Bárbara Bandeira abre um novo capítulo artístico mergulhando na portugalidade. “Marcha” mostra-nos o que esperar de Lusa: ato II: honrar o passado sem ficar refém do mesmo. É uma despedida que não pede permissão, nasce da tradição portuguesa e transforma-se num gesto de afirmação contemporânea.
Inspirado na Procissão ao Mar, em Viana do Castelo, o tema transforma um imaginário profundamente português num pop contemporâneo, com uma narrativa de transformação onde a tradição não é nostalgia, mas sim uma libertação.
A canção revisita rituais de luto e superstição com metáforas de um enterro simbólico do que já não nos pertence. “Vestir de preto, deixar uma rosa”, “Bato na madeira, gestos simples… que ganham agora um novo significado
O refrão ecoa como um canto ancestral enquanto a produção recusa o silêncio e engrandece a temática, transformando todo o “peso” em libertação, afastando qualquer ideia de lamento.
”Marcha” não é um lamento, é um rito de passagem: íntimo, coletivo e inevitável. Mais do que uma canção sobre perda, é sobre escolha. É o retrato de uma artista que assume a própria saudade e segue em frente com determinação.

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