S. Pedro é o alter-ego de Pedro Pode, ex-homem forte dos Doismileoito, vai ao CCB apresentar o seu novo álbum, com edição prevista para Setembro. Um trabalho em que nos canta pequenas histórias, invariavelmente atravessadas por uma ponta de ironia e humor, mas sempre com princípio, meio e fim.
O novo álbum será o sucessor de "O Fim", editado em Junho de 2017 e que, na realidade, marcou o início desta caminhada a solo de Pedro Pode.
Pedro Pode, ou S. Pedro, é um tipo honesto e criativo, uma espécie de vizinho do lado que conhecemos, cumprimentamos e com quem damos duas de letra para depois descobrir, com orgulho, que um gajo tão simples e porreiro é afinal o autor de uma mão cheia de canções que já entraram por direito próprio para o cancioneiro nacional. Porque este exímio compositor e letrista não embarca em modas e faz música genuína, que assenta sobretudo na vida de todos os dias. Na sua, que também poderia ser a nossa.
A magia e emoção do fado estão de volta à casa onde a eterna Amália Rodrigues viveu durante mais de 40 anos. Todas as terças e sextas-feiras, o jardim secreto da sua casa enche-se de música num concerto único de voz, guitarra portuguesa e viola de fado.
Os espetáculos acontecem sempre a partir das 18.00h, mas podem ser antecedidos por uma vista guiada à casa (17.00h), situada na Rua de São Bento nº 193.
Transformada em museu, dá a conhecer os espaços e objetos (como vestuário, peças de arte e mobiliário) que marcaram a vida e obra da cantora, considerada “a Rainha do Fado”.
Depois da visita à casa, é tempo de conhecer e desfrutar do jardim, um segredo bem guardado no coração de Lisboa, onde têm lugar os concertos, todas as terças e sextas-feiras.
Estes estão a cargo das fadistas Matilde Cid e Ana Sofia Varela, ambas acompanhadas por Guitarra Portuguesa e Viola de Fado.
Tudo isto num ambiente intimista e recatado que é, ao mesmo tempo, uma homenagem sentida a Amália Rodrigues. Sempre teve como um dos maiores desejos ajudar a promover esta arte tão portuguesa.
Em Outubro assinala-se 20 anos do seu desparecimento e em 2020 completaria 100 anos.
Os artistas Andy Burrows, Sara Cruz, Benjamim e Contos & Canções juntam-se aos nomes já confirmados para o grande evento Inspiral, marcado para os dias 20 e 21 de Setembro, na Praça do Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, na cidade de Lagoa. Márcia, Matthew Perryman Jones, Momo e Cristóvam fazem igualmente parte do cartaz deste evento.
"Jogo Sujo" é o novo álbum de Meu General. A banda regressa aos originais com um disco assumidamente punk rock. Com 10 temas de refrões orelhudos, "Jogo Sujo" não tira o pé do acelerador do primeiro ao último minuto.
"Jogo Sujo" chega às plataformas digitais no próximo dia 13 de Outubro!
Após ter saboreado a composição com a companhia de uma banda, os Savanna, e de ter explorado a escrita individual no mundo do pop rock usando o nome George Marvinson, Tiago Vilhena entra numa nova etapa, agora com a sua vontade para a composição consolidada. Tiago Vilhena lança a primeira experiência musical na sua língua natal no dia 18 de Outubro pela Pontiaq.
2018 foi o ano em que o Tiago Vilhena compôs e gravou as músicas do seu novo álbum que é cantado quase na sua totalidade na língua de Portugal. Atingindo a maturidade no que diz respeito à composição e à escrita, este renovado artista divulga um álbum de 10 músicas filosóficas e relaxadas, introspetivas e reveladoras que acrescentam ao Curriculum musical português uma nova expansão para a música de intervenção.
Para além de ser apresentado com um cunho ativista, "Portugal 2018" é também um álbum com alguma fantasia, falando-nos de profetas, de dilemas da morte e da vida, de poções e de milagres. Questionando a existência, incorporando e relatando experiencias de animais, criticando a inoportunidade, elogiando a vida, a viagem e a simplicidade, este segundo álbum a solo do Tiago é uma coletânea que pode tanto ser lida como ouvida.
Contrastando com o seu passado musical pop, psicandélico, rock, maioritariamente influenciado pela música americana e inglesa, desta vez, Tiago Vilhena adopta uma postura mais tradicional mas não apenas tradicional portuguesa. A música chilena e a música grega são também duas grandes influências para o estado de espirito presente em Portugal 2018. Este mesmo estado é expresso através de progressões harmónicas arrojadas e que revelam uma sensibilidade destacável para expressar emoções sem necessitar do uso da palavra, apesar de lhe dar uso de qualquer das formas.
Por Terras do Zeca é nome do concerto de homenagem a José Afonso, que se realiza em Lisboa, no Capitólio, dia 1 de Outubro às 21.30h. Enquanto concerto centralizado na figura de Zeca Afonso, este trabalho é um tributo à sua obra, quer como compositor, quer como poeta.
Esta digressão conta com os arranjos e direção musical de Davide Zaccaria e com as vozes dos cantores Filipa Pais, João Afonso, Maria Anadon e Zeca Medeiros. Os cantores serão acompanhados por músicos conceituados: Armindo Neves (guitarra elétrica), Paolo Massamatici (oboé), Luís Pinto (baixo), IvoMartins (bateria), além do mentor e diretor musical Davide Zaccaria (guitarra acústica e violoncelo).
Assim, será apresentado um espetáculo rico, desde as suas composições mais conhecidas como “verdes são os campos”, “que amor não me engana”, “índios da meia-praia”, “venham mais cinco”, que fazem parte integrante do CD "Por Terras do Zeca", que surgem aqui revestidas de novos arranjos, a temas originais baseados na sua figura, bem como outras composições menos conhecidas do público, como são por exemplo “papuça”, “lá no Xepangara” e “ali está o rio”.
A menos de um mês das apresentações em Portugal, o cantautor espanhol Patxi Andión anuncia Ricardo Ribeiro como convidado especial para os concertos de Lisboa e Porto.
Serão 3 os concertos no nosso país, todos eles em Setembro: dia 20 em Águeda (no Centro de Artes), dia 21 em Lisboa (Aula Magna) e dia 22 no Porto (Casa da Música), mas só os dois últimos contarão com a presença de Ricardo Ribeiro.
Neste espetáculo, em que comemora os cinquenta anos de carreira, Patxi apresenta-se sozinho em palco de maneira a criar um diálogo intimista com o público que o tem apoiado ao longos destas 5 décadas.
Ricardo Ribeiro irá juntar-se em alguns momentos para interpretar temas do músico espanhol e ainda outras canções surpresa. O músico português é reconhecido pela sua voz poderosa e pelas interpretações arrebatadoras dentro e fora do fado, editou até à data 6 álbuns, o último dos quais em 2019.
"Heat and Rum" representa o km 1 de todo o trabalho em si e é, porventura, o baluarte do EP de estreia dos Born-Folk. Na letra está patente toda a simbologia ligada à temática do surf, calor, ondas, raparigas a exibirem-se e toda a parte subliminarmente escondida para M/18. O nome no EP deve-se, inclusive, a algo que é dito em dada altura, "I'm coming inside".
Sonoramente, é uma música de verão, descontraída, carregada de surf tremolo na guitarra e voz delicada. “Heat and Rum” é uma alegoria para outros títulos foneticamente possíveis (um trocadilho), na verdade é caso para dizer como nos filmes: "Isto não é o que parece". Nenhum dos membros da banda faz surf, por enquanto, mas são claramente adeptos do ambiente casual chill. Há assobio, harmonias, e há o barulho da água a correr da querida Quinta das Conchas.
A ideia do vídeo era ter uma série de imagens de ambiente descontraído de surfistas a tentar domar o mar agitado, de mulheres vistosas e provocantes a passear como se de ondas se tratassem. Na montagem há a procura dum equilíbrio da cor com o preto-e-branco de forma a criar um jogo que depois se inverte. É um exercício visual que pretende acompanhar a vibe imposta pelo som mas, seguramente, é mais fácil visualizar do que explicar. Quiçá, faltou o Rum!
"Come Inside!" é editado dia 25 de Outubro, um disco que apresenta 5 temas que tentam explorar diferentes ideias sonoras, onde o simbolismo e a ironia são presença assídua nas letras, bem como na própria imagem da capa.
“A onda” que nos convida a entrar/ penetrar é o começo desta viagem pelas curvas delicadas (e apertadas) que a natureza (e as auto-estradas alemãs) nos põe diante de nós, dominar a prática do surf será o ponto de partida para esta aventura que nos diz claramente que “não entra, fica de fora” (como diria De La Palice). Um segundo lugar em Jerez é sempre um bom resultado, desde que haja champanhe francês no final (e rum claro), Olé!!!
No dia 4 de Setembro, lllucas lança seu novo single, Azul. pouco mais de um ano após lançar seu primeiro EP, “Creme Azedo”. Após experimentar o lo-fi mais cru, o artista imergiu em influências do trap, dreampop e cyberpunk, sendo assim, a música vem carregada de synths e texturas.
O single foi gravado quase que de forma híbrida. Os beats foram produzidos no seu quarto, num processo gradativo de montagem das texturas. O baixo foi gravado no sofá de Caio. A guitarra e as vozes em um estúdio em São Paulo. A mixagem foi feito por Leo Airplane, do estúdio DdB (Aracaju - SE).
Lucas explica o porquê do nome Azul: “Acho que a cor azul sempre carregou a simbologia da tristeza. No caso, a tristeza e solidão do jovem suburbano. Mas, dentro do contexto da música, ela vai além. Azul se torna, no ambiente distópico proposto pelas texturas sintéticas, uma marca preditiva que algumas pessoas carregam, com tons tão sensuais quanto radioativos.” "Azul" fica disponível no Youtube, Spotify, Deezer e outras plataformas.
Chega amanhã aos cinemas VARIAÇÕES um filme que retrata a vida de António Ribeiro, barbeiro e figura da movida lisboeta no final dos anos 70, perseguindo o seu sonho de se tornar cantor e compositor, apesar de não saber uma nota de música. O filme foca o processo de transformação na persona de António Variações, artista excêntrico e popular cuja carreira fulgurante foi interrompida pela sua morte em 1984. O Portugal Rebelde partilha hoje uma entrevista realizada por Elsa Garcia a João Maia, realizador do filme VARIAÇÕES.
"Começámos a entrevista ao som de Golden Brown dos Stranglers e numa longa conversa João foi revelando toda a história por detrás de Variações e as nuances que levaram à criação deste grande filme que estreia amanhã nos cinemas."
Elsa Garcia - Tantos anos depois como é que te sentes ao ver o teu sonho concretizado? Foram oito anos certo?
João Maia - Comecei a escrita há 15 anos e estou muito feliz com o resultado. O filme é muito credível ao nível da época, as equipas de guarda-roupa e a direção de arte fizeram um trabalho fantástico, bem como gosto imenso da fotografia. Desta equipa o André Szankowski era a pessoa que eu conhecia há mais tempo e já tínhamos falado sobre o filme há mais de 10 anos. Depois concentrei-me nas personagens e após vero filme terminado sinto que mexe com as pessoas.
EG - Como surgiu o teu interesse por António Variações?
João Maia - Bom, eu queria fazer um filme sobre o que era o rock português nos anos 80, quando era ainda um adolescente e tinha amigos que tocavam em bandas, como por exemplo os Peste & Sida. Gostava muito de rock e interessei-me pelo Variações. Trabalhei durante muitos anos em lojas de discos, mas conhecia mal a obra dele e quando comecei a ouvir fiquei muito impressionado, até pelo facto de ele ter gravado o primeiro disco com 37 anos. E pensei: “o que é que este homem terá feito até aos 37 anos para ter gravado um disco com esta idade e ter morrido aos 39?” Ouvi tudo com atenção e comecei a minha pesquisa. Havia muito pouca informação, sabia-se que nasceu em Braga, que era barbeiro e que tinha vivido em Amesterdão. Portanto, eu andei meses e meses a pesquisar sobre ele, sem saber que história ia contar.
EG - Como é que foi o teu processo de pesquisa?
João Maia - Na altura inicial fui apoiado pelo ICA e fiz a minha pesquisa com Catarina Portas. Demorei dois anos a escrever a primeira proposta e estive a pesquisar durante cerca de um ano. Só na hemeroteca estive vários meses, todos os dias a ver jornal a jornal. Havia algumas informações que ninguém tinha encontrado. Por exemplo, dizia-se que ele tinha posto um anúncio a procurar músicos e eu encontrei esse anúncio. Essa parte foi também muito importante para me situar na época, o ano de 1977, quando ele regressa a Portugal. Fiz a minha pesquisa até 1985, tendo ele morrido em 1984, um pouco para perceber a espuma do que aconteceu após a sua morte. A Hemeroteca fez com que eu enquadrasse a época, porque em 1977 eu tinha nove anos. Depois fomos começando a entrevistar pessoas á medida que íamos construindo a sua cronologia. Quando as peças se começaram a encaixar foi quando eu comecei realmente a escrever a parte que me interessava: entre ele vir de Amesterdão e fazer o primeiro disco. No final não chegámos ao primeiro disco, foi um bocadinho antes, quando ele deu o primeiro concerto no Trumps.
RG - Falaste com a família dele logo no início do processo?
Sim, sim. Falei com os irmãos, a mãe tinha morrido recentemente, talvez dois meses antes. Eu lembro-me que os irmãos ainda se comoviam muito quando falavam dela. Seguidamente falei com alguns músicos que tocaram com ele, como o Pedro Ayres Magalhães, Vítor Rua e Ricardo Camacho, que também já morreu. Depois começámos a ir mais fundo e falei com os colegas cabeleireiros para saber como foi o percurso profissional dele quando chegou a Portugal.Até abrir o seu próprio salão. Sim. Ele era uma pessoa experiente mas muito desorganizada com o dinheiro. Gastava-o todo em viagens e abriu a sua própria barbearia para ter mais tempo para a música. Em determinado momento começou a investir mais na música, a comprar microfones, etc. Mas, no entanto, ele não tinha conhecimento musical, não sabia compor e não sabia ler uma pauta, uma realidade que transmites muito bem no filme.Sim, ele não tinha conhecimento musical a nível técnico, só tinha o intuito e aquele grande dom natural.
EG - Foram os Heróis do Mar, GNR e Sétima Legião que o ajudaram, certo?
João Maia - O single foi feito pelo Ricardo Camacho dos Sétima Legião e foi um sucesso instantâneo. Era inevitável fazer o primeiro álbum, Anjo da Guarda, em que Vítor Rua e Tóli César Machado, dos GNR estiveram envolvidos como arranjadores e produtores. Entretanto alguns desentendimentos levaram à saída de Vítor Rua dos GNR e as gravações foram retomadas mais tarde sob a supervisão de José Moz Carrapa. Já o segundo disco Dar e Receber foi feito pelos Heróis do Mar, uma banda que Variações gostava muito. Lembro-me de ele a cantar Povo que Lavas no Rio da Amália Rodrigues (a sua maior referência) e Estou Além na televisão. Mas antes disso ele já tinha as suas cassetes que mostrava a várias pessoas. Sim, as cassetes no fundo tinham apenas a sua voz. Ele tocava com alguns músicos amadores, que ia descobrindo, e havia cassetes que já tinham alguns arranjos musicais. Nas cassetes já se nota que,embora ele não tivesse um conhecimento musical técnico, tinha noções de ritmo e de como gostaria que as músicas ficassem como é exemplo O Corpo é que Paga. A voz era o seu instrumento e ele colocava a melodia toda com só com a voz. Algo também importante é o teu papel didático na formação de gerações mais novas que na verdade, não têm um grande conhecimento acerca de quem foi António Variações e sobre o que esta excêntrica personagem representou para a nossa cultura. Naquela época Variações fez a exceção. Sim, era uma personagem que fazia parte do mundo underground lisboeta e que só após a gravação do primeiro disco se tornou conhecida do grande público, das crianças aos idosos. Foi um sucesso, mas no entanto eu não estava à espera que tanta gente soubesse quem foi António Variações. Em algumas das zonas onde filmámos vários miúdos vinham ao nosso encontro dizendo que os avós eram fãs.
EG - E, como é que surge o ator Sérgio Praia?
João Maia - Este filme esteve em pré-produção há dez anos atrás e o Sérgio foi o primeiro ator do primeiro dia de casting, o que deixou um bocadinho em “maus lençóis” todos os outros que se seguiram. (risos). O Sérgio tem uma enorme semelhança com António. Sim, tem uma parecença muito grande e algo que prezei desde logo foi o timbre de voz. Desde o início que achei que ele podia cantar, embora o Sérgio não acreditasse, uma vez que nunca cantou na vida. Mas cantou no filme. Sim, e depois gostei muito da sua linguagem corporal, do dançar. Bom ele reunia uma série de caraterísticas que o tornaram imbatível desde a primeira hora. Na altura era um ator ainda recente e só tinha feito teatro.
EG - Como é que pensaste o filme formalmente?
João Maia - Uma das coisas que pensei desde logo foi na questão do ator principal cantar. Sempre achei que ia compor o filme e que teria peso. A ideia de alguém que passa o dia cantarolar, com uma música na cabeça, e que à noite chega a casa e não bebe, não fuma, não se droga. Esta era a base e eu nunca me quis afastar muito desta ideia. Sempre quis que fosse um filme muito simples e que desde muito cedo me perguntassem o que era o filme: “um barbeiro que queria ser cantor”.
EG - Falemos agora da cena do Trumps, uma cena particularmente impressionante não só ao nível estético, mas também ao nível de carga emocional pois afinal foi o seu primeiro concerto. Eu tive acesso a uma cassete com o concerto e pesquisei as descrições do que as pessoas disseram do concerto. Disseram que ele nunca teve verdadeiramente uma banda e que fez alguns concertos. Relacionado ainda com o Trumps, como descobriste a relação de António com Fernando Ataíde?
João Maia - Foi uma relação muito forte. Aliás até tenho uma pergunta sobre isso: o António que mente, foge e desaparece, mas que pede desculpa em simultâneo. Ele era muito solitário e tinha alguma dificuldade em ter relacionamentos. As duas únicas pessoas com que ele teve relacionamentos foram Jelle, o namorado holandês e Fernando. Quando iniciei a minha pesquisa a falar com pessoas que ele conhecia mais intimamente, todos me falavam de Jelle, Fernando Ataíde e Rosa Maria, a mulher do Ataíde depois de ele e António se terem separado. No filme apercebemo-nos de um certo trio entre António, Fernando e Rosa Maria. A Rosa fechava os olhos à relação deles, embora se apercebesse do que se passava? Mais ou menos. Ela era mais nova do que eles e apaixonou-se pelo Fernando. Os três faziam vida como se fossem familiares, iam à praia e faziam imensos programas. O António e o Fernando tinham vivido juntos uma série de anos e todos diziam que eles eram o amor da vida um do outro.
EG - No filme a história entre António e Fernando é muito forte. Como é que achas que a comunidade LGBT vai reagir ao filme?
João Maia - Acho que vai reagir muito bem. É uma história de amor muito bonita e sinto que o filme é muito comovente quando chega à parte final. Eu escrevi e reescrevi o guião várias vezes, mas há duas cenas que sempre mantive, a inicial quando ele corta a mão para sair da aldeia e as duas cenas finais.
EG - O início do filme começa com uma deslocação temporal do passado para o presente (uma analepse). Qual foi o teu objetivo?
João Maia - Achei que era importante logo no início do filme sabermos de onde é que ele vem. Importante também a forma como acaba com a digressão em que ele vai para a aldeia, onde nasceu, com o Fernando. Achei que seria muito forte filmá-lo novamente em Fiscal e desta vez a mostrá-la ao amor da sua vida.
EG - Achas que ele era inseguro?
João Maia - Sim, sim. Era seguro em algumas coisas, mas artisticamente tinha muitas inseguranças que se vêem exatamente no reportório que é muito honesto. A canção até podia correr mal, mas ele não estava a enganar ninguém.
EG - Em que cassete ou canção vês mais o António?
João Maia - No Visões Ficções.
EG - Vai agora sair um disco resultante do filme. Fala-me sobre Isso?
João Maia - Desde que percebi que havia a possibilidade de ser o ator a cantar os novos arranjos (executados por Armando Teixeira/Balla), achei que havia uma possibilidade de reinventar. O público está interessado nestes novos arranjos que Variações tinha na cabeça antes de começar a gravar, antes de ser famoso. São basicamente os arranjos do filme, mas com uma maior densidade de estúdio em músicas cantadas pelo Sérgio Praia. Vai ser editado pela Sony Music Portugal.
EG - Achas possível o ressurgimento de uma figura como António Variações?
João Maia - Possível é sempre possível. Nós fazemos o nosso destino. Portanto, alguém que ache que tem o sonho de fazer algo diferente, tem sempre essa possibilidade.
EG - Que ambições tens para o filme?
João Maia - Gostava que o filme tivesse muitos espetadores, para que as pessoas se apercebam da força de António. Ele foi muito forte, viajou imenso, tinha imenso jeito para a música. Não acho que fosse um génio, acho que era um tipo que sabia o que queria. Tinha jeito para trabalhar a melodia, as palavras, os refrões. Era uma pessoa comum, com uma sensibilidade muito grande e com um sonho para realizar. Quero muito que o filme lhe preste uma homenagem. O António foi um artista muito popular na época, e gostava que o filme fosse visto tanto pelos seus fãs como pelos mais novos. Portanto queria que a reação do público fosse transversal e gostava que tivesse alguma repercussão lá fora.
A quarta edição do festival, organizada pela Incentivo Positivo em parceria com a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e com o Conselho Municipal da Juventude, irá acontecer no dia 28 de Setembro, a partir das 22.00h, num dos espaços mais acarinhados da região, o Parque de La Salette.
O intuito do Percursos Sonoros continua (e continuará) a ser o mesmo: promover o património “esquecido” da cidade através da música. O Coreto, o Lago, o Miradouro do Parque, assim como a Estalagem de S. Miguel são os palcos históricos escolhidos para a constituição do percurso da edição de 2019 do festival. Cada recanto do Parque de La Salette representa um pedaço especial da cultura e memória dos oliveirenses, o que torna o estudo e a triagem dos espaços uma das maiores dificuldade sentida por parte da organização.
Quanto ao cartaz, este também já se encontra definido e promete trazer a Oliveira de Azeméis o que de melhor se faz no nosso país a nível mUsical. Com o novo álbum, "Aurora", os Sensible Soccers conduzirão o público aos recantos por descobrir da memória e da infância através dos seus ritmos vibrantes. A banda portuguesa melhor classificada da edição de 2018 do Festival Termómetro, os Gator, The Alligator, oriundos de Barcelos, prometem hipnotizar o público com as descargas elétricas em forma de ondas sonoras repletas de garage rock, sons psicadélicos e fuzz.
A dividir o espaço com a banda barcelense, vamos encontrar CelesteMariposa, que numa mudança de ritmos nos vai levar ao universo dos bailes africanos, uma viagem através do tempo desde as bases do funaná instrumental até ao áspero merengue angolano, além de Semba, Gumbé da Guiné-Bissau, Socopé de São Tomé e Príncipe e Marrabenta moçambicana.
Conta-se ainda com os Bardino, um autêntico mergulho na tranquilidade existente entre o psicadelismo antigo e a herança do rock progressivo e as suas variantes funk e jazz-fusion. Ao concluir a apresentação do cartaz, chega uma novidade internacional de peso: Martin Harley, um dos songwriters nomeado para os UK Amerivana Awards como melhor instrumentista do ano.
O Percursos Sonoros mantém-se de entrada gratuita. Apesar dos concertos terem início às 22.00h, o público vai ser convidado a chegar mais cedo através de uma programação diurna complementar para várias idades e que pretende enriquecer a experiência de quem visita o Parque de La Salette. “Queremos trazer público já durante a tarde ao Parque, para que seja retirado o maior proveito possível das suas potencialidades”, acrescenta a organização.
Em apenas 24h Miguel Angelo atuará com duas numerosas orquestras, ainda neste mês de Agosto. Ambas farão uma homenagem às suas canções, numa carreira que este ano comemora 35 anos.
A 24 de Agosto será cabeça de cartaz na Feira de Agosto em Grândola, actuando com a SMFOG (Sociedade Musical de Fraternidade Operária Grandolense – “Música Velha”), uma Filarmónica jovem que já cruzou várias gerações e a 25 de Agosto regressa à Baía de Cascais para o encerramento das Festas do Mar, onde, a convite da Câmara Municipal e da Orquestra Sinfónica de Cascais, do maestro Nicolay Lalov, se juntará aos seus antigos colegas de estrada dos Delfins e a inúmeros convidados para uma noite única.