"Quis
o destino, o alinhamento de astros, o acaso ou, eventualmente, a
intencionalidade, que “Into The Ivory Tower”, o novo e segundo álbum dos
The Allstar Project (TAP), visse a luz do dia numa altura em que a banda
celebra a sua primeira década de existência. E que melhor poderíamos ter
para assinalar esta efeméride senão o melhor trabalho do colectivo até à
data?
“Into
The Ivory Tower” é um portentoso trabalho de minúcia estética, a que não
falta sequer uma mística alusão bíblica - patente no título do disco - nem
um aconchego poético de reminiscência obscurantista – este, muito por
culpa do poema “Darkness” de Lord Byron que podemos escutar em “Not All A
Dream”.
O disco começa por ser, antes mesmo de o ouvirmos, uma peça
que dá gosto ter entre mãos, muito por culpa do trabalho gráfico da Maça
Mecânica, mas é a sua audição que torna esta edição da Rastilho Records
num verdadeiro objecto de culto.
Dois EP’s e um álbum depois, os TAP estão no “ponto”. A sua música cunhou-se de personalidade e apurou-se de tal forma que é agora inconfundível, sem paralelo no território português e, decididamente, de linguagem universal, pronta a ser mostrada sem qualquer melindre onde quer que se ouça música cujo padrão de qualidade seja um “ponto de honra”.
“Into The Ivory Tower” faz jus à música fílmica que sempre caracterizou os TAP, mas eleva-a a um patamar, dramático e emotivo, novo no seio da banda.
Dois EP’s e um álbum depois, os TAP estão no “ponto”. A sua música cunhou-se de personalidade e apurou-se de tal forma que é agora inconfundível, sem paralelo no território português e, decididamente, de linguagem universal, pronta a ser mostrada sem qualquer melindre onde quer que se ouça música cujo padrão de qualidade seja um “ponto de honra”.
“Into The Ivory Tower” faz jus à música fílmica que sempre caracterizou os TAP, mas eleva-a a um patamar, dramático e emotivo, novo no seio da banda.
As
paisagens sonoras já não são de longas e lentas incursões desérticas ou de
epopeias galácticas contemplativas.
São agora de avassaladoras
tempestades, de águas agitadas, de visões e de cenários apocalípticos, de
farpas agrestes, e de catárticas rebeliões - como muito bem ilustra o
espantoso desenho de Thomas Cole na capa do disco.
Mas, no meio do
vendaval sónico esmerilado e polido, continuam a irromper a bonança, a
esperança, e novos raiares de sol. Ouça-se “Pyramidal” ou o apoteótico e
grandioso “Light For A Thousand Nights” – tema que encerra o disco de
forma brilhante – e perceba-se o que aqui se afirma.
Na muralha de três guitarras, construída por camadas autónomas, vislumbra-se agora com maior nitidez a filigrana, reveladora do descarado primor técnico que cada músico dos TAP revela hoje.
Na muralha de três guitarras, construída por camadas autónomas, vislumbra-se agora com maior nitidez a filigrana, reveladora do descarado primor técnico que cada músico dos TAP revela hoje.
Esta excelência de apuro é
naturalmente extensível à secção rítmica que continua inventiva,
competente, e determinante nas variações que a banda opera em cada tema,
como por exemplo no lindíssimo “Alignment” - uma composição de ambientes
bizantinos e levemente arábicos, com o violino da convidada Filipa
Cortesão a conferir o adorno certo a uma peça que encerra em si uma
misteriosa portugalidade, coisa que se sente e que dificilmente se
explica...
A música dos TAP sempre causou no ouvinte um certo suspense, quebrado quase sempre através de explosões sónicas - epílogos naturais de uma música feita de crescendos vários.
A música dos TAP sempre causou no ouvinte um certo suspense, quebrado quase sempre através de explosões sónicas - epílogos naturais de uma música feita de crescendos vários.
Em “Into The Ivory Tower” essas explosões
acontecem mas num formato mais requintado, sem excessos supérfluos, num
aprumo próprio de um colectivo a gozar de plena maturidade...
O que mais espanta no novo álbum dos TAP é a qualidade das composições em si, com melodias que nos ficam na memória como se de canções convencionais se tratasse.
Temas como “Neighbour Of The Beast”, “Off Axis”, ”Shiffting Poles” ou “Advent” são paradigmáticos, tão memorizáveis como qualquer canção de estirpe pop, mas tão prodigiosamente distantes desse mesmo desiderato estético.
O que mais espanta no novo álbum dos TAP é a qualidade das composições em si, com melodias que nos ficam na memória como se de canções convencionais se tratasse.
Temas como “Neighbour Of The Beast”, “Off Axis”, ”Shiffting Poles” ou “Advent” são paradigmáticos, tão memorizáveis como qualquer canção de estirpe pop, mas tão prodigiosamente distantes desse mesmo desiderato estético.
É essa a magia da actual faculdade musical deste
colectivo português de obra totalmente exportável.
“Into
The Ivory Tower” mostra-nos, pois, uns The Allstar Project mais distantes
dos cânones herméticos do pós-rock “tradicional”, sendo um disco que abre
portas a um estilo que, embora não estivesse moribundo, carecia de um
abanão que lhe conferisse novas soluções, novas direcções, novos
protagonistas...
Escutar “Into The Ivory Tower” é embarcar numa viagem de sensações e tipologias incomuns, é privar com uma criação de arrojo superior, propícia simultaneamente ao arrepio e ao deslumbre, por vezes de pêlo rijo na venta, noutras com o mais perfeito e suave dos escanhoados.
Escutar “Into The Ivory Tower” é embarcar numa viagem de sensações e tipologias incomuns, é privar com uma criação de arrojo superior, propícia simultaneamente ao arrepio e ao deslumbre, por vezes de pêlo rijo na venta, noutras com o mais perfeito e suave dos escanhoados.
“Into The
Ivory Tower” é um trabalho deliciosamente negro que jamais repele. É,
acima de tudo, uma obra assombrosa e a prova cabal de que os The Allstar
Project, possuem, aos dez anos de idade, um território demarcado e
fortemente personalizado. Coisa, aliás, que só está ao alcance de escassos
alguns..." (Carlos Matos)

Sem comentários:
Enviar um comentário