Quintetango é um quinteto de música de câmara que se dedica à interpretação da obra musical do compositor argentino Astor Piazzolla (1921-1992) - o “Nuevo Tango”. O quinteto nasceu em 2016 na continuidade de diversas parcerias artísticas entre os cinco músicos e professores do Conservatório de Música de Coimbra: André Madeira (Guitarra Clássica), Artur Fernandes (Concertina), Catarina Peixinho (Piano), Hugo Brito (Violino) e Miguel Calhaz (Contrabaixo). "Tangente", o disco de estreia do quinteto Quintetango é apresentado amanhã, dia 22 de Setembro no auditório do Conservatório de Música de Coimbra, (21.30h). Artur Fernandes é hoje meu convidado em "Discurso Direto".
Portugal Rebelde - Este disco de estreia mergulha no “tango nuevo” de Astor Piazzolla. Esta foi
uma forma de comemorar o centenário do nascimento do compositor
argentino?
PR - “Tangente” foi o título escolhido para o nome deste disco. Tangente, tem aqui
um duplo significado. Quer explicar-nos o sentido deste título?
Artur Fernandes - Sim, essa foi a intenção inicial: Fixar em gravação a nossa interpretação do
Tango Nuevo de Piazzolla fazendo coincidir no tempo com o centenário do seu
nascimento, ocorrido em 2021. Infelizmente, a perpetuação da pandemia não
nos permitiu esse desígnio. Entretanto, ocorreu em Julho deste ano a
comemoração do seu desaparecimento. Daí resulta o título: Desde o processo
de preparação até à edição, Tangente toca nestes dois eventos. Por outro lado,
Tanger é a ação de tocar um instrumento musical. Interessante ainda a
proximidade com a expressão “Tango” sendo, apesar de tudo, duas palavras
com raízes etimológicas bem distintas.
PR - Como é que chegaram à seleção das obras que compõem este “Quintetango”?
Artur Fernandes - O ponto de partida foi a suite “4 Estaciones Porteñas” - o reportório com que
iniciámos a nossa interpretação do Tango Nuevo, contemplando a Primavera
Porteña, Verano Porteño, Otoño Porteño e Invierno Porteño. Nos diversos
espetáculos que fizemos até 2020, fomos experimentando outras obras e a
escolha de “Concierto para Quinteto”, “Milonga del Angel” e “Soledad” resulta
de uma gestão entre o melhor contraponto, o nosso gosto e a eficácia artística.
PR - Concertina, violino, piano, guitarra e contrabaixo. Foi este o “caminho” que
traçaram para a nova abordagem do “tango nuevo” de Astor Piazzolla?
Artur Fernandes - Esta formação é quase decalcada do Quinteto Tango Nuevo: O Bandoneon é
feito pela Concertina e a Guitarra Elétrica substituída pela Guitarra Clássica. Por
outro lado o Contrabaixo originalmente é tocado com arco e no nosso caso é
feito em pizzicato. Estas questões resultam de uma reunião de pessoas, e dos
instrumentos que elas tocam, postas ao serviço de uma música que amam.
PR - Este disco será apresentado amanhã, dia 22 de Setembro, no Conservatório de
Música de Coimbra. O que é que o público pode esperar deste concerto?
Artur Fernandes - No dia 22 apresentaremos as sete obras constantes no Tangente e ainda
faremos a estreia de duas obras: “Michelangelo’70” e “Ressurección del Angel”.

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