17/09/2025

GUI GARRIDO | Discurso Direto

De 19 a 21 de setembro, o Castelo de Leiria transforma-se novamente num lugar de encontro e criação. Entre muralhas onde o tempo ecoa, o ÁGORA instala-se com uma programação intensa, condensada em apenas 3 dias. Uma programação livre e multidisciplinar, onde se cruza a música, performance, instalação e o património histórico-cultural da cidade de Leiria. Tal como nas edições anteriores, o bilhete habitual do Castelo de Leiria garante o acesso às atividades do ÁGORA, com lotação limitada à capacidade dos espaços. 

O acesso ao castelo é gratuito para residentes no concelho de Leiria, mediante apresentação de comprovativo de morada e identificação. ÁGORA é um projeto cultural, que ao longo de três dias, propõe um programa de música, artes performativas, instalações artísticas e ativa uma fruição e reflexão do património (i)material no seio do Castelo de Leiria. Gui Garrido, Curador do ÁGORA é hoje meu convidado em "Discurso Direto".

Portugal Rebelde - De 19 a 21 de setembro, o Castelo de Leiria transforma-se novamente num lugar de encontro e criação. Entre muralhas onde o tempo ecoa, o ÁGORA instala-se com uma programação intensa, condensada em apenas 3 dias. Encontro e criação são a "chave" para mais uma edição do ÁGORA? 

Gui Garrido - Acreditamos que a criação de lugares e espaços de encontro são sempre a base para o desenvolvimento dos nossos projetos, e é a partir desse tempo em conjunto, que nascem novas formas de estar, escutar, dialogar e consequentemente, continuar a fazer. São diversas as propostas de criação que fazem parte do programa, proporcionando aos artistas e público, lugares de intimidade para a partilha das mesmas, e acreditamos que é nessa escala de proximidade, que se potencia outras formas de encontro durante os três dias do Ágora. A criatividade, o pensamento crítico, a multiplicidade de linguagens, a generosidade de tanto o público como os artistas, são premissas fundamentais para que consiga fruir o Castelo de Leiria e o Ágora na sua plenitude. 

PR - Uma programação livre e multidisciplinar, onde se cruza a música, performance, instalação e o património histórico-cultural da cidade de Leiria. Quer falar-nos um pouco sobre o que vai acontecer de 19 a 21 de setembro no ÁGORA? 

Gui Garrido - A visitação ao Castelo de Leiria, é por si só um programa cultural carregado de histórias e que nos leva por distintos caminhos, espaços e tempos. Tentámos criar um programa com diversas propostas artísticas que nos permitam viajar por diversos lugares emocionais, dentro das micro realidades que encontramos no Castelo de Leiria: as vistas, as muralhas, a vegetação, a acústica, a arquitetura, todos estes elementos dialogam com os artistas e com o público, criando espaços de proximidade, reflexão e de nos permitam vislumbrar horizontes de esperança e resiliência, que tão necessários são no momento atual do mundo. Estamos muito felizes por ter nomes como Abdullah Miniawy, que apresentará o seu novo espectáculo “The Evens, Rhama”, a artista indo-americana Sheherazaad, que criou novas roupagens para se despedir do seu disco “Qasr” (que quer dizer fortaleza), ou Lyra Pramuk, com o seu último trabalho “Hymnal”. Desejamos que o público possa fruir deste programa multidisciplinar de 3 dias, carregado de histórias de diversas partes do mundo, que cruzam discursos e linguagens, e que possam enriquecer o património imaterial que é estarmos aqui no agora, com vontade de criar um presente e futuro melhor. 

PR - Tó Trips & Fake Latinos, Memória de Peixe, o percussionista Pedro Almiro, e Raquel André, são as grandes apostas da produção nacional? 

Gui Garrido - O programa conversa entre ele como um todo, com as propostas nacionais e internacionais a criarem um discurso plural e diverso. Aos nomes mencionado, juntam-se também a Joana Guerra e Yaw Tembe, que irão também apresentar o seu novo disco “Orogénese”, e convidámos a artista visual Bárbara Paixão e o sonoplasta Artur Pispalhas para criarem uma instalação artística nas cisternas do Castelo. Acreditamos que estes artistas, de diversas geografias do território nacional e de gerações distintas, têm um trabalho que se enquadra na dramaturgia do Ágora, de forma a consolidar a nossa proposta de fruição para o público que irá ver, ouvir e sentir todas as manifestações artísticas, no especial património que é o Castelo de Leiria. 

PR - Para terminar, indique 3 razões para marcar presença na edição 2025 do ÁGORA? 

Gui Garrido - Ter como cenário para este programa artístico, o Castelo de Leiria, é sem dúvida uma das maiores razões para subir a colina e marcar presença no Ágora. Gostamos sempre de acreditar na generosidade e curiosidade do público, que dão o seu bem mais precioso, o seu tempo, para descobrir e viver novas experiências, serem confrontados com outras linguagens e fazer parte desta descoberta conjunta. E por fim, dizemos que acreditamos profundamente que a arte e a cultura, são ferramentas essenciais para ocorrer transformação e mudança, e no momento atual do mundo, é fundamental que consigamos operar mudanças para criar um mundo mais diverso, plural e empático. Importa também dizer, que cabe a cada um encontrar as suas razões, perceber o seu lugar como indivíduo no coletivo, para que possamos continuar a trilhar caminhos em que construímos mais pontes do que muralhas.

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