21/04/2014

MIGUEL ARAÚJO | "Crónicas da Cidade Grande"


Chegou hoje às lojas o segundo disco a solo de Miguel Araújo, "Crónicas da Cidade Grande". Quando Miguel Araújo diz que “há um fio que liga as coisas todas umas às outras”, não é uma piada ao anúncio da televisão que fala da “linha que separa”. 

Está a constatar um facto que qualquer músico e compositor percebe muito rapidamente: para citar um outro grande cantautor português, “isto anda tudo ligado”. Não podemos puxar o fio do punho da camisola sem correr o risco de dar cabo da manga toda.

Isto serve para explicar que “Crónicas da Cidade Grande”, o segundo álbum em nome próprio de Miguel Araújo depois do êxito de “Cinco Dias e Meio”, faz parte desse fio que liga as coisas. 

O novo disco está intimamente ligado a tudo o que o cantor e compositor portuense fez antes – dos Azeitonas ao Disco de Ouro de “Cinco Dias e Meio”, puxado pelo êxito esmagador de “Os Maridos das Outras”. Mas é também “outra coisa”, um passo em frente, feito com um outro espírito e de outra forma.

Onde “Cinco Dias e Meio” era um disco inteiramente criado a solo, em regime espontâneo quase caseiro, “Crónicas da Cidade Grande” foi registado com outro cuidado, com uma banda por trás, até uma secção de cordas e um naipe de sopros, e convidados especiais a virem ajudar à festa. 

Já conhecíamos a (desconhecida) Inês Viterbo, a voz feminina do primeiro single “Balada Astral”, revelado em Fevereiro. Já sabíamos da cumplicidade com António Zambujo, cristalizada na célebre versão de “Anda Comigo Ver os Aviões” ou em gravações do fadista como “O Pica do Sete” ou “Readers Digest”. 

No novo disco, António canta em “Romaria das Festas de Santa Eufémia”, da qual é também co-autor. Mas a grande surpresa para muitos será a presença de um dos novos cantautores de referência da música brasileira, Marcelo Camelo, em “Valsa Redonda”.

O passo em frente e as novidades, contudo, não desfazem as ligações de “Crónicas da Cidade Grande” ao que Miguel Araújo fez antes. Como o próprio diz sobre as canções deste disco, são “insignificantes como todas as outras”. 

Porque “tudo é insignificante, na mesma medida em que tudo é importantíssimo”. Ou, por outras palavras, as 13 novas canções são tão insignificantes ou tão importantes como todas as outras que Miguel já escreveu e/ou gravou.

Alguns virão aqui à procura de uma nova “Maridos das Outras”. Os outros (que gostamos de pensar que são a maioria) vêm apenas descobrir as novas canções do Miguel Araújo e confirmar porque é que ele é uma das grandes revelações da canção portuguesa (assim mesmo, sem problemas) nos últimos anos. 

“Desligadas umas das outras, mas ao mesmo tempo agarradas entre si numa intrincada teia.” Que, ouvidas todas juntas, até podem contar uma história de gente como cada um de nós, mas que, ouvidas separadas, contam todas elas pequenas histórias que todos já vivemos ou a que assistimos.

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