“Areia Vermelha”, o novo single de Meno Del Picchia, traz Lisboa como metáfora
para toda sorte de encontros e é ponto alto de sua parceria com Batata Boy.
Quando Meno Del Picchia cantou “Areia Vermelha” pela primeira vez, em numa versão
ao vivo, só voz e violão, o público começou a entoar os versos, baixinho, de forma
espontânea.
Era a primeira vez que o músico se apresentava na Bota, uma das principais
casas de concertos em Lisboa, e essa vivência acabou inscrita na faixa oficial, já que, logo na
abertura, o que se ouve é o coro da plateia lisboeta.
A decisão de incluir o momento não poderia fazer mais sentido, uma vez que a canção
respira a intensidade do ano que Meno viveu em Portugal.
Assim, mais do que recurso
estético, o gesto é a afirmação do caráter coletivo da obra: uma demonstração de que a
música, antes de chegar ao estúdio, nasce do encontro vivo entre o artista e a capital
portuguesa.
"Lisboa foi a cidade onde tive a chance de recomeçar a minha vida do zero, fazendo novos
amigos e conexões", explica Meno.
“Também foi fascinante estar em num lugar que é, ao
mesmo tempo, tranquilo e cosmopolitano, e onde o mar deixou de ser uma paixão distante
para se tornar uma convivência diária."
“Areia Vermelha", desse modo, é um trabalho que se desenvolve entre a continuidade e
a rutura.
Ao mesmo tempo que reforça uma parceria longa com o alagoano Batata Boy,
que produziu os últimos lançamentos de Meno – entre eles, o disco Maré Cheia (2024) –
, a canção surge atravessada por referências lusitanas de um período de tempo marcado
por encontros e despedidas.
A letra, por exemplo, faz menção ao intenso intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal
ao citar o grupo de samba Gira Coletiva, fundado por mulheres imigrantes com a ideia de
promover a cultura afro-brasileira em Lisboa.
O refrão, por sua vez, enfatiza a entrega
plena e consciente da própria finitude, remetendo a uma experiência que teria duração de
apenas um ano: “Faz o que quiser de mim / eu vou contigo até o fim”.

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