07/02/2011

LINDA MARTINI | Discurso Directo

Com 7 anos de existência, os Linda Martini, editaram em Novembro de 2010 o seu segundo álbum, "Casa Ocupada". O Portugal Rebelde, esteve à conversa com Cláudia Guerreiro, voz e baixista dos Linda Marini, que em Discurso Directo revela o porquê dos Linda Martini serem cada vez mais uma banda de culto.
Portugal Rebelde - Depois de “Olhos de Mongol”, este é um álbum mais denso, intenso, pesado; mas também mais vivo e imediato. Concordas?

Cláudia Guerreiro - Mais vivo e imediato, sem dúvida. Mais denso não, pelo contrário, temos menos uma guitarra e consequentemente menos camadas. Acho que uma das coisas que distingue o "olhos de Mongol" do "casa ocupada" é precisamente a simplicidade das novas músicas, que são, de facto, mais directas e com menos camadas de guitarras que as anteriores. Mais intenso, talvez, visto que tens uma energia constante do princípio ao fim do disco.
PR - Apesar da ruptura assumida pela banda, o hardcore ainda corre nas veias dos Linda Martini? CG - Não houve ruptura nenhuma com o hardcore, apenas se seguiu um caminho diferente e nesse caminho, por vezes, as estradas cruzam-se.
PR - Numa frase apenas - ou duas - como caracterizarias este “Casa Ocupada”?
CG - O "casa ocupada" é um disco bruto de quatro putos, que já não são putos, mas querem continuar a tocar com a vontade do início.
PR - Tens a noção que os Linda Martini, são uma banda de “culto”?

PR - Se por "culto" entendes "algo que não é conhecido das massas, mas que é respeitado e acarinhado pela boa quantidade de gente que conhece", então sim.
PR - A italiana Linda Martini, a quem vocês foram buscar o nome para a banda, tem acompanhado de alguma forma o vosso sucesso?
CG - A Linda Martini nunca gostou muito da nossa música... parece que a achava muito "depressiva"... Apenas o Pedro sabe do paradeiro dela, por isso suponho que ela não saiba do nosso...
PR - A que se ficou a dever a escolha de “Casa Ocupada”, para título deste álbum?
CG - Há pouco perguntaste se o hardcore ainda nos corre nas veias. Este título, de certa forma, é uma resposta a essa pergunta. Nunca fomos do hardcore, ou do grunge, ou do metal, ou qualquer outra corrente, mas a certa altura frequentávamos espaços onde se faziam concertos hardcore, e foi aí que começámos a tocar. "Casa Ocupada" podia ter sido "Ritz". Não interessa tanto o espaço em si, mas o que ele significa, e os concertos da Praça de Espanha na casa ocupada ou os do Ritz (ou de outros sítios que havia no fim dos anos 90) simbolizam para nós o início daquilo que somos hoje enquanto banda. Foi aí que trocámos experiências com outras bandas, foi aí que nos foi apresentado o conceito de "tour" e foi aí que percebemos que se queríamos uma banda bastava que fizéssemos nós as coisas. Se queres fazer uma tour, marcas tu, se queres editar também o podes fazer tu, não precisas de nenhuma editora e se queres t-shirts e bolinhos nos concertos tratas tu disso. Este álbum, pelas músicas que fizemos, aproxima-se mais daquilo que tocávamos na altura, e o nome "casa ocupada" é uma espécie de homenagem a esse modo de fazer as coisas.
PR - Como vai ser o futuro próximo da banda?

CG - Temos uma série de datas marcadas para breve, uma tour à portuguesa :) São cerca de 8 datas divididas por 3 meses, em que temos o privilégio de ter um amigo (Filho da mãe - www.myspace.com/filhodamae ) a abrir para nós. Já demos o primeiro em Guimarães, o próximo será em Évora, SHE dia 11 de Março, e a partir daí serão:
18 de Março - Café Teatro, Viana do Castelo
19 Março - Kastrus, Esposende
26 Março - Vale de Pandora, Vale de Cambra
8 Abril - CAE, Portalegre
9 Abril - Teatro Pax Julia, Beja
Entre concertos pretendemos começar a fazer músicas novas, mas nunca se sabe quando é, que isso começa...

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