02/02/2014

MAFALDA ARNAUTH | Discuso Direto


Luz e o Fado são elementos indissociáveis na carreira de Mafalda Arnauth. Quando lançou o seu primeiro álbum, em 1999, abriu a caminho a uma nova geração de fadistas, que viriam a dar ao Fado uma espécie de segunda vida, deslumbrante.  “Terra da Luz”, o seu novo trabalho chegou às lojas em finais de 2013, um disco que segundo a cantora é "uma Terra luminosa, fértil, onde acredita que semeando Força, Convicção, Confiança, Amor se cria e colhe uma Existência melhor." Dia 22 e 28 de Fevereiro Mafalda Arnauth apresenta "Terra de Luz" em Braga (Theatro Circo) e Lisboa (Teatro da Trindade).

Portugal Rebelde - No ano em que celebrou 15 Anos de Carreira, “Terra da Luz”, alarga com maturidade o espectro musical da sua obra?

Mafalda Arnauth - Acredito que há uma crescente maturidade e convicção nas escolhas que faço e idealmente é isso que procuro oferecer ao meu publico. Evolução, riqueza, originalidade, mas tudo sempre firmado numa consciência de querer transmitir o meu melhor.

PR - Seis discos depois regressa em força ao seu estatuto de compositora. O que é que a fez voltar a escrever canções?

MA - A necessidade de materializar em palavras e sons um universo que voltou ao meu espírito. A criatividade é isso. É deixar sair algo que no atravessa e não se controla nem se limita, especialmente quando acreditamos que se pode converter em música que os outros possam apreciar. É sempre a vida que me inspira, mas nem sempre isso se traduz em comunicação e em revelação, seja na composição, enquanto interprete, enquanto figura publica. Quando tal acontece e damos por nós a inventar cantigas, aceita-se, aproveita-se e revela-se.

PR - Numa frase apenas – ou talvez duas – como caracterizaria este “Terra de Luz”?

MA - Uma Terra luminosa, fértil, onde acredito que semeando Força, Convicção, Confiança, Amor se cria e colhe uma Existência melhor.

PR - “Partiu de Madrugada” foi a canção escolhida para apresentar este novo trabalho. Esta é a melhor porta de entrada para descobrir este “Terra de Luz”?

MA - Eu gosto de acreditar que um disco é um todo e o alinhamento que escolhemos muitas vezes reflecte a viagem que se idealiza para o conhecer. Gosto de pensar que “Onde mora a vida”, o 1º tema é, por isso, melhor porta de entrada para quem pretende viajar todo o disco, mas quando temos de resumir ou condensar tudo num tema, então aí sim “Partiu de Madrugada” é o espírito que queremos partilhar de imediato, porque cativa e exprime bem a nova sonoridade e universo deste disco .

PR - ”De Nós em Nós” é um tema cantado em dueto com Helder Moutinho. Que significado tem para si esta participação?

MA - A celebração de uma Amizade muito importante na minha vida e o reconhecimento da importância do Hélder no meu percurso. Foi o meu 1º manager, um dos grandes responsáveis pelo começo da minha vida artística e uma pessoa essencial na minha descoberta pessoal e crescimento. Faz parte de alguns dos mais luminosos anos da minha vida e porque a música do Tiago Machado me inspirou uma letra que fala precisamente de laços e de largar sem perder os afectos, achei que reflectia bem o nosso percurso.

PR - “Fado”, tema original dos Heróis do Mar ganha uma nova versão neste disco. Há alguma razão especial para a escolha deste tema?

MA - Um misto de revelar influências do passado e simplesmente a vontade de cantar um tema que faz parte da banda sonora da minha vida. Lembra-me a adolescência, os amigos, os convívios com os primos e de repente há algo de familiar e aconchegante no espírito que certas músicas nos despertam. O facto de ser um dos arranjos que mais aprecio ajuda a confirmar que foi bom escolher este regresso ao passado. O chamar-se Fado, facto completamente alheio à escolha, pois desconhecia isso na altura em que decidi cantá-lo só veio reafirmar que por algum motivo tinha de estar neste disco.

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