04/04/2023

GLOCKENWISE | Discurso Direto

Foto: Renato Cruz Santos

Os Glockenwise formaram-se na margem. Na margem geográfica, em Barcelos, uma pequena cidade industrial no Minho, onde a ideia de passar pela vida com anseio de fazer música – ou qualquer outra arte, para o efeito – era, ainda nos anos 2000, relativamente exótica; e na margem estética, forjados na energia inconformista do punk, sempre pontuados por uma característica melancolia que serviu de fio condutor até à identidade sonora presente, e que os tem vindo a demarcar de classificações mais evidentes. Gótico Português é, se não um regresso, um olhar apreciativo da margem. Há um Portugal a fervilhar na margem, abundante em manifestações culturais interessantes e bizarras, rico e diverso em tradições visuais e orais. Onírico, criativo e surpreendente. Os Glockenwise são hoje os meus convidados em "Discurso Direto".
 
Portugal Rebelde - "Gótico Português", inicia-se com a ceramista Rosa Ramalho dizendo que sem barro não é ninguém. Os Glockenwise continuam a reclamar um lugar de forma clara a sua geografia? 

Glockenwise - Penso que tentamos apenas exprimir aquilo que sentimos e o que somos. Se ao fazê-lo parece que estamos a reclamar algo, isso é algo que nos escapa. 

PR - Ao longo do disco, ouvimos pequenos excertos de uma entrevista de Rosa Ramalho dada à RTP, que unem as oito canções de Gótico Português. Esta foi também uma forma de afirmar a identidade da banda? 

Glockenwise - Essa ideia apareceu já a meio do processo e acabou por fazer todo o sentido. Sintetiza na perfeição algumas das nossas idiossincrasias enquanto grupo. 

PR - Gótico Português, é um disco de dúvidas e questionamentos? 

Glockenwise - Penso que também tem algumas certezas lá para o meio (risos). Mas no geral, pode ser definido dessa forma 

PR - A estética visual deste disco pode ser resumida na imagem escolhida para a capa? 

Glockenwise - Tentamos que a capa fosse um resumo perfeito de todo o ambiente do disco. Nesse sentido, penso que fizemos uma escolha acertada. 

PR - O poeta Camilo Pessanha empresta a Gótico Português “Água Morrente”. Como é que surgiu esta vontade de musicar este poema de Camilo Pessanha? 

Glockenwise - Essa ideia na verdade é bem anterior ao disco. Quando começamos a trabalhar nestas canções, o Nuno relembrou essa ideia e acabou por funcionar muito bem. 

PR - Este disco vai ser apresentado no próximo dia 12 de Maio na Culturgest, em Lisboa e no dia 20 de Maio em Braga, no Gnration. O que é que o público pode espera destes concertos? 

Glockenwise - Temos andado a ensaiar bastante e penso que este alinhamento traz alguns elementos novos ao nosso concerto ao vivo. Estamos muito contentes com o que temos vindo a fazer e esperamos, obviamente, que as pessoas gostem também.

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