20/02/2026

SARA CORREIA ANUNCIA NOVO ÁLBUM "TEMPESTADE"

Dois anos depois de Liberdade, Sara Correia anuncia Tempestade, o seu novo álbum de estúdio, com lançamento marcado para 27 de fevereiro. O disco chega em antecipação ao concerto esgotado na MEO Arena, em Lisboa, agendado para 7 de março, afirmando um dos momentos mais fortes e ambiciosos da carreira da fadista. 

O primeiro sinal deste novo ciclo foi dado em novembro de 2025 com “Avisem Que Eu Cheguei”. No refrão escrito por Carolina Deslandes — “avisem que eu cheguei, invadi a cidade, para lhes mostrar porque é que toda a Tempestade tem nome de mulher” — ficou lançada a semente conceptual de um álbum que ganha agora forma. Tempestade constrói-se a partir dessa imagem: um disco intenso, plural e profundamente feminino, inteiramente escrito por mulheres. 

Ao longo de 11 canções, Sara Correia dá voz a textos de Carolina Deslandes, Mila Dores, Florbela Espanca, A garota não, Sophia de Mello Breyner Andresen, Márcia, Mafalda Arnauth, Beatriz Pessoa e Aldina Duarte, encarnando palavras que atravessam o amor e o ódio, a saudade e a convulsão, o carinho e a violência, o desapego e a superação, o temor e a esperança, o silêncio e o grito. Uma travessia emocional onde, como se canta em “Canto”, “toda a mulher é mil mulheres”. 

Das 11 canções do álbum, “Roupa Ao Sol” conta com a participação da sua autora, A garota não, que interpreta igualmente o belíssimo poema que escreveu para Sara Correia. Com produção de Diogo Clemente, cúmplice artístico de longa data de Sara Correia, Tempestade aprofunda a identidade da fadista enquanto intérprete maior da sua geração, capaz de conjugar tradição e contemporaneidade, fado e linguagem universal, entrega e força. 

O álbum conta ainda com arranjos orquestrais de Valter Rolo e Lino Guerreiro e a cumplicidade de músicos de sempre como é o caso de Ângelo Freire, na guitarra portuguesa. Depois de um percurso marcado por reconhecimento crítico, salas esgotadas e uma ligação cada vez mais profunda ao público, Sara Correia apresenta em Tempestade um disco que não pede licença, que ocupa espaço e que afirma, com clareza e emoção, uma voz artística plena, madura e incontornável. 

“Tempestade” de Sara Correia estará disponível a 27 de fevereiro em todas as plataformas digitais e em CD. O vinil chegará às lojas uma semana depois, a 6 de março.

CARLOS DO CARMO | Best Of

Depois da edição em CD lançada em dezembro, o Best Of de Carlos do Carmo ganha agora uma nova dimensão com a sua chegada ao formato vinil 2LP. Uma edição pensada para celebrar, em objeto físico, o legado de uma das maiores vozes da música portuguesa. 

Esta compilação reúne alguns dos temas mais emblemáticos da carreira de Carlos do Carmo, num percurso que atravessa décadas de fado e canção urbana, consolidando o seu estatuto como figura central da cultura portuguesa. Da Lisboa cantada com intensidade e elegância às interpretações que marcaram gerações, o alinhamento deste Best Of apresenta uma visão abrangente da obra de um artista incontornável. 

A edição Best Of distingue-se ainda pela masterização realizada nos históricos Abbey Road Studios, em Londres, reforçando o cuidado técnico e a qualidade sonora desta versão. Este detalhe acrescenta um selo de excelência internacional a uma obra maior da música portuguesa. 

Num momento em que o vinil vive uma renovada procura, esta edição 2LP posiciona-se como peça essencial para colecionadores e para todos os que valorizam edições físicas de referência. O Best Of de Carlos do Carmo afirma-se assim como a compilação definitiva de um percurso artístico ímpar, agora também disponível em vinil.

FRANKIE CHAVEZ REEDITA EM VINIL "FAMILY TREE"

Para assinalar o 15.º aniversário da estreia em disco, Frankie Chavez reedita esta sexta-feira, dia 20, “Family Tree”, remasterizado e com uma nova versão de “December 21st 2012”, que conta com a participação de Tatanka, na voz, e de João Correia, na bateria/percussão e produção. Disponível em vinil (edição limitada) e formato digital, este disco apresentou Frankie Chavez como uma das vozes mais originais do blues, folk e rock em Portugal. 

O ‘Family Tree’ foi o meu primeiro longa-duração e, por isso, ocupa um lugar muito especial na minha vida. Era a segunda vez que entrava num estúdio profissional e sentia-me como uma criança numa loja de brinquedos: imensas guitarras, um engenheiro de som com todos os meios e a possibilidade – ainda ingénua – de transformar canções simples em algo maior. Tocava as músicas como as sentia e aos poucos as canções encontraram o seu caminho. Este processo deu ao disco um carácter muito próprio, uma sonoridade sem filtros, que ainda hoje me diz muito”, lembra Frankie Chavez. 

Sobre as canções, acrescenta: “Tinha sido pai, mudado de casa e casado há pouco tempo. Estava a construir um ninho. O ‘Family Tree’ poderia ter-se chamado ‘nesting’, mas acabou por surgir como algo mais profundo – quase um desígnio. Um plano de raízes e ramos que, sem que eu o soubesse, viria a concretizar-se ao longo dos anos. Quinze anos depois, tenho uma família maior, mais discos gravados e outra consciência sobre quem sou enquanto músico e pessoa.” 

À reedição do disco segue-se um concerto de celebração, dia 4 de março, no Teatro Maria Matos. Ao vivo, o músico vai contar com a participação especial de Tatanka, mas também emmy Curl e Kalú – ambos convidados de “Family Tree” (2011). O concerto no Teatro Maria Matos começa às 21h00 e os últimos bilhetes estão à venda nos locais habituais e on-line.

JOANA ALMEIRANTE EDITA HOJE "SOAMOS TODAS IGUAIS"

Joana Almeirante edita hoje “Soamos Todas Iguais”, o primeiro single de avanço do seu segundo álbum de originais, com lançamento previsto para outubro. A canção já se encontra disponível em todas as plataformas digitais e antecipa o disco que será apresentado ao vivo a 21 de março, na sala principal do Cine-Teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, numa noite já esgotada. 

O concerto contará com a participação especial de Nena e Miguel Araújo. “Soamos Todas Iguais” é um tema pop irónico e afirmativo que parte de uma crítica tantas vezes repetida para a virar do avesso. A frase que pretende diminuir transforma-se aqui em força criativa: a canção satiriza os discursos seguros de si, mas vazios, e devolve-lhes humor, identidade e confiança. Entre leveza e provocação, Joana assume a sua voz sem filtros. 

Com um EP, um álbum de estúdio e um disco ao vivo editados, Joana Almeirante tem vindo a afirmar-se como uma das intérpretes e guitarristas mais consistentes da nova geração. No catálogo contam-se “Leva-me Pra Longe”, “Dois Corações Partidos”, ao lado de Samuel Úria, “Bem Me Quer”, "Erro" entre muitos outros temas. Guitarrista integrante da banda de Miguel Araújo, a artista tem construído um percurso seguro, autoral e em permanente crescimento. 

Em paralelo, a artista continua a dar palco a 2 Pares de Botas, projeto que divide com Nena e onde as duas exploram a linguagem country, cruzando-a com canções originais e os êxitos das duas cantoras. Depois de subirem ao palco do Coliseu do Porto, a dupla segue agora para o Teatro Maria Matos, em Lisboa, em dose dupla, nos dias 28 e 29 de abril, confirmando uma ligação que tem crescido de norte a sul do país. Em palco, há partilha, cumplicidade e celebração.

 

19/02/2026

NAYR FAQUIRÁ LANÇA NOVO SINGLE “PÚRPURA” E ANUNCIA VERSÃO DELUXE DE “ENTRELINHAS”

Nayr Faquirá acaba de lançar o novo single “Púrpura”, uma balada pop/soul/R&B que surge como primeiro avanço da versão deluxe do álbum de estreia “Entrelinhas”, editado a 23 de maio do ano passado. A versão deluxe contará com temas adicionais e marcará o encerramento do capítulo de “Entrelinhas”, com data de lançamento a anunciar em breve. “Púrpura” nasceu do desejo de homenagear a profundidade que as nossas almas podem carregar. 

Composta pela artista e produzida por Alec Chassain, com quem trabalha há anos, a faixa explora intensidade emocional, mistério e vulnerabilidade, aproximando-se mais de uma declamação do que de uma canção comum. Trata-se de um dos temas extra do iminente “Entrelinhas” versão deluxe. A artista explica que no amor e na vida em geral, a intensidade sempre esteve presente, e encontrar o meio-termo nunca foi fácil. 

Ao aprender a aceitar-se assim, Nayr começou a fazer as pazes com aquilo que esta cor representa: mistério, incerteza, força, vulnerabilidade e uma certa realeza. A cor púrpura carrega uma história própria, associada ao poder, à introspeção, ao sagrado e ao raro, vivendo entre mundos - entre o azul espiritual e o vermelho emocional - uma dualidade que reflete o que sente ao compor e ao viver. 

Neste tema, não só canta como declama. “Púrpura” aproxima-se mais de uma confissão do que de uma simples canção: é quase uma declamação em que cada palavra pesa, cada pausa respira e cada silêncio diz o que a voz não alcança.

GANSO A CAMINHO DO COLISEU: SESSÃO DE CINEMA GRATUITA NA CASA CAPITÃO

A caminho da celebração de dez anos de carreira, no Coliseu, os Ganso fazem escala na Casa Capitão para uma sessão especial de cinema, à maneira deles, no próximo domingo, dia 22 de fevereiro. No ecrã, “Et Cetera”, documentário de Francisco Ferreira que acompanha as gravações de “Vice Versa”, o mais recente álbum da banda. E ainda “Sinais a Mais”, curta de terror realizada pelo mesmo Francisco Ferreira, onde o universo dos Ganso ganha contornos inesperados.

18/02/2026

RECANTE ANUNCIAM CONVIDADOS ESPECIAIS PARA CONCERTO NA CASA DO ALENTEJO

David Garcez, Ana Valadas, António Barradinhas, Grupo Coral Raízes do Cante e Vértebra são os convidados a subir a palco com os Recante no dia 28 de fevereiro, na Casa do Alentejo, em Lisboa. Com a sessão das 21h30 praticamente esgotada, mantém-se também a nova sessão às 18h30, reforçando um momento particularmente significativo no percurso do projeto. 

Os Recante transformam a tradição alentejana numa experiência sensorial capaz de atravessar territórios e ideias. A sua música não se limita às fronteiras geográficas: é uma cultura viva em constante diálogo com o presente. Entre sons eletrónicos e experimentações contemporâneas, a essência alentejana permanece intacta, mas ganha uma nova dimensão, numa viagem inovadora, provocadora, inesperada e envolvente. 

Encabeçado pela voz e interpretação de Maria João Jones, o projeto tem vindo a dar a conhecer o cancioneiro tradicional e as modas seculares alentejanas através de uma abordagem singular, que alia a paixão pelo património imaterial do Alentejo a ambientes criados por sintetizadores e batidas energéticas. Partindo da música tradicional alentejana - dos seus modos, cadências e poéticas - os Recante reinventam-na por meio de uma linguagem contemporânea, onde a eletrónica e a experimentação sonora surgem como ferramentas de expansão, nunca como substituição da identidade de raiz. 

O concerto, em sessão dupla, reforça a proposta do grupo de cruzar tradição alentejana com linguagens contemporâneas. Agora, a menos de um mês do evento, os Recante revelam os convidados especiais que complementarão a noite. 

O Grupo Coral Raízes do Cante, grupo de Cuba dedicado ao cante alentejano tradicional, promete reforçar o diálogo entre tradição e abordagem contemporânea; Ana Valadas, reconhecida pela sua voz inconfundível no fado e na música tradicional portuguesa, junta-se ao encontro; David Garcez, cantor e compositor que ganhou notoriedade através da sua participação no The Voice Portugal em 2024, integra também o alinhamento; e António Barradinhas, músico com uma trajetória notável em projetos como Riding a Meteor, Índios da Meia Praia e Gadz Band, acrescenta novas camadas expressivas ao espetáculo. 

As sessões contarão ainda com uma pequena mostra do projeto Vértebra, que une Tiago Marcos e o Kijota numa dança de palavras poéticas surpreendente. A Casa do Alentejo, espaço profundamente ligado à história e cultura alentejana em Lisboa, serve como pano de fundo simbólico para estas apresentações, contribuindo para que estes momentos se afirmem como encontros marcados pela memória, pela contemporaneidade e pela diversidade expressiva. 

Mais do que um concerto, a apresentação de 28 de fevereiro assume-se como um gesto de afirmação cultural. A música que nasce do Alentejo regressa simbolicamente à sua casa, agora em contexto urbano e nacional, reforçando a dimensão identitária, patrimonial e contemporânea do projeto.

ZÉMOA | Serafim

O músico brasileiro Zémoa apresenta ao público seu primeiro EP, “Serafim”, um trabalho de pop rock autoral que reúne 17 músicos ao longo de cinco faixas e compõe um mosaico de influências sonoras— do Brasil profundo a timbres e ritmos de outras partes do mundo. 

Composto e gravado por Zémoa e produzido por Nathan Itaborahy, “Serafim” dialoga com a leveza melódica e o espírito festivo de Moraes Moreira, com a ousadia poética de Itamar Assumpção e com a força urbana e roqueira dos Titãs. 

No entanto, o disco não se limita a referências: ele constrói uma identidade própria ao incorporar elementos inesperados ao pop rock, como a presença sutil de tablas e gongos nas percussões, e letras reflexivas e divertidas que criam atmosferas que dialogam com sonoridades de diferentes culturas. “Serafim” nasce do encontro entre rigor e liberdade. 

Se por um lado a formação médica de Zémoa revela disciplina e escuta atenta — qualidades essenciais tanto na pediatria quanto na música — por outro, a sua trajetória artística e sua atuação como cantor na Magnífica Orchestra de Músicas do Mundo ampliam horizontes estéticos e reafirmam o seu espírito experimental. 

A participação dos músicos, com diferentes formações, ao longo das cinco faixas confere ao trabalho densidade e pluralidade sonora. Guitarras marcantes e linhas de baixo inventivas dialogam com percussões orgânicas, enquanto camadas rítmicas pouco convencionais expandem o território do pop rock tradicional. 

O resultado é um disco potente que transita entre o lírico e o pulsante, o introspetivo e o expansivo. “Serafim” é, acima de tudo, um álbum de encontros: entre ciência e arte, entre Brasil e mundo, entre tradição e experimentação. Um trabalho que reafirma o poder da música como território de liberdade criativa e celebração coletiva.

BRUNO PERNADAS APRESENTA "UNLIKELY, MAYBE" AO VIVO JÁ ESTA SEMANA

É já a partir de amanhã, dia 19 de fevereiro, que Bruno Pernadas apresenta "unlikely, maybe" ao vivo pela primeira vez. A digressão de apresentação arranca com duas datas na Culturgest em Lisboa, seguindo depois para Espinho.

Ao escutarmos "unlikely, maybe", somos levados pelas paisagens sonoras da música de fusão dos anos 80, indie, pop, jazz descontrolado, passando pelo dance hall proveniente da cultura sound system da Jamaica dos anos 50 e 60. 

Bruno Pernadas assina como compositor, autor e produtor deste disco, com exceção da letra de "Já não tem mais encanto", que partilha com Rita Westwood, co-autora de trabalhos anteriores. 

O novo trabalho conta com a participação dos músicos Margarida Campelo, António Quintino, João Correia, Diogo Alexandre, José Soares, Teresa Costa, Jéssica Pina e Eduardo Lála. À voz de Margarida Campelo juntam-se também as cantoras convidadas Leonor Arnaut, Lívia Nestrovski e Maya Blandy.

ANDREA VERDUGO | Varanda

Andrea Verdugo edita hoje o single Varanda nas plataformas digitais. Varanda é o single que apresenta Andrea Verdugo em nome próprio, ela que é uma das vozes do projeto Para Sempre Marco de homenagem a Marco Paulo. 

Curiosamente, é um tema que a artista escreveu há já algum tempo “há cinco anos, Varanda nasceu de um silêncio e de uma promessa, e manteve-se em segredo, na tentativa de levar este meu luto em forma de canção ao Festival da Canção. O júri nunca a escolheu, mas a vida encarregou-se de lhe dar um propósito mais nobre”. 

Escrita em parceria com João Serra, Varanda nasceu para homenagear a avó de Andrea Verdugo “… o grande amor da minha vida e a luz que, nunca deixou de brilhar no meu peito”, conta-nos a artista. 

Numa produção despida de artifícios, minimal e intensa de Tomás Cruz, coproduzida, misturada e masterizada pela mão cirúrgica de SuaveYouKnow, a música envolve-nos num ambiente onde cada respiração conta a história de quem se sentiu "um barco perdido a naufragar”, mas escolhe acreditar que haverá sempre uma estrela no céu para nos guiar. 

Até mesmo o vídeo que acompanha o tema Varanda tem um significado, uma história especial para Andrea Verdugo como nos diz “ao desenhar o vídeo que ilustraria esta canção, decidi que não o faria sozinha. Trouxe comigo histórias de pessoas reais que, tal como eu, perderam os seus pilares e os pretendem homenagear através das minhas palavras”.

 

RAPAZ EGO | Braga

17/02/2026

CHRISTINE VALENÇA & CAETANA | Coco do Recado

As artistas brasileiras Christine Valença e Caetana unem forças no lançamento do single “Coco do Recado”, que chegou oficialmente às plataformas digitais no passado dia 6 de fevereiro. A faixa é um coco carnavalesco eletrificado que reverbera o Recife e evidencia o vigor contemporâneo da cultura nordestina. 

Mais do que uma colaboração musical, o trabalho materializa uma ponte afetiva e criativa entre Rio de Janeiro e Recife, construída ao longo de mais de cinco anos de trocas artísticas, vivências e escutas. A conexão entre as artistas nasceu no universo da dança, durante uma residência de Danças Pernambucanas no Rio de Janeiro, quando Caetana compartilhava sua arte antes mesmo de lançar seu primeiro single. 

Da admiração mútua e do desejo de aprofundar autorias próprias, surgiu uma parceria potente, enraizada em histórias pessoais e referências culturais comuns. “Coco do Recado” é fruto dessa ligação: um coco autoral povoado por personagens, memórias e universos complementares. 

A produção musical é assinada por Bruno Danton, da banda El Efecto, e ganha camadas sofisticadas com as participações especiais de Aline Gonçalves — que já tocou com Roberta Sá e Hermeto Pascoal — nos sopros, e de Ná Chuva na percussão. Christine Valença, além de intérprete e coautora, imprime sua assinatura sonora no órgão Hammond. 

A sonoridade percorre um mapa afetivo que vai do coco tradicional de Selma do Coco e Jackson do Pandeiro, passando por repentes e emboladas, dialogando com o Manguebeat e chegando ao soul de influência gospel de Ray Charles. 

A narrativa da música se constrói como uma transmissão de memória: trata-se de um coco/ embolada sem autoria definida, que chegou a Christine por meio de sua avó recifense, bailarina e apaixonada por frevo. “Talvez fosse mesmo de sua avó. Nunca saberemos. Mas agora poderemos nos lembrar”, refletem as artistas, sublinhando o caráter de herança cultural, escuta e permanência que atravessa a obra. 

Essa dimensão simbólica ganha corpo no videoclipe, dirigido pela produtora baiana Espelho Lunar, sob a direção de Clara Campos e Bianca Bomfim. Filmado em película 16mm, o clipe dialoga com o cinema nordestino contemporâneo e evoca atmosferas de suspense e sonho, em referências que remetem a O Agente Secreto. 

O imaginário do Nordeste ancestral e do carnaval de Olinda se materializa em figuras como o Homem da Meia-Noite, Caboclos de Lança, La Ursa e Boizinhos, criando uma paisagem onírica para o “recado” que a canção propõe.

 

AUTORAMAS | Salão Brazil

16/02/2026

MARIA LEÓN | Discurso Direto

Maria León regressa em 2026 com o seu terceiro álbum a solo intitulado Brumas do Luar – Lisboa, Mar e Alma, com uma sonoridade dentro da esfera da World Music (Músicas do Mundo), dando ênfase aos instrumentos acústicos nela inseridos. Um trabalho que surge no seguimento da expressão da sua maturidade artística e procura da autenticidade. Maria León é hoje minha convidada em "Discurso Direto".

Portugal Rebelde - A que se fica a dever a escolha de “Brumas do Luar – Lisboa, Mar e Alma” para título deste novo disco? 

Maria León - Este título nasce muito do meu imaginário noturno, dado que a maior parte das canções foram compostas à noite. As “brumas” representam precisamente essas músicas, que vivem na sombra, num lugar mais interior e contemplativo. Lisboa tem a ver com as minhas origens, ao lugar onde nasci, e também a esse romantismo literário tão próprio da cidade. Independentemente de onde vivamos, o lugar onde nascemos marca-nos profundamente e faz parte da nossa identidade.O mar surge como um elemento central; fascina-me pela sua força enquanto metáfora poética que nos atravessa ao longo dos séculos. É uma presença ligada à contemplação interior e simboliza não só a nossa nacionalidade, mas também a nossa totalidade enquanto portugueses, num movimento permanente entre o sonho, a saudade e o imaginário coletivo que herdámos da nossa história e das descobertas feitas através do mar. A alma, é essa identidade mais profunda a que nos acompanha também ao longo dos séculos, esse sentir puramente português que oscila entre a melancolia, a tristeza e a alegria, emoldurada pela saudade, fé e inquietação, ilustrando também essa insatisfação permanente, como uma esperança lírica quase onírica, sobre quem somos afinal na realidade atual e quem seremos no futuro enquanto nação. Daí que quis trazer todos esses estados emocionais para o disco como pequenas histórias, quase como personagens literárias, onde o amor, em sentido figurado, é sempre o centro da poesia cantada. 

PR - No alinhamento do álbum destacam-se colaborações com Carlos Maria Trindade e Rodrigo Leão. Quer falar-nos um pouco mais dessas participações? 

Maria León - Estas participações não surgem ao acaso. Nasceram de uma vontade muito consciente de trabalhar com artistas e criadores de exceção, pessoas que conheço há muitos anos e com quem partilho afinidades humanas e artísticas. Sempre senti que compreenderiam naturalmente a linguagem estética e emocional que queria dar a este disco. O Carlos Maria Trindade assumiu a responsabilidade da maioria dos arranjos e participou também como autor/compositor de dois temas. Sou grande admiradora do seu percurso, e quis trazer para este trabalho o seu lado mais clássico e contemplativo, um lado autoral menos conhecido, mas que se encaixa perfeitamente neste universo feminino e de “alma portuguesa” que atravessa o disco. Houve uma grande sintonia emocional na forma como estas canções foram trabalhadas. Dai que nesta sequência de cumplicidades de longa data, convidei Rão Kyao, um ícone da nossa portugalidade mais tradicional, para dar um encanto especial também a um dos temas de Carlos Maria Trindade” E tão imóvel me deixo “ trazendo uma dimensão poética e intemporal acrescentando uma respiração ilustrativa muito própria no universo deste tema, assim como a participação especial de Pedro Jóia, dando uma sonoridade clássica e ibérica ao segundo tema autoral de Carlos Maria Trindade, “Ao Deus Dará”. Com o Rodrigo Leão foi, de facto, um sonho realizado. É um artista profundamente conceptual, um condensador de universos estéticos intemporais, sempre com uma portugalidade muito presente, desde a mitológica, clássica e urbana. Inicialmente eu queria interpretar um tema seu, mas acabou por surgir a oportunidade de trabalharmos juntos em coautoria, o que tornou tudo ainda mais especial, onde surgiu o tema “ Miragem” . Trabalhar dentro do seu universo, foi muito livre e inspirador, e os arranjos do Carlos Maria Trindade, criaram sem dúvida, uma belíssima simbiose artística entre estes dois mundos. 

PR - Neste álbum apresenta também temas em parceria com o seu irmão Pedro León. De que nos falam essas canções? 

Maria León - Estes dois temas escritos com o meu irmão Pedro León, canções são um pequeno espaço no disco que eu reservei ao mundo da MPB, chamado Lisboa Bossa, como regressando um pouco às origens, representando os tempos em que eu e o meu irmão vivíamos em Lisboa, em casa dos meus pais e onde ouvíamos muita música diversa, e onde um dos géneros era MPB. O meu irmão sempre teve uma ligação muito especial a esse universo, continuando, ainda hoje, a tocar muitos dos clássicos. Os dois temas falam de um amor frágil de quem se sente num estado mais frágil, quando parece que um ama mais que o outro, amores não correspondidos na mesma medida. São quase pequenos poemas narrativos, como capítulos de um livro que se têm de fechar, onde coexistem saudade, desamor e despedida. 

PR - Este disco é apresentado ao vivo no Coliseu Club, no próximo dia 15 de abril. O que é que o público pode esperar deste concerto? 

Maria León - Neste concerto quero, acima de tudo, reproduzir o espírito do disco: as emoções, os sentimentos e uma ligação direta e próxima com o público. Será um concerto intimista, onde a palavra é cantada como poesia e cada frase tem um peso emocional. Quero que o público sinta que estas histórias também poderiam ser suas, como quando se lê um livro ou se bebe um café no seu espaço privado. É um disco português, para portugueses, pensado num sentir português genuíno, sem grandes artifícios, onde os instrumentos soam de forma orgânica e natural, sem excessos de produção, privilegiando a autenticidade da nossa realidade. A sonoridade assenta na naturalidade da voz e dos instrumentos, tendo o piano clássico e o violoncelo como principais motes estéticos e instrumentais deste trabalho. Acompanham-me em concerto: Emanuel de Andrade ( Piano e direção musical) Carlos Tony Gomes ( Violoncelo) Thomas Zellner ( Guitarra Acústica) Leopoldo Gouveia ( Baixo) Sebastian Scheriff ( Percussões) - Convidados confirmados para este concerto: Carlos Maria Trindade, Pedro Jóia e Pedro León.

FATE OF DESTINY | Onde Estás

Fate of Destiny é um projeto de metal híbrido que mescla poder sonoro bruto com profundidade narrativa emocional e tecnologia de ponta. A banda é formada por a vocalista portuguesa Miriam Dias e o produtor belga Jeroen Decorte, cujo a colaboração une continentes e disciplinas musicais. 

Fate of Destiny explora temas de luta interior, transformação, saudade e o tensão eterna entre escuridão e luz. A música mistura preto melódico metal, grão nu-metal e power metal sinfônico, enriquecido com elementos cinematográficos arranjos e atmosferas assustadoras. Mas é mais do que música – é um experiência artística. 

Ao integrar recursos visuais gerados por IA, coleções NFT e projeção de vídeo ao vivo, Fate of Destiny convida o público a uma jornada totalmente envolvente que transcende gêneros tradicionais. 

Cada faixa é combinada com arte exclusiva cunhada como NFTs – portais simbólicos para o núcleo emocional de cada música. 

Através desta fusão em camadas de som, imagem e história, o projeto visa conectar com os ouvintes em um nível profundo, ao mesmo tempo em que mostra o potencial criativo de novos tecnologias na música.

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