótico.
“Cocteau ne me quitte pas”
Esta música está sob a influência do princípio da diversidade do onírico e de um vago surrealismo (daí, Jean Cocteau). É um tríptico construído por “escrita” automática de guitarra, em pedaços avulso que poderiam ser reunidas numa só casa: guitarras noisy e bateria em solo frenético; riff de guitarra em modo surf-music para climas frios e sem qualquer acompanhamento; uma balada de amor e adeus com batida que bebe num Sun Ra adulterado (que me encanta).
“Joy rock”
Como diz o título, uma canção que brinca livremente com um pop-rock, onde se misturam alegria e nostalgia, servido por um ritmo de dançante e juvenil.
“Disney empire”
É um tema que gravei há alguns anos como banda sonora para uma luta entre dois insectos de plástico, enquanto a branca de neve assiste impávida. Apresenta-se como espécie de mashup de originais que recombina, em várias sequências e camadas, loops de guitarras e de bateria.
“Swing phase there is no space”
Apareceu por volta da mesma altura que o tema “Disney empire” e respira muito do seu imaginário temático e musical (embora menos mashup e mais progressivo e on the road do que aquele). É uma banda sonora para a chegada do pistoleiro sem nome à cidade, o duelo com o inimigo e, por fim, a partida a caminho do sol poente, tudo em ambiente western lo-fi.
Parte 3: Slow electronic guitar conquered by irresponsible dreams
“Happy fairy inside the iron maiden”
Uma guitarra eléctrica suave, um discreto delay, um arpejo de harpa e os ruídos de almas escondidas sob a forma de animais graves e coros angelicais. Banda sonora para um imaginário filme de terror sic-fi de baixo orçamento, baseado num videojogo inacabado. Romantismo destemperado, certamente.
“Organizational behaviour to reengineering”
Como se trucidam os românticos e os trabalhadores hoje em dia? Taylorismo musical com contemporâneo palavreado bonito de gestão. Vozes, sons e pequenas melodias sufocadas por uma manto ambiental baço e por glitches súbitos e curtos.
“The bitch has flowed to die on the beach”
Compus este tema num dia de invernia em que fui para a praia e me pus a filmar as ondas cinzentas e a chuva monótona, indiferentes à minha presença. O inexorável ciclo do nada. Loops de suave sequência de guitarra avançando sempre por entre os aleatórios ruídos improvisados vindos do espaço que a tentam incomodar. Inútil lutar contra os moinhos, diria um Don Quixote mais recente que, mesmo assim, não desiste.
Parte 4: fake-Jazzy adventures with alien breakdowns and broken instruments
“Sax bitch”
Há uma secção de sopros de género jazz big band que nos apresenta uma provocadora e subversiva marcha fúnebre acompanhada pelos seus irmãos robôs e ladeada por moinhos ventosos que fazem o papel de cortejo furioso.
“Jacques Brel in the middle”
Pura e simplesmente não sei o que dizer sobre esta musica. Surgiu-me, impôs-se-me. Avança, recua, acelera, desnorteia-se. Há pequenas malhas de guitarra que se diria bonitas. Riffs curtos e límpidos. Digital editing. E, percussão, que julgo é capaz de ser influenciada pelo o que subliminarmente adoro em baterias jazzísticas.
“April as a wasteland”
Um jogo de avanços e recuos entre: acordes de guitarra eléctrica em staccato; uma percussão saltitante e endiabrada. Bom para acompanhar a leitura de poesia. Apesar do titulo evocar eventualmente T. S. Eliot, a verdade é que a vocalização metalizada e nasalada da parte 2 casa melhor com o mundo da poesia concreta.
“Blank woman”
Simplesmente, música para acompanhar a viagem de uma mulher em fuga, esvaziada. Pára, arranca, é abordada por transeuntes intrometidos, por gente que a quer fazer regressar a casa, sempre perseguida de perto por monstros que, vindos de trás, não desistem. É mais suave ao ouvido do que parece ao ser falada. Música criada sobre quatro acordes de guitarra que aparecem lentos, construindo um freeze em vibrato que parece um sintetizador em modo pad, e sobre uma bateria que percute um swing alquebrado, soluçante. A mulher, tal como a música, avança, cai, levanta-se, suspira, não grita, nunca desiste. Recomeça...
Como diria uma máquina de Don Quixote: se algo te parecer estranho ou errado, não te preocupes, confia no teu coração.
Os Enes acabam de mostrar as nove aventuras que compõem a odisseia de "Charlie", nome e protagonista do seu álbum estreia. A trama linear desta peculiar narrativa levar-nos-á do passado ao futuro, do êxtase à melancolia, do amor à desilusão. Os "Happy Trails" são os do rock uplifting e pop frenético com as doses certas de sintetizadores a marcarem o compasso.
Portugal Rebelde - Que aventuras e desventuras podemos descobrir no álbum "Charlie"?
Enes - O “Charlie” caracteriza-se por 2 aspectos muito importantes: a história da personagem homónima, recheada das tais aventuras de amor, loucura, realização, representada pelas letras e pelas canções. Mas também reflete um pouco o que os membros da banda estavam a sentir nas suas vidas, as nossas relações, a nossa cumplicidade uns com os outros, no fundo um pouco as nossas aventuras pessoais também.
PR - Qual é o tema que mellhor caracteriza o “espírito” deste “Charlie”?
Enes - É difícil escolher um tema apenas, pois é impossível imaginar o álbum sem alguma destas 9 canções. Ainda assim, pela descarga de energia dançável e pela vibe positiva que representa escolheria o nosso 2° single “Just Like The First Time”.
PR - Numa frase apenas como caracterizariam o álbum “Charlie”?
Enes - Um disco contagiante, emotivo, energético, que dificilmente deixará alguém indiferente.
PR - Este disco será apresentado no Festival Indie Music Fest, em Paredes. O que é que o público pode esperar deste concerto?
Enes - Estamos ansiosos! Queremos mostrar as pessoas o nosso trabalho e acima de tudo lançarmo-nos à estrada, e com uma paragem num festival destes ainda melhor. Esperem muita energia positiva e uma felicidade visível nos nossos rostos!
PR - Para termina, estão contentes com o resultado final deste disco de estreia?
Enes - Maravilhados! Depois de tanto trabalho, seja a escrever, compor, produzir, gravar, é super gratificante ver e ouvir com muito orgulho o “Charlie”. Agora queremos que o resultado final chegue às pessoas, seja ouvirem no Spotify ou noutra plataforma, ou num concerto com o público a dançar connosco.
O Verão chegou em força e Siraiva acaba de lançar "Rumo ao Azul", um disco com 13 temas de pop dançável, cheios de cor, frescura, boa onda e conta com diversas parcerias. O álbum têm o apoio da Fundação GDA. "Rumo Azul" é o disco deste Verão, ideal para ouvir na ida para a praia mas também na pista de dança, nas noites quentes que já se fazem sentir. Hoje em "Discurso Direto" é meu convidado Pedro Saraiva.
Portugal Rebelde - “Pop dançável, cheio de cor, frescura e boa onda.” Podíamos definir desta forma o álbum” Rumo ao Azul”?
Siraiva - Sim, é como o Rumo ao Verão, ou um Rumo para um Planeta cheio de Nu Disco e Ficção científica!
PR - Os primeiros passos de Rumo ao Azul começaram em 2014, com o single “Brinca na Barriga” (com Pacman), a que se seguiu “Dá-me um toque” (com Rui Pregal da Cunha), que aqui surgem como faixas-bónus. A que se ficou a dever este longo caminho até “Rumo ao Azul”?
Siraiva - Foi um Álbum feito há moda Antiga, porque não estava preocupado com o tempo, mas ao mesmo tempo, a explorar todos os recursos de Hardware que tenho! Ao contrario do Álbum em Inglês que foi feito em 2 meses, o que eu chamo de versão atual de como gravar Álbuns, este em Português foi, um voltar aos anos 90s, e trazer essa experiência que já a conheço bem, mas também tive alguns trabalhos pelo meio como por explo o Festival da Canção, que atrasou o processo do disco!
PR - Além dos já referidos Pacman, Rui Pregal da Cunha e Hugo Piteira (Presto, dos Mind da Gap), este “Rumo ao Azul” reúne colaborações com Ben Monteiro/Alex Teixeira (D’Alva),Vítor Silva, Pedro Pode, 1016, Melo D, DJ Slimcutz, João Luís Barreto Guimarães, Big Papo Reto, Inês Kilpatrick, Bruno Azevedo, Valter Lobo, João Pedro Coimbra, Clavezinhas de Sol,Chamorra e Gabriela Marramaque. A música para ti tem sentido enquanto momento de partilha?
Siraiva - Sim, eu tenho um som muito especifico que são um conjunto de influencias, uma mix dos anos 70s até hoje, quando partilhado por outro Musico, se torna outra coisa, é quase como nos anos 90s quando foi convidado para gravar na BMG, me pediram para gravar em Português, pois tinha 0 Álbum 0670 tudo em Inglês, a diferença foi que se tornou o som dos D.R.Sax muito mais original, porque avia pouca coisa em Portugal a soar assim, mas avia muita no Mundo a soar com o nosso som em Inglês!
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Siraiva - O álbum funciona como um todo, Rumo a um experiência onde todas as participações fizessem sentido num álbum!
PR - Rumo Azul” é um disco deste Verão, ideal para ouvir na ida para a praia mas também na pista de dança. A tua música nunca esquece essa vertente?
Siraiva - A minha energia musical não faz sentido sem um pezinho de dança, apesar de não ter muita paciência para estar na praia, aguento sempre mais um bocado quando estou a ouvir música!
Chama-se Suzy Silva e acaba de apresentar o EP "Fad´AZZ", um projeto musical que combina Fado, Jazz, Bossa Nova e outras músicas do mundo. Hoje em "Discurso Direto" é minha convidada Suzi Silva, uma portuguesa radicada no Canadá.
Portugal Rebelde - Antes de mais, quem é a Suzi Silva?
Suzi Silva - Sou cantora, compositora. Gosto de fado, gosto de jazz, gosto de música dita “do mundo”. Interesso-me por tudo o que valoriza a nossa cultura e quero ser uma das vozes dessa valorização. Eu terminei recentemente o meu bacharelato em Jazz na Universidade de Montreal, mas antes de vir estudar música aqui no Canadá eu estudei em arquitectura, em Coimbra. Eu sempre fui uma apaixonada de música, e sempre quis criar algo que pudesse estabelecer pontes entre Fado e Jazz.
PR - Emigrou para o Canadá apenas com 6 anos de idade. De que forma o fado entrou na sua vida?
Suzi Silva - Eu vim para Montreal com 6 anos, com a minha família. A música que se ouvia em casa era maioritariamente portuguesa, e maioritariamente fado. Foi assim que aprendi a gostar de fado, foi muito natural. Quando cheguei aos 11 anos o meu pai levou-me a um restaurante/casa de fados que aqui existia e disse aos músicos que eu cantava. Então deixou-me em frente aos senhores com as suas guitarras e lá comecei eu a cantar ( Vou dar de beber a dor) com muita naturalidade. Todos ficaram muito surpreendidos com o meu à vontade com o fado. Mais tarde com 12 anos regressei a Portugal, mas estranhamente tive menos contacto com o fado em Portugal do que no Canadá. Acho que os portugueses e luso-descendentes que aqui vivem dão muito valor à tradição do fado.
PR - Fad’AZZ é o seu projeto acaba do apresentar. Que caminhos musicais percorre neste projeto?
Suzi Silva - Regressei ao Canada em 2013. Em Portugal formei-me em arquitectura, mas havia sempre aquele vazio e a sensação de que algo estava por fazer. Sempre mantive a música na minha vida e sempre me tentei educar, mas para fazer « a minha música » precisava de formação. Foi assim que regressei a Montreal e me candidatei à Universidade de Montreal, à Faculdade de Música, no programa de Jazz. Consegui reunir as ferramentas para ser autónoma na minha criação musical e ter os conhecimentos para fazer o meu projecto, Fad’AZZ, que reúne fado e jazz. Fui simultaneamente compositora, arranjadora, directora musical, cantora...
PR - “Fado Mestiço – Amanhã” foi o single de apresentação do EP “Fad´AZZ”. Este é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Suzi Silva - Definitivamente. Foi também galardoado com um premio nos IPMA 2018 (International Portuguese Music Awards). O Fad’AZZ reúne fado e jazz mas a ideia era ser aberto a outras fusões e cruzamentos. A música não deve estar estagnada em caixas estilísticas estanques, tudo se toca e se relaciona. No Fado Mestiço considero ter alcançado um bom equilíbrio entre elementos “fadísticos”, “jazzísticos” e de outras sonoridades. Isto também devido à participação do acordeonista Sergiu Popa, um músico muito solicitado aqui no Canada, de origem Moldava, mas que é um grande especialista de todas as músicas da Europa de Leste.
PR - Gostaria de apresentar as canções deste disco nos palcos portugueses?
Suzi Silva - Com certeza. Um músico faz música para a poder partilhar com o mundo. Gostaria muito de poder dar a conhecer este trabalho em Portugal.
PR - Para terminar. numa frase apenas como caracterizaria o EP “Fad´AZZ”?
Suzi Silva - Para mim o Fad’AZZ foi a realização de um sonho, mas acima de tudo, a prova de que eu sou capaz de compor e criar música original e de qualidade, valorizar as minhas raízes, o meu fado, mas dar também algo de novo à minha cultura. Para um cantor com uma educação musical tardia, isto foi sem duvida um enorme desafio.
Raivas, dores, doçuras e contradições numa voz que junta ao fado, e ao jazz, a garra do timbre mestiço para afirmar o ser mulher. Marta Dias e Carlos Barreto Xavier criaram doze canções em Português feitas para cantar com ternura, atrevimento e ousadia. Ah, "Bandida". Hoje em "Discurso Direto" são meus convidados Marta Dias e Carlos Xavier Barreto.
Portugal Rebelde - “Raivas, dores, doçuras e contradições numa voz que junta ao fado, e ao jazz, a garra do timbre mestiço para afirmar o ser mulher.” É tudo isto que podemos encontrar no álbum “Bandida”?
Marta Dias - Sim.
Carlos Xavier Barreto - ... e uma apropriação dos temas e interpretação excecional por parte da Marta!
PR - As doze canções deste disco são fruto da parceria entre a Marta Dias e o Carlos Barreto Xavier. Qual foi o “mote” para o inicio deste projeto?
Marta Dias - Para assinalar os meus 20 anos de carreira, a minha editora e eu tivemos a ideia de lançar uma compilação digital, um Best Of, para o qual o Carlos e eu compusemos um original, chamado “Esse Meu Amor”. Nessa altura, compusemos mais algumas canções, fomos compondo e ao fim de termos um número razoável, decidimos avançar para um disco de originais.
Carlos Xavier Barreto - Uma enorme cumplicidade criativa e abertura à composição, livre das amarras dos ‘standards’ do mercado.
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Marta Dias - A “Canção da Bandida”, que dá o nome ao disco. Porque “bandida” (e outros “mimos”) é o nome que a sociedade ainda dá à mulher que faz o que quer. Depois, porque a ideia foi fazer um disco com várias perspectivas de mulher sobre o amor, essa eterna bandidagem.
PR - Numa frase como caracterizariam o álbum "Bandida"?
Marta Dias - Canções que escolheram o amor como o eterno tema a cantar, por bandidas e não só.
Carlos Xavier Barreto - Uma partilha com o público dos nossos mundos artísticos e emocionais.
PR - Para terminar, há intenções de levar este projeto a todas as salas do país?
Marta Dias - Intenções há e concretizações haverá em breve também!
Gravado na Catalunha entre Outubro e Novembro de 2017, com produção da própria banda e Santi Garcia, o quinto e homónimo longa duração dos Linda Martini parece não querer perder tempo, a começar pela capa. À eterna questão “Quem é a Linda Martini?” a banda responde com um retrato a óleo da rapariga italiana a quem pediram emprestado o nome no início dos anos 2000. “Linda Martini"” é abrasivo, trazendo à memória “Casa Ocupada” pela sua urgência e descontrolo, mas revela um equilíbrio cada vez maior desses elementos com o ritmo, a melancolia e o intimismo do seu antecessor. "Linda Martini" soa a disco feito por quatro cabeças entre quatro paredes, sem medo que se oiça do lado de fora. E isso não é dizer pouco.
Portugal Rebelde - Acabam de apresentar dois singles e um duplo vídeo para os temas “É só uma canção” e “Quase se fez uma casa”. De que é que nos falam estas canções?
Linda Martini - “É só uma canção” foi a primeira letra que escrevi para o disco. Fala da folha em branco, da dificuldade de construir uma coisa nova quando não nos queremos repetir. Como foi a primeira, foi a mais difícil de “parir” e a letra fala dessa dificuldade, da nuvem negra a pairar sobre a minha cabeça. Mas acaba concluindo que é só uma canção, não vale a pena dramatizar, há-se sair quando sair. A segunda fala do fim anunciado de uma relação. Quando tudo parece ruir. Daí a metáfora com a casa em obras que nunca chega a ser acabada.
PR - Na vossa agenda estão marcados dois momentos muito especiais: Festival Curtas de Vila do Conde (21 de Julho) e Vodafone Paredes de Coura (15 de Agosto). O que é que o publico pode esperar destes dois espetáculos?
Linda Martini - No primeiro vamos fazer a banda sonora para o filme “le coquille et le clergyman” de Germaine Dulac que é considerado o primeiro filme surrealista. Vamos estar a tocar ao vivo em simultâneo com a projecção do filme. Deu-nos muito gozo fazer isto. Tudo o que se vai ouvir foi composto pelos 4 especificamente para este filme. É uma coisa única e irrepetível. Paredes é especial para nós. Acho que é o festival a que fomos mais vezes, como espectadores e como músicos. Vai ser a quarta vez que pisamos aquele palco mas quando subimos lá acima e olhamos para o anfiteatro ficamos sempre rendidos. Já estamos em bicos de pés a contar os dias.
PR - Gravado na Catalunha entre Outubro e Novembro de 2017, este quinto album homónimo conta com produção da própria banda e Santi Garcia. É verdade que álbum após álbum, dão passos seguros no sentido de se tornarem uma das maiores bandas de rock do país?
Linda Martini - Não nos cabe a nós dizer isso. Não somos de balanços nem de antevisões. Fazemos o que gostamos e sentimos que disco após disco temos ganho público e temos recebido críticas elogiosas. O mais importante é continuarmos a gostar de fazer música juntos.
PR - Para terminar, que memórias guardam desta (já longa) tour de apresentação deste disco?
Linda Martini - Guardamos muitas e boas memórias. Começou ainda antes do lançamento do disco, com o Rumble in The Jungle, tour que fizemos com o Legendary Tiger Man. Aí tocámos pelas primeira vez as canções do disco ao vivo em vários clubes de norte a sul do país e acabámos a festa em Dezembro de 2017 no Coliseu. Toda essa tour foi mágica, pela amizade que criámos entre todos (músicos e equipa) e pelo feliz casamento do som de ambas as bandas. A nossa tour em nome próprio ainda está em marcha e felizmente temos muitas datas até ao final do ano. Por todas as salas onde passámos fomos muito bem recebidos. Acho que não consigo destacar um único concerto porque todos, sem excepção, têm sido incríveis.
Nasceu em Londres mas cedo voltou para Portugal. Aos 17 regressou à base. Começou por tocar por "tuta-e-meia" para entreter o serão da malta dos pubs. Em 2014, foi descoberta pelo engenheiro de som de Phil Mazanera (Roxy Music), integrando mais tarde o seu álbum “The Sound of Blue”. Sónia Bernardo – mais conhecida por Bernardo – também chamou a atenção de Jools Holland, rosto bastante reconhecido da televisão britânica. Fez parte da sua digressão e, pelo meio, lançou o seu EP de estreia, “Tender”. Em 2017 editou o EP “Bernardo: Live At Saraah´s”. Hoje em "Discurso Direto" é minha convidada Sónia Bernardo.
Portugal Rebelde - Em 2014, foste descoberta para a música pelo engenheiro de som de Phil Manzanera (Roxy Music). O que é que mudou na tua vida a partir desse ano?
Sónia Bernardo - Comecei-me a levar um bocado mais a serio, porque de repente tive estás pessoas que eu admirava a quererem trabalhar comigo. E isso mudou tudo.
PR - Em 2016 editaste o EP, “Tender”. Como é que este primeiro disco foi recebido pelo público?
Sónia Bernardo - Estou a começar a ter fãs, mas é uma coisa muito recente. "Tender" foi importante para mim porque foi o primeiro passo nesta jornada.
PR - “Bernardo: Live At Saraah´s” é o teu mais recente EP, editado em 2017. Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Sónia Bernardo - Este live EP foi mais para celebrar escritores que admiro como Nick Cave e Caetano Veloso. Meti la umas minhas novas pelo meio. Mas foi tudo ao gravado ao vivo, one take, na sala da minha prima Sarah. Não sei bem o que me deu para fazer isso...mas foi um dos melhores dias de 2017. Também um dos mais stressantes.
PR - Para terminar, quando é que vamos ter a oportunidade de ouvir o teu primeiro longa duração?
Sónia Bernardo - Talvez no final do ano ou inicio de 2019..
"Canto Primeiro" é o álbum de estreia de originais da jovem cantora Beatriz Nunes, gravado com o apoio da Fundação GDA. É um disco que evidencia a sua experiência entre a formação clássica, o jazz e a música portuguesa, e também resultado do seu percurso com o grupo com quem toca desde 2012, formado pelos músicos Mário Franco (contrabaixista), Luís Barrigas (pianista) e Jorge Moniz (baterista). Canto Primeiro é um disco de canções portuguesas de carater contemplativo, entre a herança da música portuguesa, a música de cantautor e o jazz. Hoje em "Discurso Direto" é minha convidada Beatriz Nunes.
Portugal Rebelde - “Canto Primeiro” é um álbum ambicioso em que se afirma como compositora e produtora. Este disco é de alguma forma o resultado do seu já longo percurso musical?
Beatriz Nunes - "Canto Primeiro" é um disco de canções que vive do meu percurso entre a música erudita, o Jazz e a música portuguesa. Esse cruzamento de imaginários acaba por ser uma síntese daquilo que tenho feito, da minha colaboração com os Madredeus e outras participações no Jazz e no Clássico, situando-me num lugar próprio como autora.
PR - Além de muita música original, neste disco a revisitação de um tema de José Afonso (“Canção da Paciência”) e um arranjo para um tema tradicional alentejano (“Aurora tem um menino”). Quer falar-nos um pouco da escolha destes temas?
Beatriz Nunes - Tinha vontade que este disco reflectisse uma certa portugalidade. O próprio título pretende representar isso, uma referência a Camões e a um espírito de risco, procura e descoberta. Por esse motivo o disco é cantado em português. Inclui a Canção da Paciência do Zeca e o Aurora (um tema tradicional alentejano com um arranjo do Jorge Moniz) por serem para mim duas formas diferentes de raiz, são duas heranças musicais importantes para mim.
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Beatriz Nunes - Provavelmente "Andorinhas", o tema que abre o disco.
PR - Como é que recebeu a notícia que tinha selecionada por um júri ligado ao European Jazz Network, onde irá atuar no âmbito da conferência On the Edge no próximo mês de Setembro?
Beatriz Nunes - Recebi a noticia com um enorme entusiasmo e surpresa! As validações são importantes e vão-nos dando folgo e confiança para continuar.
PR - Numa frase como caracterizaria este "Canto Primeiro"?
Beatriz Nunes - "Canto Primeiro" é um disco de Jazz português de canções contemplativas, onde se procura uma sonoridade limpa, cristalina e crua.
PR - Para terminar, está feliz com o resultado final deste disco de estreia?
Beatriz Nunes - Estou muito feliz! Vou-me apercebendo sempre com espanto quando as minhas canções fazem eco nos outros, pois o processo de escrita é tão pessoal. Tem sido um processo muito rico de descoberta artística e pessoal, de amadurecimento.
"Riverine" é o nome do novo álbum da banda de post-rock Imploding Stars. O segundo álbum de estúdio aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Durante a nossa vida, experimentamos diferentes sensações que levam à criação de memórias. No entanto, estamos normalmente limitados aos limites da perceção humana e às decisões sobre o que é bom ou mau nas bifurcações que vamos encontrando. Mas afinal o que é bom ou mau? E se não houver limites nessa perceção humana? E se pudéssemos, de alguma forma, viver para sempre ou reviver. A ideia foi transpor em melodias e ritmos as experiências, sentimentos, movimentos e ações que estão relacionados com esses estágios de vida.
Portugal Rebelde - Correndo de montante para a jusante, desde a nascente até gigantesco oceano, “Riverine” é o modo como os Imploding Stars sentem que a vida deveria soar?
Imploding Stars - Sim é esta a nossa interpretação melódica/rítmica da vida enquanto ciclo marcado por diferentes fases.
PR - Podemos dizer que os 8 temas deste disco abordam a história de vida de cada ouvinte?
Imploding Stars - Há espaço para que cada ouvinte pense para dentro no que toca às sensações que procuramos transmitir em cada uma das fases. Se tentarem ouvir o disco como um todo e relacionar as experiências pessoais com as fases que retratamos talvez consigam uma experiência interessante no que toca a essa viagem interior ao passado, ao presente e ao que virá depois.
PR - Qual é o tema que melhor caracteriza o “espírito” deste disco?
Imploding Stars - Talvez a "Rebirth" porque une o ciclo. É importante que as pessoas olhem para o ciclo da vida como uma experiência dinâmica, sem fim, um loop infinito em que aparecemos, desaparecemos e voltamos a aparecer em qualquer coisa, material, carnal, espiritual. É importante quebrar esses limites da perceção humana e da necessidade de colocar um fim nas coisas. Há espaço para irmos mais além sobre nós próprios.
PR - No próximo dia 21 de Julho apresentam as canções deste disco no Fstival Rodellus em Braga. O que é que o público pode esperar deste concerto?
Imploding Stars - Estamos a planear esse concerto com cuidado. Queremos passar a mensagem deste disco mas provavelmente vamos também regressar ao A mountain and a tree em alguns momentos. Queremos dar uma experiência bonita às pessoas, mostrando que o trabalho embora seja mais íntimo também possa ser interessante quando ouvido em festival, particularmente neste onde o envolvimento com a natureza do local e o espírito das pessoas é tão especial.
PR - Numa frase como caracterizariam este "Riverine"?
Imploding Stars - Riverine é um disco que nos deita na cama de olhos fechados e nos coloca a pensar sobre de onde vimos, o que somos e para onde vamos.
PR - Para terminar, estão felizes com o resultado final deste disco?
Imploding Stars - Estamos muito felizes com o que fizemos. Demoramos mais tempo do que estávamos à espera também porque queríamos ter a certeza que o resultado final nos satisfazia a nível pessoal e coletivo. Era este o disco que queríamos mostrar às pessoas de acordo com o nosso entendimento e reflexão sobre o que ´o ciclo da vida. Esperamos que as pessoas gostem também e que o sintam mais do que tudo.