Foto: Ana Mendes
O lançamento antecede uma digressão pelo Brasil, entre Novembro e Dezembro, com apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
O Atlântico não podia, por isso, ser um cenário mais oportuno. Durante séculos, as suas águas foram atravessadas por milhões de pessoas, umas arrancadas às suas terras, outras à procura de uma vida diferente.
É dessa história de partidas, perdas e recomeços que nasce “Transatlântica”, uma composição instrumental que encontra na música uma forma de abordar a memória das travessias e aquilo que permanece depois delas.
O novo tema assenta nessa tensão entre a violência da deslocação e a persistência de quem continua a procurar a outra margem. Sem recorrer às palavras, Gisela Mabel confia ao piano a tarefa de conduzir uma narrativa feita de movimento, emoção e contrastes, na qual os restantes instrumentos acrescentam diferentes perspectivas sonoras.
Ao piano de Gisela Mabel juntam-se João Barradas (acordeão), Bruna Maia de Moura (violoncelo) e Mic Trovoada (percussão e vozes).
A composição alterna momentos de maior intimidade com outros em que a intensidade rítmica ganha terreno, deixando que o jazz, a formação clássica e as matrizes africanas e brasileiras se cruzem sem a obrigação de caber num único género. Uma liberdade de linguagem que já atravessava Álbum de Retratos (2024), o primeiro EP da artista, e que agora ganha uma nova expressão.

Sem comentários:
Enviar um comentário