No álbum de estreia, cantavam: “Nós queremos a bengala de Charlot/E o passaporte de Fernão Mendes Pinto/Comprar cigarros na mesma tabacaria de Fernando Pessoa/Fugir numa Fuga de Bach/Ouvir a voz de Salomão propor uma amnistia…/ Para o Othello de Shakespeare”.
Banda que ignora alegremente a dicotomia entre alta e baixa cultura, os Clã de Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo – elemento do novo corpo diplomático do TNSJ – inauguram a Temporada 2009-2010 com um concerto que é uma espécie de epígrafe, muito pouco solene, à nova programação.
Aclamados em tempos recentes como “a melhor banda portuguesa ao vivo”, os Clã cultivam uma música irrequieta e contagiante, capaz de gerar temas pop de recorte vintage, refrães folk-rock e melodias de um estranho vaudeville.
Do seu modus operandi mencione-se a relação lúdica com a língua portuguesa, mediada por um elenco de letristas de superior craveira, como Carlos Tê, Regina Guimarães ou Adolfo Luxúria Canibal.
O que os move? Esse “milagre” a que chamamos canção. No último disco, ouvimos: “Um sopro um calafrio/Raio de sol num refrão/Um nexo enchendo o vazio/ Tudo isso veio/Numa simples canção”.
07 de Setembro - Teatro Nacional S. João, Porto (22.00h)
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