Portugal Rebelde - Depois de dar a cara (e a voz) pelos The Acoustic Foundation e de emprestar colaborações
de estúdio e de palco a projetos como AWSUM, Imagina ou Leopardskin, entre outros, este
projeto a solo é um “sonho” antigo?
Marta - Há vários anos que digo às pessoas que me rodeiam que haveria de ter um projecto em nome
próprio. A dinâmica das bandas, muitas delas em grande formato, continua a fazer sentido,
mas há fases em que aquilo que criamos é tão pessoal, tão íntimo, que deixa de caber em
lugares mais colectivos. Este era o momento de me mostrar ao público quase sem filtros e de
revestir isso de sonoridades que ainda não tinha conseguido explorar.
PR - “Montebello” o disco que acaba de apresentar é composto por doze temas, doze mergulhos
na intimidade. Que “viagem” é esta que nos propõe?
Marta - Em grande parte, trata-se de uma viagem a lugares mais negros, de dor e angústia, de
desgostos. Mas não é só: também há temas apaixonados e alegres, porque não há moedas de
uma só face. Escrevi as letras em momentos intensos e tentei que os instrumentais o
refletissem. Tentei não seguir o “normal” ou o “expectável” a nível de composição e deixar
que fossem as próprias canções a definir o caminho, como se tivessem (e têm) alma própria.
PR - O single de apresentação deste disco, “Give It To Me”, o veio a público no dia 8 de Março de
2021. Esta data tem um significado especial?
Marta - Tinha o disco pronto, estávamos em pandemia e
não sabia bem o que lançar nem quando lançar. Tratando-se um álbum de forte afirmação
feminina e com estórias comuns a tantas mulheres, achei que o Dia Internacional da Mulher
era a data certa para me revelar ao mundo.
PR - O disco arranca com a poderosa revolta de “Hole In My Soul” e termina a puxar um pezinho
de dança em “The One For You”. As influências neo-soul, R&B ou hip-hop definem este
“caminho”?
Marta - Há um pouco de tudo, como na minha vida. Há dias em que ouço Ella Fitzgerald, outros em
que ouço No Doubt. Vou ver um concerto da Dua Lipa e passado umas semanas vejo o Leon
Bridges. Mas quis que Montebello fosse surpreendente: as pessoas conhecem-me do funk e da
soul, da música mais festiva; e agora fazia sentido abrir outras portas, até porque o lugar onde
estava representava tudo menos festa. Mas o alinhamento do disco também mostra que
depois da angústia (Hole In My Soul) se pode terminar a dançar (The One For You).
PR - Depois do disco, onde é que poderemos ver e ouvir as canções de “Montebello”?
Marta - Acabei de chegar de Barcelona, onde tivemos a oportunidade incrível de mostrar este
trabalho. Foi a primeira vez que atuei no estrangeiro e não podia ser mais especial do que
fazê-lo com o meu próprio projeto. Estamos a preparar várias coisas para breve, a começar por
Espinho, no dia 14 de Agosto. Nos últimos meses tivemos a oportunidade de mostrar os temas
ao vivo em Braga, Lisboa, Porto, Coimbra, Vila Nova de Gaia… Não podia estar mais grata pelo
feedback maravilhoso que tenho recebido.

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