O Estoril Folk Fest regressa no próximo dia 28 de novembro de 2026 para a sua terceira edição, consolidando-se como um dos palcos fundamentais na valorização e divulgação da música de raiz tradicional em Portugal. Dedicado este ano às Polifonias, o festival foca a sua atenção numa das expressões mais ancestrais do património cultural nacional, precisamente num momento em que decorre a candidatura do Canto Polifónico Feminino a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Todo o destaque concedido a esta forma secular de cantar em grupo pretende ser um atestado de credibilidade e rigor em torno de uma prática que define a identidade de várias regiões do país.
Mantendo a tradição de convidar um território de forte herança etnomusical, o evento elegeu Arouca como a região convidada de 2026.
A programação arranca com uma exposição sobre o Convento de Arouca e a Rainha Santa Mafalda, figura central na construção histórica daquela região, seguida do colóquio de abertura intitulado "Arouca a botar Cantas", focado no estudo e celebração do canto polifónico local.
No plano musical, o prestigiado palco do Salão Preto e Prata acolherá momentos únicos representativos de várias geografias. A tradição viva de Arouca estará simbolizada nas 40 vozes femininas do coro polifónico Vozes da Terra. Por sua vez, o património sonoro do Sul será evocado num concerto exclusivo criado especificamente para esta edição: o coletivo Moçoilas — que desde 1994 resgata as canções e memórias escondidas da Serra do Caldeirão pelas vozes de Margarida Guerreiro, Inês Rosa e Teresa da Silva — junta-se à cantora Ana Laíns, figura maior na difusão da Portugalidade através da recriação do cancioneiro tradicional e do fado.
O grande cabeça de cartaz do Estoril Folk Fest 2026 será Vitorino, nome incontornável, que sobe ao palco ao lado dos Cantadores do Redondo no espetáculo "Moda Impura". Este concerto integra-se nas comemorações dos 50 anos sobre o lançamento do seu álbum de estreia, "Semear Salsa ao Reguinho", editado originalmente em 1975 e recentemente reeditado com convidados como Ana Bacalhau, Buba Espinho, Cuca Roseta e Rui Veloso.
Pela sua inquestionável importância, Vitorino será o galardoado da IIIª edição do Prémio Armando Carvalheda, criado em 2024 com a intenção de homenagear e salientar o mérito de figuras fundamentais na história da Música Tradicional Portuguesa. O festival encerra assim com uma verdadeira exaltação da música popular e da memória coletiva portuguesa, reunindo gerações em torno da voz e da tradição.
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