O acordeão diatónico - em Portugal conhecido por concertina - é um instrumento concebido na primeira metade do século XIX e depois aperfeiçoado por diversos construtores europeus, que hoje ecoa memórias de uma outra vivência do espaço musical: um tempo anterior ao disco, à rádio. Continua, porém, a ser uma máquina de construir sonhos, e, por conseguinte, de inventar futuros possíveis, de fazer sentidos.
Desenvolvendo aptidões de execução da concertina e novas possibilidades de abordagem, fazendo para ela uma música nova, o colectivo Danças Ocultas consolidou uma estética muito próxima do universo clássico da "música de câmara", da pequena formação instrumental, acústica, onde cada instrumento desempenha uma função musical.
A junção com uma Orquestra de Cordas - a Orquestra Filarmonia das Beiras - é natural e vem evidenciar o carácter universal da proposta artística: entre o passado e o futuro, produzindo sentido, em diálogo com a estética contemporânea.
À frente da Orquestra Filarmonia das Beiras estará o maestro António Vassalo Lourenço, profundo conhecedor da música dos Danças Ocultas e que, segundo Artur Fernandes, "acarinhou esta iniciativa especial", onde os "arranjos ampliam o que os originais já continham, dando novo corpo e dimensão às melodias, aos contrapontos e harmonias que este grupo de concertinas já explora".
Nestes concertos, os arranjos orquestrais de clássicos dos Danças Ocultas são ainda uma forma de celebração dos 25 anos que o grupo assinala em 2015.
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