16/02/2026

MARIA LEÓN | Discurso Direto

Maria León regressa em 2026 com o seu terceiro álbum a solo intitulado Brumas do Luar – Lisboa, Mar e Alma, com uma sonoridade dentro da esfera da World Music (Músicas do Mundo), dando ênfase aos instrumentos acústicos nela inseridos. Um trabalho que surge no seguimento da expressão da sua maturidade artística e procura da autenticidade. Maria León é hoje minha convidada em "Discurso Direto".

Portugal Rebelde - A que se fica a dever a escolha de “Brumas do Luar – Lisboa, Mar e Alma” para título deste novo disco? 

Maria León - Este título nasce muito do meu imaginário noturno, dado que a maior parte das canções foram compostas à noite. As “brumas” representam precisamente essas músicas, que vivem na sombra, num lugar mais interior e contemplativo. Lisboa tem a ver com as minhas origens, ao lugar onde nasci, e também a esse romantismo literário tão próprio da cidade. Independentemente de onde vivamos, o lugar onde nascemos marca-nos profundamente e faz parte da nossa identidade.O mar surge como um elemento central; fascina-me pela sua força enquanto metáfora poética que nos atravessa ao longo dos séculos. É uma presença ligada à contemplação interior e simboliza não só a nossa nacionalidade, mas também a nossa totalidade enquanto portugueses, num movimento permanente entre o sonho, a saudade e o imaginário coletivo que herdámos da nossa história e das descobertas feitas através do mar. A alma, é essa identidade mais profunda a que nos acompanha também ao longo dos séculos, esse sentir puramente português que oscila entre a melancolia, a tristeza e a alegria, emoldurada pela saudade, fé e inquietação, ilustrando também essa insatisfação permanente, como uma esperança lírica quase onírica, sobre quem somos afinal na realidade atual e quem seremos no futuro enquanto nação. Daí que quis trazer todos esses estados emocionais para o disco como pequenas histórias, quase como personagens literárias, onde o amor, em sentido figurado, é sempre o centro da poesia cantada. 

PR - No alinhamento do álbum destacam-se colaborações com Carlos Maria Trindade e Rodrigo Leão. Quer falar-nos um pouco mais dessas participações? 

Maria León - Estas participações não surgem ao acaso. Nasceram de uma vontade muito consciente de trabalhar com artistas e criadores de exceção, pessoas que conheço há muitos anos e com quem partilho afinidades humanas e artísticas. Sempre senti que compreenderiam naturalmente a linguagem estética e emocional que queria dar a este disco. O Carlos Maria Trindade assumiu a responsabilidade da maioria dos arranjos e participou também como autor/compositor de dois temas. Sou grande admiradora do seu percurso, e quis trazer para este trabalho o seu lado mais clássico e contemplativo, um lado autoral menos conhecido, mas que se encaixa perfeitamente neste universo feminino e de “alma portuguesa” que atravessa o disco. Houve uma grande sintonia emocional na forma como estas canções foram trabalhadas. Dai que nesta sequência de cumplicidades de longa data, convidei Rão Kyao, um ícone da nossa portugalidade mais tradicional, para dar um encanto especial também a um dos temas de Carlos Maria Trindade” E tão imóvel me deixo “ trazendo uma dimensão poética e intemporal acrescentando uma respiração ilustrativa muito própria no universo deste tema, assim como a participação especial de Pedro Jóia, dando uma sonoridade clássica e ibérica ao segundo tema autoral de Carlos Maria Trindade, “Ao Deus Dará”. Com o Rodrigo Leão foi, de facto, um sonho realizado. É um artista profundamente conceptual, um condensador de universos estéticos intemporais, sempre com uma portugalidade muito presente, desde a mitológica, clássica e urbana. Inicialmente eu queria interpretar um tema seu, mas acabou por surgir a oportunidade de trabalharmos juntos em coautoria, o que tornou tudo ainda mais especial, onde surgiu o tema “ Miragem” . Trabalhar dentro do seu universo, foi muito livre e inspirador, e os arranjos do Carlos Maria Trindade, criaram sem dúvida, uma belíssima simbiose artística entre estes dois mundos. 

PR - Neste álbum apresenta também temas em parceria com o seu irmão Pedro León. De que nos falam essas canções? 

Maria León - Estes dois temas escritos com o meu irmão Pedro León, canções são um pequeno espaço no disco que eu reservei ao mundo da MPB, chamado Lisboa Bossa, como regressando um pouco às origens, representando os tempos em que eu e o meu irmão vivíamos em Lisboa, em casa dos meus pais e onde ouvíamos muita música diversa, e onde um dos géneros era MPB. O meu irmão sempre teve uma ligação muito especial a esse universo, continuando, ainda hoje, a tocar muitos dos clássicos. Os dois temas falam de um amor frágil de quem se sente num estado mais frágil, quando parece que um ama mais que o outro, amores não correspondidos na mesma medida. São quase pequenos poemas narrativos, como capítulos de um livro que se têm de fechar, onde coexistem saudade, desamor e despedida. 

PR - Este disco é apresentado ao vivo no Coliseu Club, no próximo dia 15 de abril. O que é que o público pode esperar deste concerto? 

Maria León - Neste concerto quero, acima de tudo, reproduzir o espírito do disco: as emoções, os sentimentos e uma ligação direta e próxima com o público. Será um concerto intimista, onde a palavra é cantada como poesia e cada frase tem um peso emocional. Quero que o público sinta que estas histórias também poderiam ser suas, como quando se lê um livro ou se bebe um café no seu espaço privado. É um disco português, para portugueses, pensado num sentir português genuíno, sem grandes artifícios, onde os instrumentos soam de forma orgânica e natural, sem excessos de produção, privilegiando a autenticidade da nossa realidade. A sonoridade assenta na naturalidade da voz e dos instrumentos, tendo o piano clássico e o violoncelo como principais motes estéticos e instrumentais deste trabalho. Acompanham-me em concerto: Emanuel de Andrade ( Piano e direção musical) Carlos Tony Gomes ( Violoncelo) Thomas Zellner ( Guitarra Acústica) Leopoldo Gouveia ( Baixo) Sebastian Scheriff ( Percussões) - Convidados confirmados para este concerto: Carlos Maria Trindade, Pedro Jóia e Pedro León.

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