Emmy Curl lança hoje, dia 9 de setembro “Pastoral 2.0” o primeiro álbum editado pela recém criada editora independente da artista, a Exemplar Discos.
Prestando homenagem e celebrando a língua mirandesa, em vias de extinção, o seu bisavô e dois compositores portugueses, emmy Curl apresenta agora mais um álbum de solarpunk que combina instrumentos tradicionais com sonoridades e produções inspiradas nos desenvolvimentos da música contemporânea a nível internacional, incluindo o jazz e a música eletrónica.
“O meu novo álbum, a extensão do primeiro “Pastoral”, é uma homenagem à minha região e à nossa cultura, dando continuidade a uma exploração que já dura há uma década sobre a nossa cultura celta e pagã das regiões do interior de Portugal, de onde sou natural, e de territórios relacionados mais a norte e a sul. As canções equilibram momentos de alegria e reflexão das nossas vidas, as dissonâncias e a beleza natural, e apelam à coragem daqueles que estão a ser deixados para trás,” afirma emmy Curl, nascida e criada na região vinícola do nordeste português, Trás-os-Montes, e atualmente a viver no Porto com a sua família, onde lidera um laboratório cultural independente chamado Escola Normal (Porto e Funchal).
“Canto sobre a esperança e a tristeza que coexistem para muitas pessoas nas regiões do interior do nosso país. Muitas comunidades lutam pela sobrevivência, restando apenas o turismo rural e algumas pessoas idosas. Os jovens, de uma forma geral, partem e não regressam. Tenho esperança de que as coisas possam mudar para melhor à medida que damos mais atenção ao valor de manter estas regiões vivas; culturalmente, pelas canções, pela língua e pelo espírito que representam e que não podemos negligenciar, porque fazem parte de nós; pelos territórios, pela natureza, pela produção de bens e alimentos essenciais; e por tradições valiosas com as quais podemos aprender muito, mesmo vivendo numa cidade. Canto sobre a esperança no meu mais recente single, mas as coisas são complexas.”
O mais recente single de Pastoral 2.0, "Vale de Nogueira", é uma homenagem à tradição e às regiões do interior, onde vastas áreas do território têm vindo a ser desertificadas, subfinanciadas e colocadas em segundo plano, sobretudo devido à concentração de riqueza e influência nas grandes cidades do litoral, mas também devido a exigências cada vez maiores ao nível da escolaridade, que não são acompanhadas pela oferta existente nas aldeias.





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