16/10/2026

SALVADOR SOBRAL LANÇA “A FLOR DO RECOMEÇO”, O NOVO ÁLBUM DEDICADO À RIQUEZA E POESIA DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Salvador Sobral edita hoje A Flor Do Recomeço, um álbum concebido como uma viagem musical e emocional ao coração do Brasil, com onze canções inéditas escritas por alguns dos maiores nomes da cena brasileira clássica e contemporânea. 

Antes mesmo de se tornar cantor, antes dos palcos e da Eurovisão, antes de a sua voz encontrar um lugar próprio, ouviam-se Maria Bethânia no carro da mãe e Chico César no do pai. Dessa memória de infância nasce A Flor do Recomeço, um disco que representa para Salvador Sobral um regresso às fontes essenciais da sua formação musical, longe de qualquer exercício de nostalgia ou aproximação turística. 

O projeto nasce da necessidade de cruzar uma tradição rica com a voz singular de um intérprete português. Concebido em conjunto com o diretor artístico Marcus Preto, o álbum reúne composições inéditas de nomes como Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, Joyce Moreno e Paulo César Pinheiro, Chico César e Eveline Sin, Adriana Calcanhotto, Céu, Arnaldo Antunes e Hyldon (com a participação lendária de Ney Matogrosso), Marcos Valle e Tim Bernardes (com Dora Morelenbaum), entre outros. Gravado em São Paulo, no estúdio Dá Pá Virada, o disco contou com a produção musical de Tó Brandileone e um núcleo instrumental composto por Tiago Costa (piano e arranjos de sopros), Fábio Sá (contrabaixo), Conrado Goys (guitarra), Sérgio Machado (bateria) e Felipe Roseno (percussão). 

A meta principal foi evitar clichês: “A ideia não era fazer um ‘disco brasileiro’, mas sim um disco de compositores brasileiros interpretados por músicos brasileiros e cantados por um artista português”, explica Sobral. Essa busca por autenticidade atravessa todo o álbum. O desafio consistia em encontrar uma sonoridade diferente, mas ao mesmo tempo coerente; respeitar a natureza de cada composição sem perder a personalidade do conjunto. Após os ensaios e as sessões de gravação, Sobral e a sua equipa sentiram que tinham finalmente encontrado “o fato adequado” para cada canção. 

Disponível em edição digital, CD e vinil, o álbum transita entre a homenagem e a exploração de novas dimensões artísticas. Após o lançamento, a digressão arranca a 25 de outubro no Teatro Arriaga, em Bilbau, passando por Espanha, Países Baixos, Lituânia e Reino Unido. 

Em Portugal, atua a 2 de março no CCB, 5 de março no Casa da Cultura de Ílhavo e a 6 de março na Casa da Música, no Porto, acompanhado por uma banda europeia formada por Katerina L’Dokova, André Rosinha, Eva Fernández, Joel Silva e Sebastià Gris. Mais datas a anunciar, em breve. 

A Flor do Recomeço não é apenas o título de um álbum. É também uma declaração artística: a constatação de que voltar às origens não significa necessariamente olhar para trás. Às vezes significa encontrar ali a semente original para poder avançar. Salvador Sobral faz isso regressando ao Brasil, às canções que ouviu em criança, aos compositores que admira e a uma tradição musical que acompanha a sua trajetória desde muito antes de o público conhecer o seu nome.

THE MOULDY CAVE SOCIETY | Jake, The Snake

Jake, The Snake é o mais recente single da banda The Mouldy Cave Society, projeto que tem como vocalista Rafael Xavier.

 

LEO MIDDEA | Carnaval

"Carnaval" é o novo single de Leo Middea, um artista brasileiro que tem raízes em Portugal. "Carnaval" é uma faixa calorosa e contagiante.

 

ALÊ BALBO | Clareza

Dando sequência ao álbum Mantras in the Chaos, Alê Balbo apresenta “Clareza”, uma composição que convida o ouvinte a desacelerar, silenciar a mente e mergulhar em um estado de presença e contemplação. 

A faixa tem como uma de suas características marcantes o zumbidor, que traz o som e o movimento do ar, evocando liberdade e espiritualidade. As cascas de jatobá acrescentam texturas que remetem à água e às profundezas, conduzindo o ouvinte a um mergulho interior — um convite à reflexão e ao enfrentamento dos próprios medos. 

As frequências mais altas são preenchidas pelas vibrações dos pratos, ampliando a sensação de expansão, enquanto os tambores nos conectam à terra, ao aterramento e à proteção. “Clareza” une ar, água e terra; profundidade e expansão; liberdade e proteção. Um caminho sonoro para olhar para dentro e, a partir desse mergulho, ver com mais clareza.

 

15/10/2026

MESA | Amor de Papel

Depois do regresso aos palcos em 2025 com dois concertos memoráveis, na Casa da Música, no Porto, e no Lux Frágil, em Lisboa, onde revisitaram os temas mais emblemáticos dos seus 20 anos de carreira, os MESA regressam agora aos originais com «Amor de Papel», a primeira canção inédita da dupla Mónica Ferraz e JP Coimbra desde o álbum «Automático» (2011). 

Com letra e música de JP Coimbra e a voz quente e inconfundível de Mónica Ferraz, «Amor de Papel» cruza uma declaração de amor com a realidade da guerra. A sua sonoridade luminosa contrasta com a gravidade do tema, transformando a distância em desejo de reencontro e o afeto num gesto de resistência.

 

14/10/2026

LINDA MARTINI CELEBRAM 20 ANOS DE "OLHOS DE MONGOL" NO SUPER BOCK SUPER ROCK

Foi em 2006 que os Linda Martini se aventuraram no primeiro disco. Após o EP homónimo de 2004, o grupo arrancou para uma aventura de estúdio com um alinhamento de 9 músicas que ainda hoje constam no imaginário dos seguidores do grupo e que persistem nos alinhamentos dos concertos da banda. 

Reconhecidamente como uma das bandas mais potentes ao vivo do panorama nacional, os Linda Martini distinguem-se por apresentar uma evolução numa sonoridade que começaram a desenhar nas últimas duas décadas e que já os levaram para os grandes palcos em Portugal mas também com apresentações internacionais. 

André Henriques (voz e guitarra), Cláudia Guerreiro (baixo), Hélio Morais (bateria) e Rui Carvalho (guitarra) apontam para que a noite de 6 novembro seja absolutamente especial no sentido em que os Linda Martini tocam todo o álbum conforme ele foi dado a conhecer ao mundo. As celebrações dos 20 anos de “Olhos de Mongol” continuam com mais ações em 2026, que a banda pretende divulgar muito em breve.

13/10/2026

MANUEL JUSTO DOS SENSIBLE SOCCERS APRESENTA "CAMMINANDO DI NOTTE" NO PODCAST 33 ROTAÇÕES

Foto: Carlos Lobo

Já está disponível para aududição no Spotify o novo episódio do Podcas 33 Rotações. Manuel Justo dos Sensible Soccers apresenta na primeira pessoa o álbum "Camminando di Notte", o quinto disco da banda.
 

COELHO RADIACTIVO | Minhas Mãos

Foto: Paula Yubero

Depois de “Fogo Artifício”, Coelho Radioactivo apresenta “Minhas Mãos”, segundo single de antecipação ao quarto álbum do projeto de João Sarnadas, intitulado “Anti-Ontem”, com lançamento agendado para o dia 27 de outubro. 

Construída a partir de duas faces aparentemente opostas, a canção parte de um sentimento de incapacidade perante as pressões do presente para encontrar, num segundo momento, uma possibilidade de resposta através da empatia, do cuidado e da relação com os outros. O lançamento é acompanhado por um videoclipe realizado pela cineasta Tânia Dinis. 

Se “Fogo Artifício” colocava em confronto a luminosidade da música com a incerteza de um presente onde o passado parece cada vez mais distante e o futuro difícil de antecipar, “Minhas Mãos” dirige o olhar para a capacidade — ou incapacidade — individual de agir perante aquilo que acontece em redor. A imagem das mãos assume, por isso, um duplo significado ao longo da canção. Num primeiro momento, representam a falta: de sustento, de agência e de poder perante forças que parecem demasiado grandes para poderem ser contrariadas individualmente. 

Coelho Radioactivo observa um contexto onde aquilo que nos rodeia parece ruir e onde as estruturas do próprio sistema contribuem para aprofundar a miséria, o isolamento e o egoísmo. É a partir desse lugar mais escuro que “Minhas Mãos” encontra a sua segunda face. As mesmas mãos que parecem incapazes de alterar aquilo que as ultrapassa são também aquelas através das quais se torna possível estabelecer uma ligação com o outro. 

Sem transformar essa mudança numa resposta definitiva ou numa visão ingenuamente otimista, a canção encontra nos gestos individuais uma possibilidade de resistência à sensação inicial de impotência. Dar carinho, abraçar, amparar ou simplesmente segurar alguém tornam-se, assim, ações concretas perante uma realidade que frequentemente parece impossível de controlar. Se uma mão traduz a incapacidade de responder ao todo, a outra aponta para aquilo que permanece ao alcance de cada pessoa: cuidar, criar proximidade e procurar um lugar mais empático através da relação com quem está à volta. 

O novo trabalho dá continuidade a um percurso iniciado por João Sarnadas em 2007, quando criou Coelho Radioactivo enquanto projeto de cantautor. Desde então, editou trabalhos como “Canções Mortas” e um disco com a sua banda de apoio, Os Plutónios, além de vários singles e EP, e realizou mais de 150 concertos em Portugal. 

Paralelamente, João Sarnadas tem desenvolvido atividade em diferentes territórios da criação musical. Faz parte de Flamingos, Well e Montanha e é um dos fundadores de José Pinhal Post-Mortem Experience. O seu percurso cruza ainda a música experimental e improvisada através da Favela Discos, coletivo no qual participou na criação de projetos como Milteto, Vive Les Cônes e Xula Velhos, assim como na programação e desenvolvimento de residências artísticas.

 

CARTAZ | Concerto

12/10/2026

HOLUZAM REEDITA EM VINIL "SHOWTIME" DE SEI MIGUEL

"Em 1996 Sei Miguel oferecia "Showtime", editado originalmente pela Fábrica de Sons, com a típica formação de geometria variável, desta vez em sexteto: Sei Miguel no trompete, Fala Mariam no trombone, Rafael Toral na guitarra, Pedro "Chuva" Bretes no baixo, Luís San Payo na tarola e Menina do Tambor no gongo. 

Gravado em estúdio, no Angel 2 em Lisboa, a 8 de Julho de 1994, "Showtime" apresentou-se ao mundo um pouco diferente do inicialmente planeado, com uma outra capa e uma divisão em três partes para facilitar a divulgação da música na rádio. 

Trata-se de um momento seminal na obra do jazzman, "Showtime" é a primeira grande partitura de Sei Miguel, o primeiro gravado em estúdio com um som hi-fi. Trinta anos depois é reeditado pela primeira vez em LP, com Sei na capa e contracapa como originalmente planeado e a peça apresentada com a ideia de um todo - e não virtualmente quebrada -, dividida apenas por causa das implicações do formato. 

Lindíssimo diálogo fluído a seis, com um contínuo charme e apreço pelo tempo e o som. "Showtime" ouve-se como o álbum de um jazzman, talvez a peça que coloca essa ideia mais próxima daqueles que têm resistência em aproximar-se da música de Sei Miguel. A dedicatória - para Chet e Cage - é simples e clarividente na peça, "Showtime" invoca romantismo com naturalidade, o trompete de Sei fala, entre sons de paixão e lamento, enquanto o baixo exalta cada um desses sentimentos, com uma pontualidade extrema, sem interrupção. 

Em simultâneo, o trombone de Fala Mariam eleva cada um desses momentos, enquanto a guitarra de Rafael Toral se vai sobrepondo - sem interromper - criando uma sensação oscilante, permitindo que "Showtime" divague livremente, sem prender o ouvinte numa qualquer narrativa. A forma como San Payo toca na tarola sugere uma constante limpeza, uma renovação permanente do que se ouve, do que se fala. 

"Showtime" é um corredor de som, romântico, apaixonado, disponível para nos convidar a apaixonar. Pelo jazz, por estes quarenta e poucos minutos, por Sei. Um show em 2026, apresentado como desejado, masterizado por Taylor Deupree, pleno e revigorante. Trinta anos depois tudo isto é emoção."

Com o selo da Holuzam, "Showtime" fica disponível a partir do próximo dia 16 de outubro

PIPA DE MA$$A APRESENTA "PIPA$TAR" AO VIVO NA MUSA DE MARVILA

PIPA DE MA$$A prepara-se para a primeira apresentação ao vivo do álbum de estreia "PIPA$TAR". O concerto, integrado no festival Oktober Festa 2026, terá lugar a 17 de outubro, este sábado, pelas 00.00h, na Musa de Marvila, em Lisboa, com entrada livre. 

Após o sucesso dos singles 'papagaio loiro' - viral na rede social TikTok - 'sonhos cor-de-rosa' e 'pop/rock', o primeiro disco de PIPA DE MA$$A apresenta-a ao público português com temas Pop efervescentes, letras singulares e uma colaboração surpreendente com João Borsch e o palhaço Batatinha, conhecido do grande público pelo programa infantil "Batatoon". 

Sobre "PIPA$TAR", a artista e DJ conta que "é um álbum pop, mas a minha versão daquilo que um álbum pop pode ser. Nunca pensei vir a ser uma artista pop mas decidi, pela primeira vez, tentar fazer pop comercial de rádio. Falhei redondamente, mas pelo menos fi-lo com alguma falta de respeito pelas regras do género". O título "PIPA$TAR" refere-se à sua "vida imaginária de popstar" e também às "relações, emoções e pequenas situações do quotidiano que, na minha cabeça, com as quais quem me ouve se pode identificar", explica PIPA DE MA$$A. 

Em termos sonoros, o álbum apresenta passagens pelo rock, punk, hyperpop, música electrónica, "club music" e "música de circo". A artista mostra "o resultado do que me dá vontade de criar no momento e acho que é essa mistura que dá identidade ao disco. É um álbum para quem gosta de sorrir, dançar e não tem vergonha alheia".

11/10/2026

"TOUR MARESIA": BÁRBARA BANDEIRA LEVA O UNIVERSO DE LUSA A UM FORMATO ÍNTIMO E ACÚSTICO

Bárbara Bandeira anuncia a Tour Maresia, a sua primeira digressão acústica de auditórios de Lusa. Pensado para uma relação mais próxima com o público, este novo formato transforma o palco numa casa íntima, luminosa e sensível, onde cada canção ganha espaço para ser ouvida de outra forma. 

A digressão arranca a 18 de dezembro, em Leiria, e passa por Chaves, Santa Maria da Feira, Espinho, Coimbra, Braga, Algarve e Sintra, percorrendo o país de norte a sul até abril. No centro deste universo está "Maresia", uma instalação inédita assinada por Joana Vasconcelos, criada especialmente para esta digressão. 

A instalação da artista plástica portuguesa convoca o mar, o croché, os bordados e os canutilhos típicos do norte de Portugal, cruzando memória, artesanato, identidade e fantasia e dá nome a toda a digressão. A Tour Maresia chega no seguimento de "Lusa", o projeto musical e visual em que Bárbara Bandeira tem vindo a explorar as suas raízes. 

Pensado em quatro atos, Lusa arrancou em 2025 com "Lusa: Ato I", o EP que deu a conhecer a introdução ao universo Lusa com influências brasileiras, e teve continuidade em "Lusa: Ato II", que celebra a portugalidade e inclui um dueto inédito com Amália Rodrigues. 

Ao longo deste percurso, Bárbara Bandeira tem cruzado a tradição com o pop moderno, construindo uma ponte entre o passado e o presente. Antes da venda geral, a Tour Maresia abre uma pré-venda exclusiva de 48 horas, que decorre até 15 de outubro, às 08.59h, para os concertos de St.ª Maria da Feira, Coimbra e Braga. 

Durante este período, quem já faz parte do universo de Bárbara Bandeira pode garantir os bilhetes em primeira mão, escolhendo os melhores lugares antes de todos. O acesso a esta pré-venda, bem como as novidades reveladas em exclusivo sobre a digressão, está reservado a quem se inscrever no website oficial da Tour Maresia. A partir das 09.00h de 15 de outubro, abre a venda geral, disponível para todo o público.

10/10/2026

MARCELO DOS REIS APRESENTA "LOW BIRDS" NO PODCAST 33 ROTAÇÕES

Já está disponível para audição no Spotify o novo episódio do Podcast 33 Rotações. Marcelo dos Reis apresenta na primeira pesoa o álbum "Low Birds", um disco que conta com a colaboração do músico italiano Salvoandrea Lucifora.
 

09/10/2026

GUIMARÃES JAZZ EM LIVRO

O livro “Guimarães Jazz 35 Anos”, uma edição comemorativa dedicada à história e ao percurso de internacionalização do festival, será apresentado na sexta-feira, 16 de outubro, às 18h00, no Foyer do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. 

Num lançamento que celebra mais de três décadas de história de um festival que, desde o início dos anos 1990, tem afirmado Guimarães como um lugar de encontro entre diferentes gerações, geografias e linguagens do jazz, esta publicação debruça-se numa retrospetiva das últimas dez edições, dando continuidade ao trabalho iniciado com "Novembro", livro que documentou os primeiros 25 anos do festival. 

 A sessão de apresentação do livro constitui um primeiro momento público de celebração dos 35 anos do Guimarães Jazz, cuja próxima edição decorrerá de 12 a 21 de novembro. O programa reúne novas criações, estreias no festival e nomes como Toninho Horta, Kurt Elling, Peter Evans, Kurt Rosenwinkel e ARTEMIS, mantendo igualmente as parcerias, as Jam Sessions e a componente pedagógica que o caracterizam.

ALCEU VALENÇA | 80 Girassóis

Foto: Leo Aversa

Alceu Valença regressa a Portugal… e - uma vez mais - promete voltar a surpreender os milhares de fãs que tem no país. Desta vez traz um espetáculo “aditivado”, que junta uma seleção dos temas mais icónicos de sempre num palco especialmente desenhado para esta celebração histórica, cheio de luz e de cor e de movimento… que vai fazer magia e meter toda a gente a saltar e a dançar. 

Portugal surge depois de percorrer dez cidades brasileiras e, a seguir a Lisboa (30 de outubro, Coliseu de Lisboa), vai a Coimbra (31 outubro, Convento S. Francisco) e ao Porto (1 novembro - Coliseu do Porto). Daqui, parte para nove cidades europeias: Dublin, Bruxelas, Amsterdão, Londres, Paris, Zurique, Genebra, Berlim e Oslo. 

80 Girassóis mostra Alceu no auge da forma, com todo o seu impressionante vigor em cena. O cantor sobrevoa a sua trajetória artística, desde a década de 1970 até os dias atuais. Alceu celebra oito décadas de vida, e mostra uma vitalidade invejável, ligado em infinitos volts de energia limpa, renovada e solar. 

Dos primeiros tempos, o artista recria temas seminais como “Agalopado” e “Espelho Cristalino”, onde a química que aglutina elementos do Brasil profundo com sonoridades contemporâneas já se fazia presente. A política e a ecologia dão o tom do discurso do Valença inicial. Pela luz que incendeia seu ofício, cabe ao poeta alertar que “essa rua, sem céu sem horizontes, foi um rio de águas cristalinas”. 

Alceu percorre as vias do Brasil profundo em “Cabelo no Pente” e “Cavalo de Pau”, entre ruas do passado e ondas de puro éter espalhadas pelo milharal. O rei do baião, Luiz Gonzaga, foi quem deu a definição certeira do som de Alceu, ainda nos anos 80: “uma banda de pífanos elétrica”. 

O legado de Gonzaga faz-se presente nas recriações de “Pagode Russo” e “Sabiá”, esta, com leve sotaque lusitano, a provar que o fado português e a toada nordestina sempre deram um piscar de olhos entre si. E por falar em fado, o cantor possui uma estreita relação com Portugal. 

Há dez anos que se divide entre Rio, Olinda e Lisboa, cidades onde estabeleceu morada. É do alto do Castelo de São Jorge, onde se instala em Portugal, que Alceu busca inspiração para outros projetos, um livro de poemas - O já publicado Poeta da Madrugada, concebido no apartamento lisboeta-, outro de crónicas, além de um documentário autobiográfico, ao qual se dedica entre um e outro espetáculo. 

Por ruas, estradas e caminhos ensolarados, o cantor leva-nos de volta ao Recife, tema de “Pelas ruas que Andei” e “Belle de Jour”, recentemente revisitada em dueto com a cantora francesa Zaz. Só mesmo Alceu para desembarcar a musa da nouvelle vague em plena praia da Boa Viagem numa tarde de domingo azul. Dizem que até a garota de Ipanema tem uma pontinha de ciúmes da Belle de Jour. Do Recife ao Carnaval de Olinda, o frevo, o maracatu e as cirandas disseminam sua vibração avassaladora. A cada Carnaval, Alceu comanda o bloco “Bicho Maluco Beleza” para cerca de um milhão de felizes foliões. 

Parte dessa atmosfera e do ritmo pode ser confirmada no espírito desta turnê, que integra um módulo dedicado ao Alceu folião. Ao longo de toda a carreira, Alceu Valença notabiliza-se por cultivar as sonoridades do Brasil e do nordeste, em linguagem contemporânea, urbana, e com irresistível apelo para as massas. Dentre os maiores sucessos de Alceu, canções como “Anunciação”, “Tropicana”, “Belle de Jour”, “Como Dois Animais”, “Coração Bobo”, atravessam o tempo e reciclam fãs a cada geração. 

Com 200 milhões de acessos no Spotify, “Anunciação” é cantada em estádios dentro e fora do Brasil, enquanto “Belle de Jour” possui mais de 300 milhões de visualizações no YouTube. “Tropicana” ultrapassa a marca de 100 milhões de ouvintes no Spotify.
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