Joana Negrão, a voz dos Dazkarieh é hoje a nossa convidada em "Discurso Direto". "Ruído do Silêncio", o 5º registo do grupo, já se encontra nas lojas, um disco, que nos leva pelo imaginário sonoro de Portugal, conferindo-lhe uma uma nova "leitura" à luz da modernidade.
Portugal Rebelde - Depois de uma digressão internacional que levou os Dazkarieh a salas e festivais da Malásia, Alemanha, Áustria, Estónia, Polónia, Espanha e Portugal, a banda regressa com “Ruído do Silêncio”, um disco que revela uma banda mais madura e que explora a sua sonoridade já consolidada em volta da música de raíz tradicional. É mesmo assim?
Portugal Rebelde - Depois de uma digressão internacional que levou os Dazkarieh a salas e festivais da Malásia, Alemanha, Áustria, Estónia, Polónia, Espanha e Portugal, a banda regressa com “Ruído do Silêncio”, um disco que revela uma banda mais madura e que explora a sua sonoridade já consolidada em volta da música de raíz tradicional. É mesmo assim?
Joana Negrão - Exactamente,
a introdução à pergunta diz tudo. Neste disco sentimo-nos mais maduros, mais
calmos e em paz para poder experimentar o que queríamos e deixar a música fluir
sem limitações. Sentimos que alcançámos o nosso som e que este disco é uma
afirmação mais sólida do mesmo.
PR - Os doze
temas, que compõem este registo levam-nos numa viagem pelo imaginário sonoro de
Portugal e do Mundo. Quer falar-nos um pouco desta viagem?
JN - Levam-nos
pelo imaginário sonoro de Portugal ao trazer à luz da nossa urbanidade alguns
temas tradicionais (Minho, Trás-os-Montes e Beiras) com instrumentos
portugueses (cavaquinho, gaitas-de-fole, adufe) do Mundo porque somos cidadãos
do Mundo e a nossa vivência é marcada constantemente pelos contactos com outras
culturas, através dos instrumentos (como a Nichelharpa e o bouzouki) e formas
de estar que alteram a nossa visão do mesmo, o que acaba por se reflectir na
música que fazemos. E também nos leva numa viagem interior, descendo às
profundezas do nosso Ser para sentirmos o bater do coração e aprendermos a
olhar para dentro e conhecermo-nos melhor para podermos operar transformações
em nós e no Mundo que nos rodeia.
PR - Neste
trabalho, os Dazkarieh exploram os caminhos do passado escutando e tocando
recolhas antigas e tornando-as vivas para as novas gerações. É desta forma, que pretende levar a vossa
música a um público mais jovem?
JN - Explorar
tradições musicais do passado e tocá-las através da nossa abordagem à mesma
trá-las automaticamente para um universo contemporâneo e dessa forma mais
apelativas a um público mais jovem. No entanto, sentimos que a nossa música
atravessa gerações e que tanto os jovens como os pais dos jovens podem retirar
coisas que interessam a ambas as gerações. Porque a mãe ou a avó se lembra de
determinada canção ou dito popular e o filho adora a distorção e os efeitos da
mesma música e acaba por também dar mais atenção à história, porque o ambiente
sonoro lhe interessa mais. De qualquer forma, estas coisas são sempre
abstractas e este pode ser apenas um lado da moeda, mas é verdade que sentimos
que nos nossos concertos há sempre um leque variado de idades e de tipos de
público. O mais interessante é que, no fundo, a música chegue ao coração das
pessoas.
PR - Numa
frase apenas - ou duas - como caracterizaria este "Ruído do Silêncio"?
JN - É um disco com muitos momentos de contemplação
e intimismo, tanto nos ambientes sonoros como nas letras, que falam de
recolhimento, contemplação, meditação, escutar o coração e outros momentos de
explosão sonora, experimentação e exteriorização.
PR - Em “Ruído do
Silêncio” os Dazkarieh contam com a participação dos Velha Gaiteira nas
percussões e gaita-de-foles transmontana e André Galvão no contrabaixo. Estes
convidados espelham de alguma forma os “caminhos sonoros” que grupo explora?
JN - Convidámo-los porque achámos que eram as
pessoas ideais para gravar as músicas onde participaram. No caso dos Velha
Gaiteira porque têm uma relação muito próxima com o contexto da percussão
tradicional e gaita transmontana (“Repasseado da Calçada”) e no caso do André
Galvão porque sentimos que o seu contra-baixo era o elemento que faltava
(“Ruído do Silêncio”, “Moda da Ceifa I” e “Mazurka da Água”).
PR - Os Dazkarieh apresentam-se
com alguma regularidade em Festivais Internacionais. Como é público recebe a
vossa música?
JN - Somos sempre muito bem recebidos lá fora. De uma forma geral as pessoas
têm grande curiosidade em conhecer música Portuguesa diferente do Fado. E nós
levamos-lhes um Portugal que não é Fado, que é uma série de outras tradições,
emoções e ritmos. Seja pelo que retiramos dos temas tradicionais ou o que lhes
damos através do nosso sentir em Português.
PR - Para
terminar, a que se ficou a dever a escolha de “Ruído do Silêncio”, para título
deste trabalho?
JN - Os momentos
mais intimistas e a explosão sonora são dois lados que têm caracterizado o som
dos Dazkarieh e que neste disco decidimos trabalhá-los mais a fundo, tentando
perceber quem somos nós no meio do Ruído que nos rodeia e onde reside o
Silêncio. E por isso, a escolha do titulo foi só um passo natural quando
sentimos que todo o disco girava em torno deste tema.

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