João Priolli acaba de disponibilizar o que vem a ser o seu primeiro EP. UM TUDO-NADA reúne seis canções que tem como principal representante a música que abre o disco, “Longe” – a mesma editada há uma semana. “Essa música sintetiza a estética sonora do álbum ao misturar a guitarra acústica brasileira com o lo-fi. Além disso, a letra trata sobre o processo de imigração e de mudança em geral, algo muito presente em toda a temática lírica do EP”, comenta o artista brasileiro que vive há quatro anos em Lisboa.
Junto com o EP, João lança também o videoclipe de “Longe”.
As demais canções são uma espécie de complemento à narrativa do álbum, que tem como fio condutor o processo de mudanças entre Brasil e Portugal. Compostas entre 2021 e 2024, as faixas são um experimento de criação. “UM TUDO-NADA é uma expressão da língua portuguesa que significa algo sem importância, podendo ser usada também como um projeto que não sai do papel.
Ao mesmo tempo que de forma literal carrega um paradoxo. Portanto, o fato do EP sair do papel e existir, já pressupõe que ele de fato importa, para mim pelo menos. E isso já é suficiente para justificar a existência dele. Numa época guiada por algoritmos que 'determinam' tendências e achatam ‘personalidades’, acredito que materializar uma pessoalidade seja algo de muita importância. Então, os assuntos das canções variam entre situações existenciais e rotineiras.”
Com gravações entre Lisboa e Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo onde João mantém suas raízes, o processo teve momentos em estúdio, mas também em casa, o que trouxe o tom mais intimista do disco. “A partir dessa ideia de gravação lo-fi, gosto muito da gravação ter sido híbrida. Parte em casa e parte em estúdio. Possibilitou liberdade para experimentar e também concentração e imersão no ambiente de estúdio”.
O EP foi produzido por João e traz como principais influências Boogarins, John Frusciante, Sebastião Tapajós, Pedro dos Santos e Rodrigo Amarante. “Também sinto-me influenciado pelas amizades próximas e pessoas que estão a editar trabalhos, como Ariane Santos, Jacque Falcheti, July Tillie, Nay e Carolina Zingler”, complementa.
“A produção teve muito experimento, com testes de edições e processamentos, assim construímos as músicas. Nem tudo permaneceu da maneira como foi gravado, algumas músicas mudaram bastante, do que foi captado até a versão final. Gostei muito de ter essa liberdade para testar e criar alguma estética a partir das milhares de influências que passam pela cabeça de forma inconsciente e consciente”, comenta João sobre a produção do EP.
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