05/02/2014

DESERTO BRANCO | "As Regras do Jogo"


"Se o roque éne role é um conjunto “écletico de estilos e sons”, como diz Simon Frith, então cabe aos seus intérpretes esticar a corda até onde puderem. Ou então, para os mais recatados, amantes da simplicidade e do que é directo, a capacidade de utilizar essas regras, essa liberdade do estilo, de forma desarmante, e apresentarem canções quadradas mas divertidas, curtas e mexidas, com toda a animação que uma casa pode pedir. By the book, claro, mas bem feito, como manda a tradição.

O Deserto Branco é uma banda constituída por Martinho Lucas Pires, Raúl e Mário Avelar e Nuno Pontes. A carreira até vai longa (para lá de cinco anos), as canções também, mas as aparições não. É nessa raridade que surgem e desaparecem, em salas lisboetas, acompanhando bandas com estatuto e classe do nível de Smix Smox Smux, Os Velhos, Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Lucas Bora Bora, entre outros. 

Mal entram em palco disparam por amplificadores o seu roque éne role de três acordes, narrativa com humor, em melodia acertada e distorção suficiente para que os refrões, sem que ninguém se aperceba, comecem a soar nas bocas de quem os ouve. 

Seguem a filosofia directa-ao-assunto dos Velvet Underground, o lirismo cómico q.b. dos Pavement, e o ritmo docemente sentido de bandas americanas como os Yo La Tengo. Os ritmos de Odivelas em choque com S. Domingos de Benfica, sobre uma neurótica e animada estória imaginada pela Baixa lisboeta: um ecletismo difícil de bater.

Apresentam-se em 2014 com um disco que, a bom rigor, devia ter saído em 2013: As Regras do Jogo. Produzido pela dupla imbatível Filipe da Graça e Cão da Morte, As Regras do Jogo é um belo cardápio de doze canções em estado de graça, com piscares de olho a uma vivência lisboeta, e anca suficiente para fazer a festa. Poucas notas, bons refrões, versos directos, ritmo puxado, festa-sem-parar. 

O roque éne role animado, semi-trapalhão, aberto, impossível de parar, pronto para no próximo dia 15 de Fevereiro de 2014 (Sábado), ir mexer com as noites do Cais do Sodré, na grande sala que é o Sabotage Club.

A primeira parte da noite estará a cargo duma muito bem-vinda estreia no panorama musical nacional. Tomás Wallenstein, Salvador Seabra e Manuel Palha, membros dos mui-talentosos Capitão Fausto, apresentam o seu projecto paralelo: Modernos. Voz, guitarra, bateria e graves, numa explosão de swag roque éne roleiro, sujo e rasgado, com influências de outros grupos indi-roque americanos século-vinte-e-um como Thee Oh Sees, Ty Segall ou Parquet Courts. Roque éne role de garagem, daquele cool e potente, que nenhuma pós-modernidade armada aos cucos consegue apagar." (Pedro Limão)

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