Hoje, depois das doze badaladas, os UHF vão regressar a um palco lisboeta para celebrar a 1.ª edição do disco que soltou as rédeas do Rock Português.
Depois de uma Rua do Carmo cheia, no passado mês de Setembro, o regresso a um clube rock - MusicBox.
"Começámos há 30 anos a gravar discos, e começámos no acaso da vida um movimento de renovação da música portuguesa pós-25 de Abril 74 que se denominou "rock português".
Porquê? Porque cantávamos em português sobre o mundo que nos rodeava. Gravámos e misturámos as três canções em pouco mais de dez horas de trabalho esforçado (forçado ficava aqui mal), no Estúdio Arnaldo Trindade, um luxo à época, cujas paredes me segredavam as sessões de glória que José Afonso ou Adriano Correia de Oliveira por ali viveram.
Foi uma verdadeira chatice andar pelas quatro rádios que havia em Lisboa a pedir para tocarem um EP de rock que ninguém sabia ser português. Não nos ligaram patavina, mas a passadeira vermelha estava desenrolada um ano depois.
Pagámos do nosso bolso estes discos de promoção, o que ainda hoje me evoca que ser português é ser diferente e quase sempre artolas.
Foi em Outubro de 1979 que "Jorge Morreu", com capa colorida, saiu: abraço ao Moreno Pinto que nos gravou as veleidades a despontar. Nunca nos pagaram um tostão (cêntimo na era moderna) pelos discos vendidos.
Desconhecemos quantos se venderam na realidade. Mas um ano depois, quando a passadeira se estendeu para o trote dos "Cavalos", o dono da pequena editora lisboeta mudou a capa – do guache colorido, que um amigo nos oferecera, passámos para uma foto manhosa em negativo, não fosse a malta exigir tostões pelo direito de imagem: eu próprio e Carlos Peres estamos secundados pela marca de creme de barbear Gibbs, que também nada nos pagou.
Fazia, contudo, parte da publicidade estática do Pavilhão de Os Belenenses. "Jorge Morreu", a primeira canção que se escreveu sobre droga dura em Portugal, tornou-se parte do underground lisboeta: espalhámos o grito pelo país das festas de liceu e/ou comícios políticos.
Ainda hoje nos concertos há sempre quem grite: ‘toca o Jooorge!” (António Manuel Ribeiro)
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