10/03/2012

NATALIA JUSKIEWICZ | Discurso Direto


O que leva uma polaca a apaixonar-se pelo "Fado"? A violinista Natalia Juskierwicz, é hoje a convidada do Portugal Rebelde. Em "Discurso Direto" fala do seu disco de estreia - "Um Violino no fado" (Seven Muses, 2011), uma "singela homenagem a Portugal, aos portugueses e ao Fado.

Portugal Rebelde - ”Um Violino no Fado” é um disco de fado clássico onde, pela primeira vez, a tradicional voz é substituída pelo violino. Como é que surgiu esta ideia?

Natalia Juskiewicz - As primeiras vezes que visitei Portugal assisti, como todos os turistas, a vários espectáculos de fado, principalmente nas “casas típicas” de Alfama. Na altura, fiquei verdadeiramente impressionada com aquele universo de fadistas com vozes maravilhosas e interpretações tocantes. Apesar de não dominar a língua, foi-me muito fácil captar e sentir o mais importante, as emoções universais que o fado transmite. O tempo passou e um belo dia decidi, uma vez que não sou cantora, tentar expressar esses sentimentos do fado através das cordas do meu violino, nasceu assim o projecto “Um Violino no Fado”.

PR - A quem se ficou a dever a escolha dos temas, que encontramos neste disco?

NJ - A escolha é minha e muito pessoal. Identifico-me com cada um dos temas escolhidos para o disco, eles fazem parte do meu percurso de vida. Analisei-os ao nível musical para ver se se adaptavam ao violino e, apesar de não necessitar das respectivas letras, fiz questão de as conhecer e de as ter presentes quando toco.

PR - De alguma forma teme o que os “puristas” do Fado possam dizer sobre “Um Violino no Fado”?
 
NJ - Desde o princípio do projecto que, felizmente, me senti bem acolhida por todas as pessoas, alguns fadistas tradicionais incluídos, o que encorajou muito para continuar. Como exemplo, jamais esquecerei que um dos primeiros sinais de apoio que tive foi no “blog” “Lisboa no Guiness”, da autoria do senhor Vítor Duarte Marceneiro, neto do grande Alfredo Marceneiro, que admiro muito.

PR - Numa frase apenas, como caracterizaria este seu primeiro disco?
  
NJ - É a minha singela homenagem a Portugal, aos portugueses e ao Fado e vem do fundo do meu coração.

PR - Já teve oportunidade de apresentar as canções deste disco? Qual tem sido “feedback” que tem recebido do público?

NJ - Apesar do lançamento do disco ser recente, o projecto “Um Violino no Fado” começou há quase dois anos. Ao longo desse período, tive oportunidade de apresentar os fados em vários espectáculos, tanto em Portugal como no estrangeiro. Em Macau, por exemplo, no ano passado toquei com a Orquestra Chinesa, um convite para celebrar os 500 anos da presença portuguesa no Oriente. Em Portugal, posso sublinhar, como concertos marcantes, a estreia “ao vivo” deste projecto, na abertura do TEDx 2010, a XVIII Gala de Leiria, onde o “Um Violino no Fado” foi galardoado com o Prémio Revelação, um ciclo de concertos organizados no âmbito da Presidência Polaca da EU e, para terminar, a minha participação na VI Gala Amália, ao lado de alguns dos grandes fadistas, precisamente no dia em que o Fado foi considerado Património Imaterial da Humanidade. Felizmente que tenho tido excelente reacção por parte do público o que me tem encorajado muito. Depois dos concertos, as pessoas vêm falar-me comovidas, vêm confirmar as emoções que também sinto quando toco e essa atitude dá um grande sentido ao que faço.

PR - Dos temas, que compõem este disco, há algum que a toque em particular?

NJ - Não consigo responder facilmente a essa questão. Penso que as minhas preferências dependem do estado do espírito em que me encontre no momento. Mas, sem dúvida que os que mais me comovem são “Com que Voz” e “Lágrima”.

PR - Para terminar, o que levou uma polaca a apaixonar-se pelo Fado?

NJ - Como já disse, desde que conheci Portugal que fiquei impressionada com a carga emocional que o Fado consegue transmitir, uma capacidade de expressão incomparável da beleza de todos os sentimentos humanos. No fado, encontrei também um reflexo das minhas vivências, das minhas experiências, no fundo, do percurso da minha vida. Para mim, o Fado é o Sentimento. Não importa a nacionalidade, o país, a forma, nem o instrumento musical que se toca, porque o essencial é cantar, tocar e exprimir esse sentimento da forma mais pura possível.

Sem comentários:

/>