Viviane editou recentemente o seu 2º álbum, o sucessor de "Amores Imperfeitos". O Portugal Rebelde esteve à conversa com a ex-vocalista dos Entre Aspas, para ficar a conhecer melhor este disco, que será aprsentado ao vivo no próximo sábado (26) no Cine Teatro António Pinheiro em Tavira.
Portugal Rebelde - "Viviane" é a sequência lógica de "Amores imperfeitos", editado em 2005?
Viviane - O álbum Amores imperfeitos apontava para alguns caminhos diferentes embora alguns dos temas como “Alma danada”, “Coração despido”, “Amores Imperfeitos” já espelhassem o universo musical que agora constitui este novo álbum. Talvez o single escolhido desse Cd “A vida não chega” não retratasse muito esse universo. De qualquer forma serviu-me para perceber qual era o caminho que queria continuar a explorar e que é bem retratado. Neste álbum, o single “O meu coração abandonado” retrata bem a sonoridade do CD.
P.R. - O Fado continua neste disco a ser uma referência importante que se mistura com outras sonoridades, o Tango e a Valsa. Fale-nos um pouco dessas escolhas.
Viviane - O Fado está muito presente neste disco a través da minha interpretação das músicas e também da guitarra portuguesa que a par com o acordeão constituem os instrumentos que conferem a sonoridade ao meu trabalho. O Tango é interessante e embora esteja geograficamente distante do Fado tem muitas características semelhantes, pois ambos retratam a vida, a profundeza da alma, os amores e desamores, tudo com muita intensidade, sentimento e algum dramatismo e toda essa carga emociona mexe muito comigo. Para alem disso o Tango tem um lado irreverente e sensual que complementa o Fado.
P.R. - Que influências musicais vai "beber" à música francesa?
Viviane - Nasci e vivi em França durante 13 anos e embora não tivesse sido em Paris nem no início do século XX, guardei sempre um pouco no meu imaginário essa sonoridade do acordeão da “musette”, da Edith Piaf e outros conhecidos, do lado boémio desse estilo popular, da imagem das vielas e das margens do rio Sena de Paris. É uma visão um bocado romântica acho eu, que acaba por influenciar o meu universo musical. Por outro lado continuo a estar atenta a outros projectos e artistas franceses actuais de que gosto muito como por exemplo “Les elles”, Dominique A, Yann Thiersen, Jane Birkin etc...gosto das abordagens musicais e das letras das sua canções.
P.R. - "Viviane" é um disco com canções de Amores e desamores. Este disco apela a todos que o ouvem que não desistam de procurar a Felicidade?
Viviane - Sim parece-me que as pessoas hoje em dia andam um pouco distraídas da essência da vida ou seja procuram a felicidade no dinheiro e nas coisas materiais e ficam muito deprimidas se não puderem adquirir tudo o que querem e com certeza não precisam de tudo o que compram, isso provoca lhes uma felicidade efémera. Há que dar mais tempo e atenção ás pessoas de quem nós gostamos e também tirar prazer das coisas mais simples da vida, valorizarmos mais aquilo que nos rodeia, que está perto de nós e que muitas vezes ignoramos. Temos que olhar mais para o futuro com esperança e dramatizar tanto os pequenos problemas do quotidiano. Isso está presente nas letras que eu escolhi para o álbum como por exemplo no poema da Rosa Alice Branco “Serenata á chuva” em que o refrão diz “talvez o amor seja tudo amar, sem excepção...”.
P.R. - Entre o Pop-Rock e o formato acústico, onde sente mais realizada?
Viviane - Actualmente o formato acústico dá-me um prazer diferente, pois permite-me levar o espectáculo aos teatros e aos auditórios onde me sinto mais confortável em termos acústicos e sonoros. Por outro lado confere um lado mais intimista ao espectáculo e aproxima-me mais do público, isso para mim tem muita importância pois quando estou em cima do palco, partilho a minha música com o ele e quando a energia passa, acontecem momentos verdadeiramente mágicos e inesquecíveis e isso é a verdadeira essência do espectáculo.
P.R. - A Viviane sente saudades dos Entre Aspas?
Viviane - Não sou uma pessoa muito saudosista, acho que tudo tem um principio e um fim e que a vida é feita de ciclos que começam e acabam para dar lugar a outros que se seguem. Assim sendo é importante termos a consciência disso e não querer insistir numa coisa que foi boa e que podemos acabar por estragar. Guardo óptimas recordações dos “Entre Aspas”, preencheram muitos anos da minha vida e foram sem dúvida uma grande escola, que me deu as bases para poder iniciar outros projectos como esta carreira a solo.
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