Numa altura em que os Terrakota se preparam para lançar no mercado o seu 3º álbum de originais "Oba Train", edição agendada para 28 de Maio, o Portugal Rebelde esteve à conversa com Davide para ficar a conhecer melhor este trabalho.
Portugal Rebelde - Como definem o vosso último trabalho "Oba Train"?
Davide - Oba Train traz consigo na bagagem um acumular de sensações, impulsos e experiências absorvidas durante o já longo percurso traçado por Terrakota, não é só o nosso comboio da vida mas também o comboio das nossas vivências, em que tudo se mistura, sendo por isso mesmo, um local de encontro onde nunca sabemos o que vamos ver, nem com quem nos vamos misturar.... Onde nos leva então este Oba Train ?? Passando um pouco pela consciência social e politica, revelando verdades num mundo cheio de diferenças boas e más, atravessando desertos por trilhos dificeis e tentando mostrar a alma das pessoas, leva-nos finalmente ao que nos faz criar coisas novas, ao que nos inspira e renova.... a mestiçagem universal !!!
P.R. -Neste disco "viajam" por dois continentes - África/América, mas com muitas sonoridades à mistura. Falem-nos um pouco dessas escolhas musicais?
D - África é sem duvida um porto de passagem na nossa "viagem", não está só presente nos instrumentos que utilizamos, a influência africana faz parte da nossa génese bem como do nosso percurso.... e por consequência, o som da América Latina acaba por estar também presente. É desta forma aberta que queremos demostrar a força da mestiçagem musical. O tema "Cuchára Del Poder" tem a ginga da Kizomba cantada em françês, passa pelo groove do Hip-Hop e acaba na Salsa da America Latina, conseguiu-se fazer tudo isso num só tema ! Depois, as escolhas musicais são por vezes feitas de acordo com as experiências vividas também por nós. O tema "Sunugal" com treixos cantados em "Wolof" (senegal) retrata um pouco o "Mbalax" senegalês trazido não só pela influência clara desta musica em nos mas tambem pelos instrumentos (Sabares) que chegaram aos Terrakota através de viagens que os Terrakota vão fazendo para introduzir ainda mais ingredientes e energia na sua música !!
P.R. - "Oba Train" é o casamento perfeito de sons e saberes da Terra Mãe?
D - A música é muitas vezes acompanhada pela sabedoria e experiência do homem e quando se é influênciado pela musica deste mundo ou dos mundos que o integram, essa sabedoria torna-se essencial ! Apesar de, Oba Train não ser um disco de musica propriamente tradicional, a influência do saber que acompanha toda a musica tradicional também está presente, não só em Oba Train como em todo o trabalho dos Terrakota e essa influência vem também do contacto directo com as culturas de origem...
P.R. - O comboio dos Terrakota está preparado para levar "Oba Train", a viajar pelo mundo?
D - Apesar de Oba Train ser um disco quase inteiramente auto-produzido, acabando por absorver bastante energia e tempo da familia Terrakota os músicos, dividindo o tempo entre ensaios/produção/trabalho gráfico, etc.. vão conseguindo pôr esse comboio a funcionar ! Mesmo antes do arranque oficial do Oba Train no Porto (Casa da Música) e Lisboa (Aula Magna) a rede de carris já está montada por esse mundo fora, agora é a todo o vapor !!!
P.R. - Que mensagem pretendem deixar às pessoas que ouvem o vosso disco?
D - A mensagem de Oba Train é claramente a "mestiçagem" não só através da música, mas também através da cultura, da arte, das ideias e dos povos.... sentimos que ainda hoje existem obstáculos ao encontro entre as diversas facetas do ser humano, são obstáculos físicos nas fronteiras politicas e territoriais são obstáculos culturais no preconceito, xenofobia, confronto de etnias, etc.. e Oba Train pretende através do poder da música mostrar que o contacto saudável e mútuo com outras culturas ou diferentes modos de criação artística só nos fazem evoluir para universos que até ali nos eram desconhecidos...
P.R. - Os Terrakota são um grupo ímpar no panorama nacional. Como se sentem nessa condição?
D - Quando começamos mais ou menos em 1999, sentiamos que estávamos a começar a fazer algo de diferente que nos daria uma condição ímpar no chamado panorama musical português, tinhamos um grupo de músicos de diversas origens com influências muito distintas e isso foi algo que criou muito espontaneamente um som próprio nos Terrakota. Hoje, passados mais ou menos 7 anos, apesar dessa condição nos aparecer em forma de pergunta, tal como aqui ou mesmo de termos feito dois albuns em portugal com muitos concertos aqui e no estrangeiro ainda nos falta um pouco sentir, que nesse panorama, temos de facto essa condição. Existem outros grupos em Portugal a explorar mais ou menos o universo musical que nos também exploramos e sentimos que também eles são grupos ímpares no panorama nacional apesar de todo o trabalho e esforço...
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