Flávio Torres, músico, compositor e cantautor Covilhanense, é hoje o meu convidado em "Discurso Direto". Após participações em vários projectos como compositor, cantautor e produtor, editou recentemente, "Canções de Bolso" o seu primeiro registo a solo, um disco acústico com sonoridades de raíz que vão do swing ao folk, pop e blues.
Portugal Rebelde - Que histórias podemos encontrar no álbum “Canções de Bolso”?
Flávio Torres - As Canções de Bolso são compostas por palavras de intervenção / amor / luta / paz /esperança e bem social. Para mim este disco é simples com uma mensagem aberta e definida sem que o assunto ou tema abordado em cada canção passe por despercebido, pois a letra é clara com o intuito de não poetizar em demasia aquilo que quero transmitir. Posso destacar e dar o exemplo da música “Oh Minha Noite” que fala acerca do que eu penso sobre a beleza da noite e da sua solidão, como de seguida posso falar de um assunto bem diferente, o tema “Há quanto tempo” que fala sobre a necessidade de lutarmos por nós próprios em busca dos nossos sonhos e vitórias. Neste disco pretendo que as pessoas percebam o que quero dizer sem que as mesmas tenham que pensar muito sobre o que está a ser dito, aqui a história fala também da necessidade da união do ser humano e a forma positiva de como temos que encarar os maus momentos da nossa vida, em suma, todo o disco pretende dar uma perspectiva simples e confortável para o bem estar do nosso dia a dia. Vamos acreditar e vamos fazer é o lema!
PR - ”Swing da Corja”, foi a canção escolhida para single de apresentação deste disco. De que é que nos fala este tema?
FT - O Swing foi um dos primeiros temas a ser feito para as “Canções de Bolso” e foi escrito num daqueles momentos de revolta e indignação interior acerca do mau estado da nação “Portugal”. Infelizmente acho que cada Português ultimamente tem passado por isso e não existe muita volta a dar além de lutarmos e acreditarmos naquilo que queremos. A música é dirigida a cada um dos maus governantes e aos partidos que querem ser o partido do povo, fazendo o mesmo ou pior sobre aqueles que já não sabem o que dizer. A corja são todos estes senhores sem respeito por nós que passam a vida em discussões parlamentares, mas que não sabem dançar o swing, pois gostaria muito de ver o parlamento feito num salão de dança, pelo menos seria uma casa divertida e útil ao povo.
PR - Em “Marcha de Abril” podemos ouvir: “E agora está tudo igual/Ninguém entende este país atual”. Numa altura em que o pais atravessa um momento muito critico da sua história recente, a cantiga (ainda) é uma arma?
FT - Ótima questão. Eu quero acreditar que sim, pois a canção tem também esse papel de poder ser uma forma de grito e desabafo seja neste ou outro assunto, neste caso particular fala-se de uma história que todos estamos a viver e tento compará-la á revolução de 1974. No fundo, vivemos noutro tempo onde a liberdade já existe ao contrário daquilo que já aconteceu noutras marchas onde realmente as coisas estavam também mal, no entanto, voltámos a ser enganados por políticos e dirigentes corruptos “e agora está tudo igual”. Neste momento a diferença da canção é que pode ser ouvida, partilhada, cantarolada sem que alguém a censure ou recrimine, por isso mesmo eu acho que é uma arma se for bem divulgada.
PR - Numa era em que a música chega mais facilmente aos ouvintes por “culpa” das diversas plataformas digitais, qual tem sido o “feedback” que tens recebido do público?
FT - O feedback tem sido muito agradável e bastante encorajador no sentido de continuar a desenvolver e a fazer coisas relacionadas com o disco e com nova música. Muitos dizem que por ser um disco pequeno de 8 canções que se ouve num ápice e que se entranha... bom no fundo tenho recebido mensagens através do FB ou mesmo pessoalmente que me deixam sem palavras e é isto mesmo que me dá força de continuar a trabalhar e a criar novas canções num mercado difícil cheio de contratempos. Aproveito para agradecer a todos os que têm apoiado as “Canções de Bolso” , um muito obrigado.
PR - Numa frase apenas - ou duas - como caracterizarias estas “Canções de Bolso”?
FT - Canções simples (pop, blues, folk) sinceras e de uma só cara, pintada entre o triste amor vadio e o alegre ritmo da montanha e acompanhadas de um bom tinto ficam fáceis de cantar.
PR - Cantar em português é uma necessidade?
FT - No meu caso tenho muito bem definido aquilo que quero fazer e sinto-me perfeitamente seguro na forma como escrevo ou como penso e quero passar para o papel. A nossa língua para mim é a forma mais simples de me conseguir exprimir e transmitir o que sinto, se fosse outra não estaria confortável e não conseguiria passar a mensagem. Respeito muito quem escreve em inglês ou outra língua, cada um apenas tem que cantar ou escrever na linguagem ou dialeto que melhor se sente e não seguir os clichés e opiniões de moda.
PR - Para terminar, por onde passa o teu futuro próximo?
FT - Brevemente farei alguns trabalhos de promoção, quanto a concertos aguardo confirmações e propostas, pois quero muito apresenta-lo no máximo de salas possíveis. Durante este próximo ano quero também começar a gravar as novas canções que vão começando a ter forma. Por enquanto é isto, podem estar sempre informados no meu facebook.

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