"Estamos Juntos" assim se chama o 2º álbum do colectivo Mundo Complexo. O Portugal Rebelde esteve à conversa com DJ Kiwan, que nos falou do Hip Hop português e em particular deste novíssimo trabalho "Estamos Juntos".
Portugal Rebelde - Conta-nos como é que nasceu o projecto "Mundo Complexo"?
DJ Kwan - O projecto Mundo Complexo nasceu com o Ridículo (nosso produtor e mc) em 1998/1999, ainda como um conceito de Grafitti, uma vez que o Ridículo, também conhecido como Youth (nome de writer), foi um dos pioneiros do Graf em Portugal e nessa altura pintava sobre a temática WC (the world is complex). Foi assim que surgiu o conceito que viria a dar origem ao projecto musical, inicialmente com ele, Tony e com o Dj 30 Paus, e mais tarde o 30 Paus sairia e entrei eu (Kwan) e o Tranquilo em 1999/2000. A formação definitiva, e actual também, com nós os 4 nasceu essencialmente de uma amizade que fomos estabelecendo entre nós e uma grande vontade de fazer música.
P.R. - "Estamos Juntos", chega 4 anos depois do vosso disco de estreia. Porquê tanto tempo de espera?
DJ K. - O tempo de espera foi o que achámos necessário para construir boas canções, amadurecer o nosso som e também desenvolver alguns projectos pessoais. Em termos de concertos não estivemos nunca parados e mesmo em termos de discos participámos em várias colectâneas como as várias edições Nação Hip-Hop ou “Revistados 25-06”, a colectânea de tributo aos GNR. O nosso produtor, o Ridículo, entretanto também se mudou para o Porto e também passámos por um período de habituação a novas formas de trabalhar, nomeadamente trabalhar à distância, sem o ter sempre por perto. Tudo isto traduziu-se neste período que agora culmina com o novo disco. Sempre achámos que estas coisas não se apressam, devem acontecer naturalmente e a um ritmo confortável para todos, e os resultados dão-nos alguma razão.
P.R. - Este é o trabalho que "sonharam" para o vosso regresso aos discos?
DJ K. - Sinceramente tenho que dizer que sim…Não sei se a palavra “sonho” é a mais indicada, mas posso dizer seguramente que as expectativas altas que tínhamos para o disco foram superadas. Acho que qualquer artista quer melhorar sempre de disco para disco e acho que conseguimos cumprir esse objectivo. A nossa sonoridade está mais madura, as canções mais sólidas, nota-se evolução de skill e nota-se que somos nós por isso estamos mesmo contentes com este disco. Para além da parte musical também conseguimos ter uma capa bastante original, tal como o vídeo que está quase a rebentar. È sempre bom quando tu consegues materializar as ideias e os conceitos gráficos que constróis na cabeça, e neste caso tivemos a ajuda da Matarroa e do Chemega em relação à capa e aos desenhos que o Rídiculo já tinha, e em relação ao vídeo os nosso amigos da Drois também fis«zeram um óptimo trabalho.
P.R. - " Estamos Juntos" está recheado de muitos convidados. Fala-nos um pouco dessa participação.
DJ K. - Essencialmente gostamos de trabalhar com amigos ou pessoas com quem conseguimos estabelecer relações mais próximas através da música, ainda para mais quando essas pessoas têm talento para dar e vender! No primeiro disco já o tínhamos feito com o D-Mars, Sagaz e Dourado e desta vez convidámos outros amigos. E bom trabalhar com pessoas e artistas diferentes e ver o que surge daí…Neste caso escolhemos amigos que achámos que iam encaixar bem nas canções que já estavam estruturadas. O Sam the Kid participa como produtor, com dois instrumentais dele e também num diálogo comigo no Castelo dos 1000 feitiços…eheheheh. Gostei muito do resultado final. Temos também o NBC que participa num tema mais reggae, o Melo D num tema mais Hip-Hop Soul, a Ana Magalhães que é sobrinha do Ridículo, A Rita Sardinha que já havia participado no disco a solo do Tranquilo e também o SP. Os convidados são uma mistura de experiência e juventude, talentos já confirmados e novos talentos, e as participações deles todos foram essenciais para o resultado final, sem dúvida.
P.R. - Como sentes o "Hip Hop português"?
DJ K. - Essa pergunta é sempre difícil porque a maneira como eu sinto o Hip-Hop português será naturalmente diferente de outras pessoas, mas essencialmente acho que está a chegar a públicos mais diversificados. Começa a haver mais exposição e mais divulgação por parte dos meios de comunicação social, participação de artistas de Hip-Hop português em eventos grandes como sejam os festivais e isso por si só é já sinal de que alguma coisa está a mudar. Sem dúvida que há muito mais atenção do público em geral em relação aos projectos de Hip-Hop nacional, especialmente se falarmos das gerações mais novas e espero que assim continue porque só assim podemos evoluir.
P.R. - Continuam a pensar que o Mundo é Complexo, mas não é irresolúvel?
DJ K. - Sem dúvida e se escutarem o disco com atenção vão perceber que essa é a nossa maneira de estar na vida e também na música. Apesar de vivermos numa sociedade em que muita coisa não está como deveria, achamos que temos sempre que ter uma atitude positiva em relação às coisas e acima de tudo não podemos esquecer que temos um papel a cumprir para fazer do mundo um sitio melhor. As pessoas criticam a “sociedade” como se fosse algo abstracto e às vezes esquecem-se que a “sociedade” somos nós todos, os seres humanos, e portanto só nós podemos alterar o estado das coisas.
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