Até porque “Sunflowers”, a peça de quase vinte minutos que abre este álbum, atravessa a clássica e a contemporânea sem fronteiras óbvias, enquanto fecha Steve Reich – “Music For 18 Musicians” – num processo condensado de harmonias que relacionam música cósmica, com new age e minimalismo. Por outro lado, “Sunflowers” bate – sobretudo nos seus primeiros minutos – como uma homenagem a Manuel Göttsching se este tivesse desligado o botão house em “E2-E4”.
As intenções de novidade podiam ficar-se por aqui.
Mas em “Red Pine” Tiago Sousa volta a surpreender, com uma peça mais aberta que liberta da tensão – ou da beleza ofegante, conforme se queira ver – de “Sunflowers”. Há qualquer coisa de triunfante que começa aqui, como se a primeira peça fosse um grito de elevação e, o que se segue, um abraço ao belo e a emoções que o pianista pretende revistar.
Como se tudo o que vem depois de “Sunflowers” fosse uma segunda parte, uma forma de Tiago Sousa apaziguar a catarse da abertura: voltando ao pianista que conhecemos de outros álbuns, mas desafogado e sem um qualquer peso nos ombros.
“Blossoms” não é um lugar estranho no seu espólio, mas nunca o fez de forma tão relaxada e desconcertante. É de ir às lágrimas. No final, “The Time Binder” fideliza uma ideia de infinito que parece romper a cada momento de “Ripples On The Surface”. E se dúvidas até aí existiam, no último tema concretiza-a com grandeza. Termina-se com as mesmas certezas: Tiago irá para outro lado, certamente, depois disto. Felizmente passámos por aqui."
"Ripples on the Surface" será lançado pela editora Holuzam no dia 11 de Novembro.
.jpg)
Sem comentários:
Enviar um comentário