Chamas é o terceiro álbum de estúdio do LAN trio, um dos grupos mais emblemáticos do jazz europeu contemporâneo, em que três vozes singulares, o pianista Mário Laginha, o saxofonista Julian Argüelles e o percussionista Helge Andreas Norbakken, se fundem num som comum. Atestando tanto a consistência como a capacidade de reinvenção do projeto, a música de “Chamas” mescla três processos criativos distintos - a composição, a improvisação e a pós-produção - de um modo que desafia as expectativas comuns.
Aos temas característicos de Laginha e Argüelles, juntam-se agora uma série de improvisações coletivas, algumas das quais muitos julgariam predeterminadas, tal a sua coerência formal. Trata-se, aliás, do primeiro álbum maioritariamente improvisado na discografia destes dois compositores de exceção, podendo mesmo ser encarado como uma espécie de manifesto.
Longe das coordenadas da chamada livre improvisação, os resultados são particularmente frescos, sugerindo uma via promissora para a renovação deste tipo de práticas: uma abordagem que não descarta a melodia, a harmonia ou o groove.

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