O título parece desvendar o que estes quase 37 minutos do álbum de estreia de Veelain têm para o ouvinte. "A Portrait Of a Real Villain" é um autorretrato que se pinta das muitas cores que o coração roxo do artista tem. É a partir de uma busca interior que chegamos às galáxias que habitam o universo de Veelain. Há precedentes, mas este é um álbum que resulta de anos de equilíbrio entre a introspeção e a sua expressão em som. Há muito que o artista põe trabalho cá fora com alguma regularidade, mas os retratos levam tempo e a arte não é para se apressar.
Depois de "Land of the Sun", o primeiro EP que Veelain editou com a Monster
Jinx, eis um trabalho mais ambicioso, com mais espaço, mas também mais
direção. Com “uma espinha dorsal”, citando-o.
E é desta sensação de pertença com o outro que é preciso ouvir "A Portrait Of A Real Villain". Uma amálgama de hip-hop um pouco a norte
do boom bap, eletrónica, e até algum rock quando é preciso.
As coordenadas são só de Veelain, mas o GPS passou por Sun Ra,
Radiohead ou Actress. O “Grito” é somente da sua voz, e dele canta
para todos sabermos que “Pessoas são poemas”.
Este trabalho, uma quebra com o passado musical do produtor, “como se tudo
o que produzi musicalmente até hoje fosse uma antecâmara do mesmo”,
nas suas palavras, tem o retrato em capa pela Min. "A Portrait Of a Real Villain" sai a 28 de Abril em todas as plataformas digitais e em formato cassete.
Artwork: Min
"É relevante dizer (até porque o tema “Cama fria” trata disso) que há
uma espinha dorsal neste álbum, um motivo concreto e menos
Romântico que os outros: Até que ponto a segurança não é a nossa
prisão? Não haverá uma obsessão pela construção de um mundo
seguro? E valerá a pena se o custo for sermos menos livres?
Não
tenho ainda resposta a estas questões, mas sei que este é um
álbum que parte dos traumas. É nessa medida que aquilo que ele
conta é uma viagem de rotura com certos dogmas pessoais, na
procura pela Nume e que ela me possa guiar para um novo mundo,
neste caso, um novo Eu. Vilão, em tempos, quis dizer aquele que
não é nobre, é esse o sentido que quero para mim, sou do povo e é
nele que me quero achar.”
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