Claud editou em 2006 o seu primeiro trabalho "CONtradições". Este primeiro registo assenta nas raizes da música tradicional portuguesa. O Portugal Rebelde esteve recentemente à conversa com Claud para conhecer melhor um disco COM Tradições portuguesas.
Portugal Rebelde - Como é que nasceu a idéia de fazer este disco?
Claud - Este disco nasce da vontade de começar a cantar as minhas coisas, as minhas escolhas, depois de tanto tempo a cantar só os "outros". Achei que tinha chegado a altura de começar o meu próprio trabalho, e assim segui em frente...
P.R. - Diz que "CONtradições" é mais que um disco, é um passaporte para cantar e uma alegria para quem o ouve. Quer explicar melhor estas "idéias"?
Claud - Quando digo que "CONtradições" é mais que um disco, quero dizer que ele não nasce só da vontade de ter um disco gravado e sim a possibilidade que ele traz de ser tocado ao vivo, com tudo de bom que isso tem e que ao mesmo tempo traga alegrias a quem o ouve. Um disco para mim é um passaporte para a realização de várias coisas, desde todo o processo de criação, gravação, até ao espectáculo.
P.R. - A que se ficou a dever a escolha dos autores que compõem este disco?
Claud - Num primeiro disco como é o caso, acabou por ser uma escolha de autores, compositores com quem me identifico, quer ao nível musical, quer ao nível da mensagem e que considerei importante fazerem parte de um trabalho com as características deste.
P.R. - No alinhamento de "CONtradições" encontramos para além de Paulo Cavaco e Paulo de Carvalho, Agostinho da Silva, Ary dos Santos e Zeca Afonso. Há razões especiais para a inclusão destes autores no disco?
Claud - O Paulo Cavaco e o Paulo de Carvalho produziram o disco e são também autores e compositores de vários temas. Nos outros três casos em particular e começando por Agostinho da Silva, foi uma escolha de quem compôs a musica, o Paulo de Carvalho que tem uma grande admiração por ele e que eu também partilho, com aquele seu jeito especial de dizer as coisas e de ver o mundo. O Ary dos Santos e o José Afonso foi uma escolha minha pela riqueza do seu trabalho e por desde sempre os ter cantado. Fiz questão que estivessem presentes com duas músicas que gosto muito, O Cacilheiro e a Canção da Paciência.
P.R. - "CONtradições" assenta nas raízes portuguesas. É este o caminho que pretende explorar nos próximos trabalhos?
Claud - Ainda é um pouco cedo para falar de um próximo trabalho, mas é certo que estará sempre assente nas raízes portuguesas. Será uma continuação desde disco, mas naturalmente com mais maturidade.
P.R. - Este disco chama-se "CONtradições". Porquê?
Claud - Vou explicar o nome do disco como já disse várias vezes, "CONtradições" pretende explicar todo o desenho musical do projecto, que no fundo passa pela CONtradição entre a música tradicional e os seus instrumentos com a música electrónica e COM tradições Portuguesas. Não sei se o nome explicou esta ideia, espero que sim...
P.R. - A Claud cantou recentemente num dos maiores festivais de Verão em Portugal, "Festival do Sudoeste". Cantar em português nestes festivais, é um acto de "Rebeldia"?
Claud - Felizmente parece que cada vez isso é menos um acto de rebeldia. Acho que estamos a entrar numa fase de maior receptividade para a música cantada na nossa língua, mérito também de bons projectos que têm vindo a aparecer. Quero ter a rebeldia suficiente para continuar a cantar o que gosto, mas não me sentir rebelde por cantar em português aqui ou em outro lugar.
Sem comentários:
Enviar um comentário