A banda conimbricense a jigsaw regressa hoje a Espanha para mais seis concertos, dando a conhecer a "nuestros hermanos" o álbum "Drunken Sailors & Happy Pirates" (Edição de Autor, 2011). Em exclusivo para o Portugal Rebelde, João Rui, em "Discurso Direto" fala-nos das 12 canções deste novo trabalho.
The Strangest Friend
Esta é uma canção que fala do silêncio de cada um. Que na maior parte das vezes sabe mais de nós do que nós próprios. Foi uma das últimas canções que escrevemos para o álbum e é sem dúvida a que tem a estrutura mais complexa. O que acaba por ser irónico pois foi a escolhida para single, quando geralmente os singles são as mais simples, estruturalmente. O primeiro esboço da música foi tocado na Auto-harp.
Crow Covered Tree
Um sonho dentro de outro sonho é a trama da letra desta música. Começou a ser escrita durante um ensaio na nossa Casa Azul, no mesmo dia em que também estávamos a trabalhar o esboço da canção Silent Sleeve que veio a ser editada como lado B do cd-single The Strangest Friend. As Letras de ambas as canções foram terminadas numa varanda em Chaves no fim de semana que se seguiu a esse ensaio.
My Name Is Drake
Esta é enfim a canção onde de facto nos debruçamos sobre um pirata verdadeiro, que viria a ser conhecido para a posteridade como o Sir Francis Drake. Começou por ser escrita na National Resonator, mas acabou por ser usada outra guitarra para a gravar. Quando a Susana tocou o vioncelo pela primeira vez na música, esta ficou terminada.
No More
Uma canção acerca de Tolstoy. Uma recordação do final da sua vida. O ritmo do adufe acabou por substituir a guitarra na música, que se tornou a primeira e única que editámos até hoje que não tem uma única guitarra.
Lovely Vessel
As origens mais remotas desta canção remontam à nossa compra de um harmónium eléctrico dos anos 60, de marca Lorenzo. O riff da canção foi a primeira melodia que surgiu nesse bom amigo. Depois foi uma questão de levarmos esse esboço para a casa azul até ao momento em que sentimos que estaria pronta. Esta é a canção onde a Tracy Vandal contribui com a sua magnífica voz.
Remember When
Das cerca de 8 horas de gravações e 50 esboços de músicas que tínhamos em mãos quando nos sentámos para preparar o álbum, esta seria uma das que estaria para sempre perdida não fora o Jorri dizer que devíamos ouvir a pista nº 75 que tinha um riff curioso. Ouvimos e de imediato nos recordámos da gravação. Era um riff de guitarra baseado numa das afinações predilectas do Skip James contra uma letra que foi escrita na noite do dia 8 de Dezembro de 2008, precisamente o dia em que a Becky Lee Walters estava connosco a gravar o Return To Me para o nosso anterior álbum "Like The Wolf". É uma canção acerca de um escritor alemão.
Even You
Esta começou por ser um esboço no piano em torno do qual fomos escrevendo o resto da canção. Esta é inspirada em Julio César. E é também provavelmente a canção que mais harmoniums tem deste álbum.
I Have Been Away For So Long
É uma canção acerca da Loucura. Pouco foi alterada desde o dia em que começámos a trabalhar nela. Apenas a letra necessitou de algum tempo até ficar perfeita para o que queríamos veicular nela. Talvez tenha sido a primeira música que escrevemos para o álbum.
Rooftop Joe
Esta música é inspirada na história do Zé do Telhado. Suponho que este seja o Pirata Português. Pudemos voltar a usar a Lap Steel para esta música e mais um par de guitarras dos anos 60 que entretanto adquirimos. Quando a Susana acrescentou o violino e o Jorri encontrou o ritmo certo da música ela ficou enfim completa.
The Last Waltz
Outra canção inspirada no imaginário de Roma antiga. Em Nero para ser mais específico. Foi a última canção a ser escrita para o álbum, numa altura em que já tínhamos o processo de escrita arrumado, mas o Jorri surgiu com esta melodia lindíssima no piano e depois foi uma questão de trabalharmos esta ideia até à sua conclusão. É quiçá uma das heranças da nossa passagem por Roma durante a Like The Wolf European Tour em 2010.
Devil On My Trail
A ideia desta canção é fruto mais uma vez da nossa interacção com novos instrumentos. Tínhamos comprado um combo-organ dos anos 60 na Alemanha. Quando chegou o correio com este novo amigo e o Jorri o desembrulhou, a melodia principal desta música foi a primeira coisa que escreveu nele. Recordo-me de ouvir um primeiro esboço da música quando o combo-organ ainda estava no chão da casa da sala dele e ele me dizia “ouve aqui isto”. De imediato percebemos que mais tarde ou mais cedo iríamos escrever o resto da canção.
Drunken Sailors & Happy Pirates
Provavelmente a canção que mais esquiços teve até chegarmos a uma versão final. Era também a música que sabíamos desde o princípio do processo de escrita do álbum, que teria este título, que era o título do álbum e que teria que ser uma música fora do comum. Depois o problema dos primeiros esquiços era o facto de não ser ainda suficientemente “estranha”. Mas finalmente chegámos ao nosso porto de abrigo com a música. É a única música do álbum que é gravada com um microfone diferente. Um Astatic dos anos 50 que confere uma sonoridade muito particular à voz.

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