No sentido de assinalar e celebrar o 80º aniversário do nascimento de José Mário Branco, surge 6 Violas, sexteto de violas inédito. Pensado e levado a cabo pelo compositor e violetista José Valente. Este projeto estabelece um inesperado vínculo entre a música erudita e a canção de intervenção como forma de homenagem e enaltecimento ao incontornável legado do cantautor desaparecido em 2019, um dos mais importantes da história da música em Portugal. Para a viagem por este importante repertório, José Valente desafiou cinco dos mais brilhantes violetistas da nova geração de músicos clássicos para, em conjunto, inaugurarem um momento musical inédito. Sofia Silva Sousa, Miguel Sobrinho, João Tiago Dinis, José Miguel Freitas e Edgar Perestrelo abraçaram o desafio de constituir um sexteto de violas - a primeira formação com esta configuração em Portugal - para interpretar as belas e assertivas canções do autor de "Inquietação". José Valente é hoje meu convidado em "Discurso Direto".
Portugal Rebelde - “Águas Paradas Não Movem Moinhos” é a forma que o grupo 6 Violas encontrou para homenagear José Mário Branco?
José Valente - Sim. Porém, a intenção e ideia foi minha. Foi algo que surgiu em conversa com a minha produtora. Ou seja, a vontade de conceber um disco em homenagem a uma obra que me diz, pessoalmente, muito, cresceu ao mesmo tempo que nascia a ideia de inventar um sexteto de violas. E o resultado foi esta fusão inesperada: a criação de um sexteto de violas d’arco, inaugurada através de um álbum composto exclusivamente de arranjos meus de alguns temas do José Mário Branco.
PR - Houve alguma preocupação na escolha dos 10 temas que compõem este disco?
José Valente - Existiram vários fatores para a seleção dos temas. Algumas canções foram eleitas devido ao seu peso histórico. Canções como “Inquietação” ou “Travessia do Deserto” são referências da música portuguesa. Certas canções foram incluídas por preferência pessoal. Outras porque ofereceriam qualidades musicais de tal ordem extraordinárias e belas, que seria um desperdício musical não as aproveitar, não as trabalhar.
PR - "Eu vi este povo a lutar", é o single de avanço deste registo. Quer falar-nos um pouco desta primeira escolha?
José Valente - Este foi o primeiro tema que compus. Quando, em 2020, me apercebi de que iríamos viver o 25 de Abril dentro de casa, decidi inventar o arranjo para “Eu vi este povo a lutar”. A minha intenção inicial era convidar vários violetistas a gravar a interpretação da sua parte em casa. Depois reuniria todas as vozes num vídeo. Esta canção, além de enaltecer os valores revolucionários (que não podem ser esquecidos e abandonados) exalta uma positiva coragem. Senti, tendo em conta a conjuntura, que seria bom divulgar, através da música, esta sensação de coragem, de força, de resistência. Porém, fui convencido pela minha produtora a não avançar com o formato (o dito vídeo seria depois partilhado nas redes). Afinal de contas, naquele período, as redes foram invadidas por inúmeros vídeos de músicos a tocar em casa. Haveria o risco de este se tornar apenas mais um. Assim, o arranjo de “Eu vi este povo a lutar” ficou na gaveta durante algum tempo. Depois, conjuntamente com a minha produtora tivemos a ideia de criar um sexteto de violas. Decidimos então avançar com um primeiro registo do projecto, ou seja, com a filmagem e gravação do single do disco.
PR - As canções do José Mário Branco serão sempre uma referência presente para os músicos portugueses?
José Valente - Absolutamente. Fazem parte da história da música portuguesa e são, além de obras de arte, essenciais para a aprendizagem de como compor canções de qualidade.
PR - Depois do disco, há intenções de levar este projeto aos palcos deste país?
José Valente - A estreia e apresentação deste disco aconteceu no passado dia 28 de Maio, no Auditório CCOP, no Porto, poucos dias depois do 80º aniversário de José Mário Branco. Haverá mais concertos ao longo deste e do próximo ano. Em Novembro vamos estar no CCB, já podem marcar na agenda!
Espero, durante o próximo ano, enquanto estivermos ainda a tocar este repertório ao vivo, começar a ensaiar e a delinear o próximo disco de 6 Violas.

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