Os Bandua lançam hoje “Barquinho”, novo single de antecipação de BANDUA II, o segundo álbum da dupla formada por Bernardo D’Addario e Edgar Valente, com edição prevista para outubro de 2026.
O lançamento sucede a “Flor do Rosário”, primeiro avanço do novo álbum (a ser editado pela editora germânica/sueca Ajabu! Records) divulgado em maio, e a ReVariação de “O Corpo É Que Paga”, de António Variações, editada a 13 de junho pela editora Postas de Pescada.
Conhecidos pelo cruzamento entre música eletrónica e o cancioneiro popular, os Bandua apresentam em “Barquinho” uma canção construída a partir de uma imagem simples: uma pequena embarcação que se recusa a navegar sozinha.
A partir desta ideia, o tema desenvolve uma reflexão sobre comunidade, pertença, encontro e transformação, eixos centrais do novo álbum.
Inspirado pelo imaginário marítimo português, o single recupera uma das imagens mais presentes na memória coletiva para lhe atribuir um novo significado.
O barco afasta-se das narrativas de conquista ou de viagem solitária e afirma-se como espaço de abrigo, partilha e encontro. Um lugar onde coexistem diferentes vozes, histórias e formas de estar no mundo.
É a partir do verso “Eu queria que o meu barquinho não navegasse sozinho / queria eu que fosse ninho para mais que um passarinho” que a canção estrutura a sua narrativa, transformando o barco em ninho e a viagem numa travessia coletiva.
Musicalmente, “Barquinho” assinala uma nova etapa na evolução do projeto. Mantendo a ligação às tradições musicais portuguesas que marcaram a identidade dos Bandua desde a sua origem, a dupla expande agora o seu território sonoro para uma linguagem mais aberta, plural, luminosa e dançável.
O tema funciona também como chave de leitura para BANDUA II, disco que propõe uma reflexão sobre Portugal enquanto território em permanente construção e desconstrução, atravessado por encontros, circulação de influências e transformações contínuas. O barco surge, neste contexto, como metáfora de uma condição permanente de viagem, mas também de escuta e incontornável troca entre pessoas, territórios e tempos distintos.
Se no álbum de estreia os Bandua centravam a sua exploração musical na Beira Baixa, cruzando o património sonoro do interior do país com a eletrónica de matriz downtempo, em BANDUA II alargam esse horizonte. O novo disco parte desse território para o colocar em diálogo com outras geografias, influências e paisagens sonoras, propondo uma leitura mais ampla da identidade portuguesa enquanto espaço de encontro, circulação e transformação.
Esta mudança de rumo encontra eco em "Barquinho", uma canção que faz da viagem uma metáfora para o encontro e a construção coletiva. O videoclipe, filmado em Berlim nas margens do rio Spree, reforça essa ideia de travessia e de abertura ao exterior.
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