05/03/2008

DE "COIMBRA" PARA O MUNDO

Ao atravessar as águas do Mondego, sobre a ponte de Santa Clara, avista-se uma cidade intemporal, quase tão antiga como a língua portuguesa.
Aquela língua que para todos nós ainda é um dos mais valiosos patrimónios. A língua em que Camões escreveu os Lusíadas.
Chegamos mesmo a pensar se as águas deste rio não são um acumular de lágrimas. De tantos estudantes que por ali passaram e que por ali deixaram ficar as mais ternas felicidades, loucuras e leviandades, tristezas e alegrias, os amores e as paixões, transformados em saudades adivinhadas, do Brasil, das Áfricas, das ilhas, e dos cantos de toda a Lusitânia.
E se as canções urbanas são fruto de uma série de influências musicais, vindas de outras regiões, locais e culturas que convergem num ponto e que acabam por criar uma nova forma de expressão, então é isso, é este o segredo desta canção.
As músicas que os estudantes trouxeram fundiram-se no espírito que esta cidade já trazia e traz consigo, criando assim a magia daquela que mais tarde se viria a transformar na Canção melancólica da “saudade adivinhada”, a “Canção de Coimbra”.
Para além da Guitarra Portuguesa, ou Guitarra de Coimbra, da Guitarra Clássica ou Viola de Fado, da voz melancólica, impressionista e expressiva do cantor ou trovador, surgem novos elementos que contribuem para esta tradição renovada.
Agora também o Contrabaixo, incondicionalmente ligado a este projecto, traz o ritmo, o chão e o calor da aventura de novas composições, novos poemas, novas melodias, novas histórias, que nos falam hoje da vida real, mais presente, sem perder de forma alguma a linguagem que a viu nascer e crescer.
Em alguns dos temas do disco de estreia, existem outros elementos convidados, como o Saxofone e a Percussão.
“Coimbra” não é um projecto de música portuguesa com influências da canção mais tradicional da cidade. Também não é a Canção de Coimbra com novas roupagens, evocando “com-fusões” com outros géneros musicais mais actuais à procura de novo brilho.
A simplicidade é um dos factores mais difíceis de alcançar na música, e também nesta música, como em todas as canções urbanas, por isso mesmo a mais valiosa, aquela que tem de ser sempre defendida, nas palavras, nas melodias, nos arranjos e em toda a encenação envolvida.
“Coimbra” pretende visitar as suas origens, que nos puxam como um íman, e interpretá-las hoje, percorrendo a ponte para o futuro e para o mundo.
João Farinha: Voz
Ricardo Dias: Guitarra Portuguesa
Pedro Lopes: Viola

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