13/07/2022

MARTA | Discurso Direto


Marta já não se esconde; nem fecha a porta do quarto para, em segredo, cantar e coreografar os temas de Lauryn Hill, Whitney Houston ou Gwen Stefani. Foi assim que cresceu e foi também assim que fez crescer a vontade de, um dia, sair por aquela porta feita artista. Sonhou com dança e tornou-se bailarina, sonhou com música e tornou-se cantora. Depois de dar a cara (e a voz) pelos The Acoustic Foundation e de emprestar colaborações de estúdio e de palco a projetos como AWSUM, Imagina ou Leopardskin, entre outros, sente a necessidade de dar a conhecer o seu lado mais oculto e genuíno. E isso só faria sentido em nome próprio. Marta é hoje minha convidada em "Discurso Direto".
 
Portugal Rebelde - Depois de dar a cara (e a voz) pelos The Acoustic Foundation e de emprestar colaborações de estúdio e de palco a projetos como AWSUM, Imagina ou Leopardskin, entre outros, este projeto a solo é um “sonho” antigo? 

Marta - Há vários anos que digo às pessoas que me rodeiam que haveria de ter um projecto em nome próprio. A dinâmica das bandas, muitas delas em grande formato, continua a fazer sentido, mas há fases em que aquilo que criamos é tão pessoal, tão íntimo, que deixa de caber em lugares mais colectivos. Este era o momento de me mostrar ao público quase sem filtros e de revestir isso de sonoridades que ainda não tinha conseguido explorar. 

PR - “Montebello” o disco que acaba de apresentar é composto por doze temas, doze mergulhos na intimidade. Que “viagem” é esta que nos propõe? 

Marta - Em grande parte, trata-se de uma viagem a lugares mais negros, de dor e angústia, de desgostos. Mas não é só: também há temas apaixonados e alegres, porque não há moedas de uma só face. Escrevi as letras em momentos intensos e tentei que os instrumentais o refletissem. Tentei não seguir o “normal” ou o “expectável” a nível de composição e deixar que fossem as próprias canções a definir o caminho, como se tivessem (e têm) alma própria. 

PR - O single de apresentação deste disco, “Give It To Me”, o veio a público no dia 8 de Março de 2021. Esta data tem um significado especial? 

Marta - Tinha o disco pronto, estávamos em pandemia e não sabia bem o que lançar nem quando lançar. Tratando-se um álbum de forte afirmação feminina e com estórias comuns a tantas mulheres, achei que o Dia Internacional da Mulher era a data certa para me revelar ao mundo. 

PR - O disco arranca com a poderosa revolta de “Hole In My Soul” e termina a puxar um pezinho de dança em “The One For You”. As influências neo-soul, R&B ou hip-hop definem este “caminho”? 

Marta - Há um pouco de tudo, como na minha vida. Há dias em que ouço Ella Fitzgerald, outros em que ouço No Doubt. Vou ver um concerto da Dua Lipa e passado umas semanas vejo o Leon Bridges. Mas quis que Montebello fosse surpreendente: as pessoas conhecem-me do funk e da soul, da música mais festiva; e agora fazia sentido abrir outras portas, até porque o lugar onde estava representava tudo menos festa. Mas o alinhamento do disco também mostra que depois da angústia (Hole In My Soul) se pode terminar a dançar (The One For You). 

PR - Depois do disco, onde é que poderemos ver e ouvir as canções de “Montebello”? 

Marta - Acabei de chegar de Barcelona, onde tivemos a oportunidade incrível de mostrar este trabalho. Foi a primeira vez que atuei no estrangeiro e não podia ser mais especial do que fazê-lo com o meu próprio projeto. Estamos a preparar várias coisas para breve, a começar por Espinho, no dia 14 de Agosto. Nos últimos meses tivemos a oportunidade de mostrar os temas ao vivo em Braga, Lisboa, Porto, Coimbra, Vila Nova de Gaia… Não podia estar mais grata pelo feedback maravilhoso que tenho recebido.

Sem comentários:

/>