Arranca amanhã a terceira edição do Festival A Estrada. A edição de 2023, de 9 a 12 de Agosto, vem aprofundar e precisar o conceito original e pertinente do evento: a experiência de um território através de uma programação cultural com foco na música, ao longo da estrada que liga a Serra de São Francisco à linha de praias da Costa de Santo André, qual espinha dorsal entre a Serra e o Mar, serpenteando encosta abaixo pelo verde do montado e sempre com o azul do oceano em pano de fundo. O Festival A Estrada implementa-se ao longo de uma das estradas municipais mais bonitas de Portugal, a Estrada Municipal 544, situada numa das regiões com menor densidade populacional, onde o verde da floresta e o azul do mar são as manchas dominantes na imensidão das paisagens que se avistam da linha de festo da Serra de São Francisco. Carlos Gomes, diretor do Festival A Estrada é hoje meu convidado em "Discurso Direto".
Portugal Rebelde - A edição de 2023 do Festival A Estrada, que acontece de 9 a 12 de Agosto, vem aprofundar e precisar o conceito
original e pertinente deste evento?
Carlos Gomes - A edição de 2023, de 9 a 12 de Agosto, vem aprofundar e precisar o conceito original e pertinente do evento: a
experiência de um território através de uma programação cultural eclética e diversa, com foco na música, ao longo
da estrada que liga a Serra de São Francisco à linha de praias da Costa de Santo André, qual espinha dorsal entre a
Serra e o Mar, serpenteando encosta abaixo pelo verde do montado e sempre com o azul do oceano em pano de
fundo.
O Festival A Estrada implementa-se ao longo de uma das estradas municipais mais bonitas de Portugal, a Estrada
Municipal 544, situada numa das regiões com menor densidade populacional, onde o verde da floresta e o azul do
mar são as manchas dominantes na imensidão das paisagens que se avistam da linha de festo da Serra de São
Francisco.
A primeira edição do festival, em 2021, já delineva estas ideias de itinerância e atravessamento do território ainda
bastante condicionadas pela pandemia. No entanto ganhou logo, no primeiro ano, o prémio “Best New Festival –
National Winner” nos Iberian Festival Awards, acreditamos que em grande parte graças e essa originalidade
conjugada com uma programação única.
PR - O festival tem como premissas a itinerância da programação ao longo de lugares icónicos do território e o
enquadramento das suas propostas artísticas na paisagem. Quer falar-nos um pouco dos “palcos” que estão
preparados para este festival?
Carlos Gomes - Cada palco do festival é efetivamente montado num lugar icónico da região e com um carácter próprio.
O Palco Serra, no dia 10 de Agosto integra-se no recinto da antiga Corticeira de São Francisco, centro da aldeia de
São Francisco da Serra, com a sua chaminé de tijolo proeminente. Aqui as sonoridades tradicionais dialogam com a
contemporaneidade da paisagem em transformação e com as abordagens contemporâneas às tradições.
A noite começa com a apresentação de uma seleção de vídeos gravados por Tiago Pereira e a MPAGDP no
Concelho de Santiago do Cacém, Distrito de Setúbal. E depois atuam, Ana Lua Caiano, cruzando sonoridades
tradicionais com a música eletrónica; e Duarte, o multi-premiado fadista e o seu fado-psicológico, imbuído de
melancolia, contemporaneidade e profundidade.
No dia 11 de Agosto, o Palco muda-se para a Lagoa de Santo André, onde as propostas são mais experimentais e
em diálogo aberto com a natureza deslumbrante que as envolve. O cavaquinho indomável de Sílvio Rosado,
cruzando-se com o final do dia e a sua irreverência iluminada pela paisagem natural; uma seleção de filmes do
Festival Proyector de Videoarte de Madrid, até à passagem do crepúsculo para o mar de estrelas sobre a eira do
Monte do Paio. A liberdade da música e cultura ciganas captadas no filme “A Música Invisível”, de Tiago Pereira; a
catarse coletiva com a banda Rastafogo, potenciada pelas sonoridades tradicionais e dançantes do nordeste
brasileiro; o Folclore do Futuro dos Venga Venga, natural, tropical e extravagante; e finalmente o DJ Set de João
Melgueira, a fechar a noite e a fazer brilhar os astros.
No dia 12 a Estrada chega à Praia e termina no Lagoa ó Mar - Beach Lounge, este ano com uma programação
centrada em propostas com um carácter bem forte e muito assentes no percurso autoral, a solo, dos artistas : o
concerto-performance de Los Micromondos de Brass, uma proposta onde convergem a música e as artes visuais,
comandadas por um músico-saxofonista-palhaço que viaja pelo mundo com a sua mala de memórias. a voz doce,
sensual e emocionante de Luizga, em ambiente intimista e tranquilo, seguida da música produzida pela jovem
artista e produtora Momma T, misturando as influências do Blues, Soul e Funk com R&B, Hip-Hop e Jazz, cruzando
elementos acústicos e eletrónicos nos instrumentais que a acompanham, produzidos pela propria. O Festival
termina com um b2b dos DJs Vitor Belanciano e Xoices em modo de diálogo de entre dois melómanos, a
percorrerem as bandas sonoras das suas e das nossas vidas.
PR - Para além da música, que outras atividades estão preparadas entre a Serra de São Francisco e o mar da Costa de
Santo André?
Carlos Gomes - No dia 9 de Agosto, dia de São Romão, estão previstos dois momentos especiais, inaugurais do festival: um ao
princípio da manhã e outro ao final da tarde. Ao princípio da manhã, um passeio de bicicleta percorrendo a coluna
vertebral do território do festival, a Estrada Municipal 544, em movimento descendente, encosta abaixo,
serpenteando pelo montado, com o mar no horizonte, sempre à vista. Da Aldeia de São Francisco da Serra até à
Praia da Costa de Santo André, reavivamos de forma ecológica e plena de intencionalidade, a memória da
tradicional romaria da população serrana até à praia para o seu banho anual de mar. Qualquer um pode trazer a
sua bicicleta e fazer connosco o percurso, com direito a lanche, mediante uma inscrição previa e um pequeno
concerto surpresa.
Ao final da tarde, rematamos o primeiro dia do festival com uma conversa / jantar, num lugar mágico, com uma
vista deslumbrante sobre o território, a partir do Olival do Lagar do Parral e sobrevoando o montado até ao Oceano
Atlântico. A conversa será moderada por Miguel Bica da Plataforma Gerador e o jantar confecionado pelo Chef
David Vitorino aka “Brutus Food and Beer”, oriundo de Santiago do Cacém. Os convidados não podiam ser mais
diversos: Tiago Pereira, da MPAGDP; Vitor Belanciano, jornalista de música; João Abreu, do Museu da Paisagem; e
Luis Capitão, enólogo da Herdade do Cebolal. O tema da conversa será a relação, tão estimulante nestes tempos,
entre tradição e contemporaneidade. Nani Medeiros e João Pita, trazem para a mesa várias sonoridades do
mundo, e várias misturas das mesmas, das mais tradicionais, como o fado e o choro, a outras mais
contemporâneas, como a bossa nova e o samba-canção. Conversas no Montado, para um máximo de 30
comensais, mediante a compra de bilhete.
Haverão ainda outras atividades, como caminhadas no Salgueiral da Galiza e no Percurso do Barba Roxa, um
concurso de fotografia, com a curadoria do Museu da Paisagem, e um workshop de desenho de paisagem
ministrado por João Catarino, com três sessões, em três zonas distintas do território, seguindo o percurso da água,
da Serra até ao Mar, ao longo dos dias 11 e 12 de Agosto. Todas as informações no Site do Festival em
www.festivalaestrada.pt.
PR - Para terminar, 3 boas razões para estar presente no Festival A Estrada, que se realiza de 9 a 12 de Agosto entre
a serra e o mar .
Carlos Gomes - A natureza deslumbrante do território onde o festival se realiza, a sua programação diversa e única na forma como
se integra na paisagem de cada lugar onde o festival se realiza, os concertos de Ana Lua Caiano no Palco Serra, de
Venga Venga no Palco Lagoa e de Luizga no Palco Praia.

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