Chega hoje às lojas "As Canções" da Maria", um projeto de Maria de Vasconcelos, a pensar nos mais pequenos. O Portugal Rebelde esteve recentemente à conversa com a Maria de Vasconcelos, que em "Discurso Direto" nos fala destas canções.
Portugal Rebelde - É verdade que a sua filha Mathilde, é a principal responsável pela edição de “As Canções da Maria”
Maria de Vasconcelos - Sim mas não só. O processo começou com a Mathilde mas a Manon também esteve, e está, sempre presente nas minhas intenções. Comecei a inventar canções para facilitar a aprendizagem escolar da Mathilde. Comecei com ela porque é a mais crescida, sabendo que a Manon aproveitaria o embalo pois sendo dois anos mais pequena, acaba por aprender mais cedo muitas coisas da vida em geral e, claro, da escola em particular. É um processo comum para os irmão mais novos, sobretudo quando a diferença de idades é pequena. A Mathilde, aos 4 anos, começou a perguntar-me os planetas e fiz uma canção sobre o Sistema Solar, depois a propósito do corpo humano, uma sobre o aparelho circulatório e outra sobre o urinário, até que ela chegou à primária e quando ia começar a aprender a ler, criei "Os ditongos a cantar" que ela cantou na escola (há rimas e versos desta canção que foram propostos pela Manon). O entusiasmo da professora e da directora foram tão grandes que me pus a matutar sobre a hipótese de inventar mais e editar. Pedi à Valentim de Carvalho que se prontificou a fazê-lo, pedi ao Gimba que produziu, pedi ao Nuno que desenhou, pedi manuais à directora e esclarecimentos à professora sobre as dificuldades dos alunos nestes primeiros anos lectivos, pedi todas estas coisas e recebi muitas outras, boas e úteis. Nas duas semanas que se seguiram fiz 31 canções e escolhi 15 para este primeiro livro.
PR - Maria, Manon, Mathilde e Mathias são as personagens que dão vida às 15 canções deste Livro+CD. Aprender como se se brincasse, é este o grande desafio deste projeto?
MV - Sim, é o objectivo, será talvez a palavra mais aproximada. Um objectivo que vejo alcançado à minha volta, não só com as nossas filhas mas também com amigos delas. Estas canções não são mais umas canções para as crianças. São canções com a matéria da escola. No ano lectivo passado, a Mathilde chegou da escola uma dia e contou-nos que tinha começado a falar dos meses e que a professora a tinha chamado ao quadro para os nomear. "Eu não sabia se sabia mas lembrei-me da tua canção e consegui dizer todos por ordem. E até sei as coisas principais que se passam em cada um deles!" É por isto e para isto que eu faço estas canções. Talvez o mais correcto seria dizer que este projecto é um meio para aprender como se se brincasse.
PR - “As Canções da Maria” contam com as ilustrações de Nuno Markl. Como é que surgiu esta oportunidade?
MV - O Nuno e eu somos amigos há anos, grandes amigos. Foi o meu marido quem me sugeriu que aparecêssemos como bonecos e pedi imediatamente ao Nuno que nos desenhasse. Ele é genial, pensa em desenho animado, é perspicaz e dotado de uma inteligência emocional que eu muito aprecio. Quando desenha pessoas, fá-lo de acordo com o que vê, por fora e por dentro e aqueles bonecos somos mesmo nós. Gosto muito muito muito deles.
PR - "Os ditongos a cantar" é a canção que convida a descobrir o mundo da Maria, cujo vídeo animado estreou dia 1 de Janeiro no canal Panda. Qual tem o sido o “feedback”, que tem recebido da “pequenada”?
MV - O feed-back das crianças tem sido fantástico. Dizem que gostam muito, pedem para ver e rever, cantam de cor e salteado e graças a este primeiro vídeo, mesmo os que ainda não chegaram ao 1º ano já sabem os ditongos. Não é que seja necessário sabê-los antes mas se já for um dado adquirido, pode facilitar a aprendizagem mais tarde. E no final das contas, ou neste caso das letras aprenderam sem esforço e com prazer, porque aprenderam a cantar.
PR - Este disco oferece-nos 15 belíssimas canções ilustradas para ler, cantar e brincar. Acredita, que este trabalho poderá ser um excelente recurso pedagógico para os Professores?
MV - Acredito pois! Tenho tido como retorno exactamente isso. Bastantes professores me dizem que é uma ferramenta muito útil para ensinar. Aliás, um dos argumentos que me fez investir na edição deste livro/CD foi o da professora da Mathilde: "Isto é muito bom! Os professores têm tanto trabalho que não possuem muitas vezes nem tempo nem capacidade para inventar uma coisa destas e isto, em vez de ser apenas para consumo familiar, poderia ajudar imensas crianças e professores."
PR - Para terminar, a “aventura” de “As Canções da Maria” vai ter continuidade?
MV - Eu quero que tenha e espero que tenha. Para além das 16 canções que ficaram à espera do próximo volume, já fiz mais três porque a matéria continua e, à medida que o 2º ano da Mathilde vai passando, vou-me apercebendo do que é mais importante e do que pode suscitar mais dificuldades. Aconteça o que acontecer, isso ninguém nos tira, continuarei a fazer cantigas para a Mathilde e para a Manon.

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