Chega às lojas no próximo dia 26 de Setembro o primeiro longa duração de Rita Braga - “Cherries That Went To The Police”, "um batido de frutas a viajar no espaço-tempo". O Portugal Rebelde esteve à conversa com Rita Braga, que em "Discurso Direto" fala desta "aventura" partilhada com o ukulele.
Portugal Rebelde - Depois
da edição dos EP´s “Valsa Sangrenta”, “Mee Me Tonight In Dreamland” e “Her Home
Recording vol.3”, este é o disco que a Rita Braga sempre “sonhou” fazer?
Rita Braga - Diria que este é o disco que
me fazia sentido agora. Os EP’s foram gravados com poucos meios... este album
passou por um processo muito diferente e mais longo, ao qual fui juntando
músicos convidados e fazendo várias escolhas. E a produção artística do
Bernardo Devlin marcou o resultado final, há várias ideias no disco que
partiram dele. Quis dar espaço a quem participou porque confio em quem convidei
e também fui sendo surpreendida pela positiva com algumas direções que não
esperava.
PR - Ao longo dos últimos anos, tem explorado um universo musical distinto que vai
de Mozart a Bollywood, passando pelo folk sérvio, polaco e russo, canções de
cowboys e jazz. É este o universo musical que podemos encontrar neste disco de
estreia?
Rita Braga - Sim. Nem todos os temas que
já toquei ao vivo entraram no disco, mas vai do folk da europa de leste e
português (“A Lira”) a canções de cowboys ou jazz dos anos 20 e temas de filmes
(Otto Preminguer e David Lynch).
PR - ”Under The Moon” foi o single de apresentação deste disco. É este o tema que melhor define o espírito do álbum?
PR - ”Under The Moon” foi o single de apresentação deste disco. É este o tema que melhor define o espírito do álbum?
Rita Braga - Penso que é uma boa
introdução ao disco apesar de ter temas muito diversos. É uma canção escrita em
1927, algures perdida no tempo mas ainda hoje soa como um “hit” instantaneo, e
fui muito bem acompanhada pelo Nik Phelps e pelo Hernani Faustino no clarinte e
contrabaixo. E o vídeo realizado pelo Paulo Abreu para esta música ajudou a
escolhê-la para single.
PR - Numa
frase apenas como caracterizaria este “Cherries That Went To The Police”?
Rita Braga - É um batido de frutas a viajar no espaço-tempo.
Rita Braga - É um batido de frutas a viajar no espaço-tempo.
PR - “Cherries That Went To The Police” conta com a participação especial de músicos
reconhecidos nacional e internacional: Chris Carlone, Nik Phelps, Rui Dâmaso,
Jef Hogan-Buffa e Bernardo Devlin ente outros. Quer falar-nos um pouco do
contributo destes convidados para o resultado final deste disco?
Rita Braga - Gosto da música de todos os
convidados e são todos diferentes e todos deram uma contribuição especial. O
Bernardo Devlin produziu o disco, logo muito do trabalho no disco foi dele. O
Chris Carlone é o meu parceiro musical de há alguns anos com quem me identifico
muito a nível criativo, formámos aliás uma dupla chamada “Chips and Salsa” e
ocasionalmente toco com a banda dele Borts Minorts. O Nik é o melhor músico que
podia ter arranjado para o “Under The Moon” e o “You’re The Cream In My
Coffee”, conhece muito bem a música popular americana dos anos 20 e qualquer
tema que eu toque ele acompanha com imensa fluidez, aliás inspira-se nesse
período para as bandas sonoras que compõe para cinema de animação. A Yvettte
toca guitarra slide com uma sensibilidade muito própria, o Rui deu uma volta
interessante à música grega com baixo electrico e pedal de efeitos, dado que
não há acordes ele fez uma coisa quase percussiva... fiquei satisfeita com
todas as prestações, do Hernani e do Jef e do Ignatz no contrabaixo também
todos diferentes.
Portugal Rebelde - O “ukulele”, continua a ser um instrumento fetiche para si?
Rita Braga - É o instrumento pelo qual me
faço acompanhar mais, gosto muito da sonoridade e afeiçoei-me a ele. Para além
de ser o mais prático que podia ter arranjado para viajar em tour. Mas também
gosto de me fazer acompanhar por guitarra e teclados, ou mesmo só bases pré
gravadas que uso às vezes nos concertos, o que fica é a voz.
PR - Para
terminar, que expectativas tem à aceitação do público deste seu primeiro longa
duração?
PR - Penso que tenho tido bom feedback
das pessoas que já ouviram aqui e em tour (voltei há poucos dias de uma tour
europeia em que apresentei o disco em França, Alemanha e Espanha). Acho que o
tipo de música que faço é transversal a muitos géneros e audiências, é
diferente de muita coisa que se faz mas ao mesmo tempo tem um lado “pop” no
sentido intemporal, são boas canções que ficam no ouvido. Nunca se pode agradar
a toda a gente, mas gostei de o fazer espero que haja pessoas a gostar de o
ouvir.
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