08/08/2009

ASSOBIO | Discurso Directo

Depois de Chuchurumel, César Prata, apresenta-nos um novo "sopro musical" - Assobio. E sopro é vida; a vida que passa pela cultura popular e pela sua transmissão constantemente renovada. Assobio trabalha essencialmente a partir da tradição musical portuguesa. O Portugal Rebelde esteve à conversa com César Prata, e revela-lhe agora os sons deste "Assobio".
Portugal Rebelde - Como é que nasceu a idéia de criar o projecto Assobio?
César Prata - Assobio nasceu do meu encontro com a Vanda Rodrigues quando da realização do espectáculo "Guarda - rádio memória", uma produção do Teatro Municipal da Guarda apresentada em Novembro de 2008.
PR - O que aproxima e separa os projectos Assobio e Chuchurumel?
CP - A abordagem à tradição musical assenta no mesmo conceito: cruzar a música tradicional e a cultura popular com programações e recursos tecnológicos dos nossos dias. No entanto a sonoridade é radicalmente diferente: os arranjos são todos da minha responsabilidade, o interesse da voz da Vanda Rodrigues é completamente diferente; trilham-se novos caminhos, como sejam a interpretação de temas medievais, originais e castelhanos. No FMM de Sines apresentámos um tema galego novo e estamos a trabalhar um fado. Isto porque o fado está muito presente quando da realização do trabalho de recolha.
PR - Como foi feita a escolha do repertório do álbum "Assobio"?
CP - A escolha foi feita por mim, recorrendo, naturalmente, ao parecer da Vanda. Utilizámos recolhas publicadas em cancioneiros (suporte audio ou papel) e recolhas próprias. Há muito que tinha a ideia de musicar uma oração, ideia que foi agora concretizada.
PR - Afirmou que Assobio é uma espécie de "upgrade à tradição". Quer explicar um pouco melhor o sentido dessa afirmação?
CP - A ideia é trazer para a música um termo do campo da informática. Isto porque o computador tem um papel fulcral no nosso trabalho. Por outro lado achamos isso mesmo: a sonoridade Assobio "actualiza" a tradição.
PR - Passaram recentemente pelo Festival Músicas do Mundo, em Sines. Como é que o público reagiu ao sopro deste Assobio?
CP - Foi um privilégio poder integrar o programa do FMM de Sines, passados dois meses sobre a edição do nosso cd de apresentação. Sines é o maior festival de músicas do mundo que se faz em Portugal e vive do engenho e da capacidade do seu programador. Carlos Seixas é um programador que arrisca e não se limita a mostrar aquilo que passa insistentemente em todo o lado. Em Portugal é muito difícil furar os esquemas instituídos e a nossa presença em Sines terá ajudado nessa tarefa. A reacção do público foi muito boa: sala praticamente cheia, muitos aplausos (de pé) e um encore final.
PR - Numa frase, ou duas, como definiria o álbum "Assobio"?
CP - Música portuguesa com uma maioria de temas do Interior (Beira Baixa e Beira Alta). Uma edição original, uma vez que o CD foi editado pelo Teatro Municipal da Guarda. Ao som Assobio não se pode apenas pôr o rótulo música tradicional, pois é muito mais do que isso. Mas o melhor será cada um descobrir por si.
PR - O César Prata e a Vanda Rodrigues já estão a trabalhar repertório para novo trabalho? O "namoro entre o passado e o presente", é para continuar?
CP - Sim. Como referi nas questões anteriores, nos nossos concertos já se podem ouvir temas novos que não fazem parte do disco. O projecto ainda está no princípio, nomeadamente em termos de colocação do espectáculo. A receptividade tem sido bastante interessante e até ao final do ano estão já agendados concertos em Portugal e em Espanha. Naturalmente que vamos continuar a assobiar.

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