"Génese" é o novo disco dos Boémia. Catorze novas canções escritas por Rogério Oliveira que revisita acontecimentos do estado novo ao 25 de Novembro. Com o cariz popular, já característico do som dos Boémia e sob os astros dos nossos grandes cantautores, os arranjos ficaram a cargo de Marco Ferreira e a produção de José Salgueiro. Juntam-se a viva voz, para partilhar duas dessas novas canções, Fausto Bordalo Dias, na polémica temática da reforma agrária no tema “Zira” e Zeca Medeiros no conturbado 11 de Março em “A Míope Luneta”. Os Boémia são hoje meus convidados em "Discurso Direto".
Portugal Rebelde - O novo álbum dos Boémia, “Génese”, é uma celebração dos 50 anos do 25 de
Abril?
Boémia - Sim! Sem dúvida! É sobretudo uma celebração! O 25 de Abril é o acontecimento
do último século mais importante e transformador da nossa sociedade. A Génese da
nossa constituição! Nós quisemos meter mãos à obra e deste modo assinalar em
forma de disco este acontecimento dos 50 Anos.
O disco revisita acontecimentos do estado novo ao 25 de Novembro.
PR - Como é se sentiram ao cantarem estas histórias à distância de quase meio século?
Boémia - Estes quase 50 anos de distância já nos deixa algum conforto para analisar todos estes
acontecimentos! É sempre difícil analisar e retratar quando as coisas estão à flor da pele,
e são questões da vida das pessoas, que tiveram grande impacto. A diferença para os
dias de hoje é abismal, e todos nós, apesar de termos nascido pós 1974, conhecemos e
lidamos com pessoas que o viveram. E alguns destes acontecimentos são questões
sensíveis e deixaram marcas profundas até os dias de hoje! Como a guerra Colonial ou a
descolonização.
PR - Fausto e Zeca Medeiros são dois convidados muito especiais deste disco.
Como é que surgiu esta oportunidade?
Boémia - É verdade! É um grande privilégio para nós ter estes dois convidados no disco!
Toda a obra do Fausto é fundamental na música que fazemos, quando começamos a
fazer música, tomamos conhecimento deste “estilo popular”, se assim o quiserem
chamar, já com a transformação muitíssimo mais rica que o Fausto é responsável.
Existe uma música popular antes do Fausto! e uma outra, muito mais interessante,
transformada por ele! O Fausto é já um amigo de longa data que já participou em
outros trabalhos nossos e nós também já participamos nos dele. Portanto fazia todo o
sentido chamar o Fausto para este disco, até porque ele viveu estas histórias de perto.
O Zeca Medeiros, apesar de ser uma amizade mais recente, seguíamos o seu
trabalho há algum tempo. É um músico incrível autor de trabalhos únicos! Tem
características muito singulares como a voz e expressão que neste tema para que o
convidamos foi como uma cereja no cimo do bolo.
PR - Para terminar, depois da edição deste álbum, há intenções de levar as canções de
“Génsese” aos palcos nacionais?
Boémia - Sim!!! O que mais queremos é levar estas canções ao vivo às pessoas, este não é só um
trabalho para ouvir no 25 de Abril, conta histórias reais de pessoas reais em ambiente e
toada popular, em festa portanto! Estamos disponíveis para aceder aos convites para
levar estas histórias ao vivo de norte a sul do país, sem esquecer as ilhas claro!

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