Mário Barreiros acaba de lançar o novo álbum, Na Pele da Terra (edição de autor). Mais do que um disco de jazz contemporâneo, o projeto assume-se como uma
reflexão sobre o lugar que ocupamos no planeta, cruzando composição
orgânica, improvisação e síntese eletrónica em tempo real.
Gravado ao vivo no Cine-Teatro de Estarreja por Nelson Carvalho, o álbum
reúne um quarteto transgeracional de luxo: Mário Barreiros (bateria e guitarra),
Ricardo Toscano (saxofone alto), Carlos Barretto (contrabaixo) e Leonardo
Pinto (eletrónica e sound design).
O quarteto desconstrói os limites entre o
acústico e o digital, o orgânico e o tecnológico.
Aqui, a música não acompanha
a paisagem — torna-se a própria paisagem.
“Se observarmos a Terra à escala do Universo, descobrimos que toda a vida
que conhecemos existe numa camada surpreendentemente fina. Uma
superfície frágil que sustenta as florestas, os oceanos, as cidades e a memória
da nossa passagem. É aí que esta música começa”, assinala Mário Barreiros.
Na Pele da Terra está dividido em quatro movimentos basilares — Goal 14, Na Pele da Terra, Sol e
uma reinterpretação de Naima de John Coltrane —, o repertório navega entre a
urgência ecológica e a contemplação.
O ecossistema acústico e o
processamento digital fundem-se sem hierarquias, criando um organismo
sonoro vivo onde o tempo parece suspenso.
Na Pele da Terra é um disco apoiado pela Fundação GDA e estará disponível
em formato Vinil LP, numa edição física cuidada, pensada para quem procura
habitar o tempo com outra profundidade.
O duo setubalense Um Corpo Estranho apresenta “Grifo”, primeiro single de Fábulas Mundanas e outros Contos de Cantar, novo disco a sair já no final de Outubro
“Grifo” parte de uma figura mitológica para construir uma alegoria sobre a ganância, o exercício do poder e a exploração dos recursos.
imagens de abundância e escassez, a canção antecipa algumas das inquietações que atravessam o novo trabalho de Um Corpo Estranho.
A canção ganha também uma dimensão visual num vídeo realizado por Mário Guilherme, que transporta “Grifo” para a imagem e prolonga o universo criado pelo tema.
Há barcos que não navegam sozinhos. Há memórias que não ficam no lugar onde nasceram. E há identidades que se fazem precisamente do movimento.
É a partir destas ideias que os Bandua chegam a BANDUA II, o segundo álbum da dupla formada por Bernardo D’Addario e Edgar Valente, que encerra um primeiro ciclo do projeto e abre caminho a uma nova etapa, centrada na circulação entre memória, território e futuro.
O disco tem edição física e digital no Bandcamp e em CD e vinil, pela Ajabu! Records, de Berlim, chegando às restantes plataformas digitais a 9 de outubro.
A apresentação ao vivo está marcada para os dias 24 e 25 de outubro, na Sala Estúdio Valentim de Barros, nos Jardins do Bombarda, em Lisboa, dando início à tRAVEssia, digressão de lançamento de BANDUA II.
O lançamento sucede a “Flor do Rosário”, editada em maio e a “Barquinho” em junho. Se o primeiro álbum, Bandua I, construía um mito de origem ancorado em Berlim e na Beira Baixa, BANDUA II desloca-se desse mito para o presente. O eixo deixa de estar na procura de uma identidade e passa a estar naquilo que acontece quando diferentes identidades, memórias e geografias se encontram.
ErcavoX acaba de apresentar o seu mais recente single, Fade To Black.
"Inspirada pela minha paixão pelo cinema clássico em preto e branco e pela atmosfera do "film noir", a canção narra o fim de uma história de amor como se fosse a cena final de um filme. Dois amantes tornam-se personagens de um filme que um dia escreveram juntos", explica o artista.
Elisa e Tiago Nogueira, vocalista d’Os Quatro e Meia, lançam hoje “A Saudade Aperta”, o novo tema que volta a juntar as duas vozes. Já está disponível em todas as plataformas digitais e chega com videoclipe. A canção sucede a “Como É Fraco o Coração”, o dueto que os juntou pela primeira vez em disco e um dos temas portugueses mais tocados nas rádios nacionais.
A canção antecipa o EP que será editado no início de 2027e vai ser apresentada ao vivo em 2027, em Ovar, Lisboa, Bragança e Coimbra.
E se “A Saudade Aperta” ganhasse uma nova vida nas vozes de Elisa e Tiago Nogueira? Escrita por Tiago Nogueira e Carlos Moisés e conhecida primeiro na voz dos Quinta do Bill, a canção regressa agora numa leitura a dois, com produção de João Só e João André.
No centro está um sentimento que acaba por ser universal. Entre a nostalgia, a distância e a falta de alguém, esta é a saudade que não desaparece, que cresce devagar até se transformar num momento de partilha. Uma canção sobre ausência e distância, mas sobretudo sobre aquilo que continua connosco, mesmo quando já não está.
É na interpretação que o tema encontra a sua força. De um lado, a estética inconfundível de Tiago Nogueira, a escrita próxima e sem artifícios que o público lhe reconhece há muito.
Do outro, a voz de Elisa, intensa e delicada ao mesmo tempo, sempre mais interessada em guardar do que em mostrar. Juntas, as duas vozes não se sobrepõem, respondem-se. É nesse diálogo que a saudade deixa de ser um lamento solitário e passa a ser qualquer coisa que se divide.
O reencontro acontece num momento particular para a dupla.
Editado em novembro de 2025, “Como É Fraco o Coração” tornou-se um dos temas mais ouvidos da rádio portuguesa: chegou por diversas vezes ao 1.º lugar do airplay nacional e mantém-se, semana após semana, no top 3 das canções mais tocadas nas rádios. Seguiram-se a revisitação de “Este Meu Jeito” e a versão acústica de “Como É Fraco o Coração”, passos que foram consolidando uma afinidade inesperada, que o público abraçou desde a primeira hora.
Depois de “Bárbara e Ken”, “Ela Queria” e “Tomo Conta Desta Tua Casa” os Virgem Suta regressam com “Exporto Tristeza”, novo single que chega às plataformas digitais e que dá a conhecer mais um capítulo daquele que será o próximo álbum da banda, com edição prevista para o início de 2027.
Carregado da ironia que tão bem caracteriza a escrita dos Virgem Suta, “Exporto Tristeza” olha para uma sociedade habituada à pobreza, à resignação e a um certo mal-estar que parece fazer parte do quotidiano.
A canção questiona essa tendência para aceitar as dificuldades como inevitáveis e quase como parte da própria identidade nacional.
“O fado surge neste contexto como um escape à realidade e a forma que temos de transformar o sofrimento em algo consumível e exportável”, explica a banda.
Apesar da crítica em si, “Exporto Tristeza” não se fica pelo retrato de uma sociedade conformada.
Por detrás da ironia está também uma vontade de romper com este ciclo de desalento e procurar uma saída, depois de tantos anos a aprender a sobreviver através da própria melancolia.
“Exporto Tristeza” é o quarto single de avanço para o novo álbum dos Virgem Suta, que reúne dez canções num novo registo da banda e dá continuidade a um ciclo criativo que será também levado para a estrada.
No dia 30 de outubro, Gisela Mabel apresenta-se em formato piano solo no MACAM - àCapela em Lisboa.
A artista lançou em 2024 o EP Álbum de Retratos, distinguido como Jazz Album of the Year nos SoloPiano Awards. Em 2025, tornou-se a primeira artista portuguesa a integrar a compilação oficial Piano Day, de Nils Frahm.
Desde então, apresentou o seu trabalho em palcos como Ageas Cooljazz, NOS Alive, 1-54 Contemporary African Art Fair, Somerset House em Londres, e Piano City Milano e Piano City Madrid. Para fechar 2026, prepara-se para uma tour no Brasil, com passagens pelo Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo, onde se apresenta na Casa Natura Musical.
O cantor e compositor brasileiro Sérgio Froes apresenta “Minha Terra Também”, uma canção inspirada na experiência de
construir uma vida longe do país onde nasceu e na transformação que acontece quando um novo lugar, aos poucos, também
passa a ser chamado de casa.
Mais do que uma música sobre imigração, Minha Terra Também fala sobre pertencimento, identidade, família e saudade.
A composição nasceu da perceção de Froes de que viver fora do Brasil não significou deixar para trás suas raízes, mas
aprender que novas raízes podem crescer ao lado delas.
“A inspiração veio da experiência de construir uma vida longe de onde nasci. É sobre saudade, pertencimento e
gratidão: criar novas raízes sem abandonar as antigas. Porque o coração não precisa escolher uma só terra para
chamar de casa”, explica Sérgio Froes.
O próprio título resume uma parte importante da mensagem. Não é Minha Nova Terra, mas Minha Terra Também. O
“também” reconhece a terra que o recebeu sem apagar aquela de onde veio - duas experiências que passam a coexistir na
mesma identidade.
Musicalmente, a faixa preserva a essência da MPB e da canção brasileira, combinando instrumentação orgânica e
elementos contemporâneos em um arranjo que deixa espaço para a letra e para a interpretação.
A produção acompanha o
caráter intimista da composição e reforça a sensação de memória, distância e afeto presente na narrativa.
A temática nasce de uma experiência pessoal, mas encontra eco na história de milhões de pessoas que deixaram a sua cidade
ou o seu país em busca de uma nova vida.
Para Froes, a canção também é uma forma de reconhecer aquilo que permanece: o
idioma, as lembranças, os vínculos familiares, os lugares e a cultura que continuam fazendo parte de alguém mesmo depois
de muitos anos longe.
Os Novos Românticos apresentam “Um adeus à Criptopátria” no próximo dia 10 de outubro, na Escola Normal, no Porto. Pensada como uma celebração do percurso construído em torno do álbum de estreia da banda, editado em abril, a noite marca a última vez que “Criptopátria” será interpretado ao vivo na íntegra e abre simultaneamente espaço para o futuro do projeto, com a apresentação de temas inéditos que integrarão o segundo longa-duração, previsto para 2027. O evento acolhe ainda o primeiro Conselho das Fadas, liderado por Catarina Miranda, também conhecida como Emmy Curl.
Mais do que um concerto convencional, “Um adeus à Criptopátria” nasce da vontade de assinalar também o encerramento de um processo criativo.
“Existe um fascínio pelo lançamento de novos projetos e muito pouca atenção dada ao final de um processo. Estamos gratos pela nossa primeira experiência com este projeto e entusiasmados por mostrar um pouco do que está para vir”, afirma David Félix, que formou os Novos Românticos no Porto em 2023.
Com início marcado para as 22.00H, o concerto percorre integralmente “Criptopátria” pela última vez, encerrando simbolicamente o ciclo iniciado com a edição do disco. A despedida convive, contudo, com aquilo que se segue: além das canções do primeiro álbum, os Novos Românticos vão revelar ao vivo alguns dos temas que têm vindo a preparar para o seu segundo longa-duração, que será editado em 2027.
O concerto contará ainda com convidados especiais, a anunciar.
“Vamos mostrar algumas novas canções ao vivo, antecipando aquilo que temos vindo a preparar depois da edição do disco. Portanto, na Escola Normal, vamos dizer adeus à ‘Criptopátria’ e olá ao que está para vir”.
A programação de “Um adeus à Criptopátria” prolonga-se para lá da atuação da banda e transforma a Escola Normal num espaço de encontro em torno de diferentes propostas. O evento acolhe o primeiro Conselho das Fadas, liderado por Catarina Miranda, também conhecida como Emmy Curl, e uma “meditação da forma pós-punk” através da escuta de “A Um Deus Desconhecido”, dos Sétima Legião.
No final, a celebração continua com um DJ Set Comunitário.
Editado em abril, “Criptopátria” marcou a estreia dos Novos Românticos no formato longa-duração, sucedendo aos EPs “Novos Românticos”, de 2023, e “Saudade Internacional”, de 2024. Antecipado pelos singles “Mesa Posta”, “Pátria” e “Comunidade Europeia” e acompanhado, aquando da edição, por “Festival da Canção 2027”, o álbum constrói um retrato fragmentado do presente, cruzando comentário social e político, tensão identitária e uma dimensão mais íntima.
“O nosso disco percorre diferentes escalas e territórios, do quotidiano às estruturas políticas e sociais, passando pela identidade nacional, pelo espaço europeu e ibérico, pela saturação informativa e pela transformação da música e da cultura em espaços de representação e espetáculo”.
Num registo pós-punk marcado pela repetição, tensão e contenção, os Novos Românticos colocam a palavra no centro da sua linguagem. Em “Criptopátria”, esse ponto de partida é utilizado para observar diferentes inquietações do presente, entre questões sociais e ambientais, tensões geopolíticas, identidade e polarização, sem abandonar espaço para relações, intimidade, amor e desamor.
2026 é o ano de consagração daquela que é a voz mais consensual da música portuguesa. Depois de ter esgotado a MEO Arena, em março, na estreia da nova Tour Tempestade, Sara Correia anuncia agora que lotou também a primeira das duas datas marcadas na Super Bock Arena, em dezembro.
Agendados para dia 7 e dia 8 de dezembro, estes concertos marcam a estreia da artista, em nome próprio, naquela que é a maior sala do Porto. A segunda data ainda tem bilhetes disponíveis.
Aliás, o ano tem sido feito de estreias em palcos emblemáticos e plateias lotadas.
Desde o início de 2026, Sara Correia já atuou nos prestigiados Barbican, em Londres e Teatro Real, em Madrid; e prepara-se para uma tour na América Latina em novembro passando, pela primeira vez, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Por cá, as maiores feiras e eventos já viram a Tour Tempestade. Desde a Festa Comida Continente à Expofacic, Festival Sol da Caparica e Crato, Agrival, Fatacil ou Feira de São Mateus, para citar alguns dos exemplos.
O concerto na Super Bock Arena será o culminar de um ano intenso, no qual Sara Correia já foi galardoada com o Prémio Play de Melhor Artista Feminina e recentemente foi nomeada, pelo segundo ano consecutivo, para os Globos de Ouro, desta vez na categoria de Melhor Intérprete.
Salvador Sobral acaba de revelar “Bam Bam”, o segundo single de antecipação do seu próximo álbum “A flor do recomeço”. Esta nova canção, composta por Céu, Arnaldo Antunes e Hyldon, conta com a participação especial de Ney Matogrosso, figura fundamental e icónica da cena musical brasileira contemporânea. Ney e Salvador unem as vozes num tema sublime, cheio de luz e magnetismo.
Nas palavras de Salvador:
“A colaboração com Ney Matogrosso é outra surpresa mágica que a vida me deu. Quando surgiu a possibilidade de cantarmos juntos, o meu primeiro impulso foi convidá-lo a interpretar uma balada arrebatadora, uma vez que descobri verdadeiramente a essência de Ney no disco À Flor da Pele, no qual é acompanhado apenas pela guitarra de sete cordas de Raphael Rabello. É um disco visceral e completamente nu.
Mas, por alguma razão, quando recebi a maqueta de ‘Bam Bam’, de Céu, Arnaldo Antunes e Hyldon — uma canção divertida, luminosa e dançável —, comecei imediatamente a ouvir a voz de Ney nela, como um fantasma que se infiltrava naqueles acordes. E, ao mesmo tempo que a ouvia, tinha na cabeça a imagem dele próprio a interpretá-la, com aquela linguagem corporal tão característica. Tomei os meus devaneios mentais como um sinal e decidi enviar-lhe a canção.
Talvez ele tenha sentido o mesmo, porque aceitou imediatamente o convite, não só para a gravar, mas também para participar num videoclipe.
Admiro muitíssimo o Ney e todo o seu percurso. Adoro a cor da sua voz e a entrega das suas interpretações. Adoro a sua teatralidade absolutamente sincera. Adoro a acidez do seu corpo dançante e a sublime doçura das suas cordas vocais. É inegável a importância musical, social e política que o Ney tem tido no mundo. Mas o mundo continua a ser dele e o Ney é, hoje mais do que nunca, o presente.”
O álbum, A flor do recomeço, que será lançado a 16 de outubro de 2026, foi gravado integralmente em São Paulo, com produção dos vencedores de um Grammy Marcus Preto e Tó Brandileone. Este aguardado trabalho reúne uma extraordinária coleção de canções novas e exclusivas, escritas especialmente por artistas da dimensão de Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Chico César, Céu, Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Marcos Valle e Tim Bernardes.
Já está disponível para audição o novo programa do Podcast Portugal Rebelde Plus. Este mês a nossa seleção inclui as prpostas de Sensible Soccers, Jasmim Pinto, LAN Trio, João Carreiro, Mário Barreiros e Carlos Bica.
O Portugal Rebelde Plus está disponível para audição no Podomatic.
Alice Boavista apresenta “Boa Nova”, o seu EP de estreia em nome próprio. Depois de ter antecipado o trabalho através dos temas “Boa Nova”, “Beija-Flor”, “Canto da Janela” e “Vindima”, a cantora, compositora e multi-instrumentista natural de Marco de Canaveses reúne agora cinco canções num trabalho que estabelece um diálogo entre música tradicional portuguesa, criação autoral contemporânea, memória e identidade.
“Boa Nova” surge como a primeira edição discográfica de Alice Boavista enquanto autora e intérprete a solo, consolidando uma linguagem construída a partir da relação da artista com diferentes práticas e territórios musicais.
Ao longo do EP, a tradição é trabalhada não apenas enquanto património a preservar, mas também como matéria para a criação de novas narrativas, cruzando repertório tradicional, composição original e diferentes abordagens instrumentais e rítmicas.
Dentro de um diálogo sensível entre tradição e criação autoral, “Boa Nova” é o primeiro EP produzido por Alice Boavista com músicas escritas e interpretadas pela própria.
Conta com músicos convidados consagrados, como Ana Laíns e Sebastião Antunes, além de outros, emergentes.
Este lançamento dá lastro à versatilidade de Alice e viaja desde Portugal até ao Brasil e do piano até à viola amarantina. O disco navega na saudade de um "lugar-casa", que contém rituais e símbolos que nos envolvem e moldam o nosso caminho.
“Boa Nova” é uma carta que anuncia um retorno, escrita com palavras escolhidas carinhosa e meticulosamente.
A faixa que dá título ao trabalho estabelece uma das linhas conceptuais do disco. “Boa Nova” parte das ideias de regresso e saudade através de uma narrativa em que o sujeito lírico escreve uma carta ao lugar de que sente falta, mantendo a esperança de um dia regressar e voltar a encontrar nele um sentimento de acolhimento.
Alice Boavista assume a voz e o piano, acompanhada por Isabel Sixel na voz e no pandeiro, Eva Senra na flauta e Carlos Barreto no contrabaixo.
Já “Beija-Flor” desloca o EP para um território mais lúdico, construindo um universo imaginário em torno de uma sociedade de flores que disputa a atenção de um beija-flor. Através desse trocadilho transformado em narrativa, a canção incorpora o ritmo alegre do côco brasileiro. Alice Boavista assume a voz e o asalato, voltando a contar com Isabel Sixel na voz e no pandeiro, Eva Senra na flauta e Carlos Barreto no contrabaixo.
A relação com a transmissão e a memória musical portuguesa torna-se particularmente explícita em “Canto da Janela”. Construída como um “mashup” de temas tradicionais que marcaram o percurso da artista, a faixa reúne “Ó meu amor tira a roupa”, recolhida do Rancho Folclórico de Santo Isidoro, em Marco de Canaveses, e as melodias da Beira Baixa “Cravo Roxo” e “Cantiga Bailada”.
Os diferentes fragmentos são entrelaçados num gesto de homenagem à tradição oral, com Alice Boavista na voz, coros e tracanholas, Ana Laíns na voz e no adufe e Isabel Sixel nas vozes.
Entre as diferentes energias que atravessam “Boa Nova”, “Quietude do Momento” revela uma dimensão mais íntima. Com letra de Alcino Vieira e música de Alice Boavista, a composição acompanha o amanhecer de dois corpos unidos através do poema e da melodia, contrastando com a componente rítmica mais vincada de outras faixas do EP.
“Vindima”, o seu mais recente single, parte de uma prática profundamente ligada à vida comunitária e rural do Minho e Douro Litoral. A canção desenvolve uma narrativa alegre e descritiva em torno de uma vindima na região do Vinho Verde, recuperando um contexto em que as videiras se desenvolviam em bardos e ramadas e as uvas eram pisadas pelos próprios vindimadores nos lagares das quintas.
Ao longo do tema, Alice Boavista acompanha musicalmente o percurso da vindima e a participação da comunidade que se reúne em torno dela. A descrição desse processo acaba, contudo, por revelar uma segunda narrativa: entre o trabalho, o encontro e a celebração, “Vindima” culmina poeticamente numa história de início de namoro.
Na gravação, Alice Boavista assume a voz, a primeira viola amarantina, as tracanholas e o adufe, acompanhada por Eduardo Kosta na segunda viola amarantina e Claudia Oliveira na terceira. Sebastião Antunes participa na voz e na guitarra, reforçando a dimensão coletiva de uma canção construída em torno de uma tradição igualmente comunitária.
As gravações de “Boa Nova” decorreram em janeiro de 2026 no I Am Studio, de Artur Martins, e na EMA, em Coimbra. A mistura e masterização ficaram a cargo de Ricardo Ferreira, enquanto Miguel Teixeira assina a fotografia e Isabel Sixel a arte gráfica.
Nascida em 2001, em Marco de Canaveses, Alice Boavista é cantora, pianista, maestrina, percussionista, arranjadora, compositora e multi-instrumentista.
Formou-se em Direção, Teoria e Formação Musical na Universidade de Aveiro, depois de estudar no Conservatório do Vale de Sousa, desenvolvendo um percurso que cruza diferentes experiências no piano erudito e jazz, canto, teatro e direção.
A ligação à música tradicional portuguesa ocupa um lugar central nesse percurso. Alice toca viola amarantina desde 2023 e tem vindo a desenvolver uma atividade multifacetada enquanto intérprete e criadora, assumindo um papel transversal no processo artístico, da composição à direção musical em estúdio.
Foi maestrina do Coro de Santa Joana entre 2021 e 2025 e integra atualmente o Quarteto Nota do Meio como pianista, além de ser cofundadora do duo Marca D’Água e do projeto Gomo de Tangerina, integrar o grupo CRUA e participar como coralista no Zêzere Arts Vocal Ensemble.
Com “Boa Nova”, Alice Boavista reúne pela primeira vez em disco essas diferentes dimensões do seu percurso.
Entre composição original, tradição oral, instrumentos associados à música tradicional e diferentes referências culturais, o EP apresenta a música como espaço de transmissão e transformação, colocando memória, pertença, intimidade e comunidade no centro da sua estreia em nome próprio.