“Em terra de cegos, quem tem olho é rei” - o provérbio popular que dá nome e corpo a este single dos mutu representa sucintamente a mensagem deste tema: numa sociedade cada vez mais seccionada por classes, o “peixe graúdo come o miúdo”. O sonho da conquista da liberdade pelo dinheiro leva o “peixe miúdo” pela corrente dos contratos laborais cada vez mais exigentes, tanto a nível de carga horária como mental e/ou física.
"Apresentamos, hoje, um nível de desgaste pós-laboral sem precedentes, que nos deixa inertes perante todas as outras dimensões da nossa existência: negligenciamos a família, amigos, passatempos e sonhos pela eterna busca do conforto financeiro, que tende a tardar ou a nunca chegar.
Encurralados nas leis do capital, procuramos um pouco de conforto nos nossos mundos virtuais, nos dispositivos, nas compras, nas coisas vazias que nunca nos chegam a preencher."
O personagem do videoclipe “Terra de Cegos” encontra-se neste estado de instrumento laboral, na sua caixa com as suas coisas, a sua boa aparência e o seu auto encarceramento sufocante.
Os mutu convidam assim os ouvintes a questionar as suas rotinas, os seus hábitos, o seu atual desgaste e o real valor deste comportamento social muitas vezes impulsionado pelo efeito de manada e pela comparação.
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário