De 15 a 23 de agosto de 2026, Figueiró dos Vinhos transforma-se num palco multidisciplinar de arte urbana, música, residências artísticas e projetos comunitários sob o mote "As Linhas que nos Vestem". O aclamado festival Fazunchar volta a apostar convictamente na descentralização territorial e no envolvimento ativo dos cidadãos, cruzando o património histórico e cultural local com a criação artística contemporânea. Anabela Santos da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos é hoje minha convidada em "Discurso Direto" para nos apresentar a edição de 2026 do Fazunchar.
Portugal Rebelde - “As Linhas que nos Vestem” é o mote para mais uma edição do Fazunchar. Quer explicar-
nos um pouco mais deste conceito?
Anabela Santos - Sob o mote “As Linhas que nos Vestem”, a edição de 2026 celebra a identidade cultural local,
inspirando-se fortemente no património, nas memórias e nas texturas industriais e históricas
de Figueiró dos Vinhos. É a partir dessas referências que o festival procura olhar para o
território e perceber de que forma as histórias, os lugares, as pessoas e os saberes que o
constituem continuam a marcar aquilo que somos.
As “linhas” são, neste sentido, uma forma de falar das diferentes camadas que compõem o
território: as linhas que desenham as paisagens, as casas e as ruas, mas também as linhas das
memórias, dos percursos, dos ofícios, dos tecidos e das relações que se foram construindo ao
longo do tempo. E “vestir” é precisamente dar corpo a essa identidade, trazê-la para o
presente e reinterpretá-la através da criação artística.
Ao longo desta edição, essas linhas cruzam-se com diferentes linguagens e disciplinas. Murais,
esculturas, desenho, fotografia, ilustração, têxteis, artesanato, música e criação comunitária
vão ocupar diferentes espaços do concelho, estabelecendo diálogos entre o património e a
contemporaneidade.
Mais do que um tema que se encerra numa imagem ou numa ideia, “As Linhas que nos
Vestem” é um convite a olhar para Figueiró dos Vinhos através das suas múltiplas camadas e a
perceber como a arte pode ajudar a revelar, reinterpretar e valorizar aquilo que nos identifica.
Através de um cartaz rico e multidisciplinar, as ruas e freguesias do município transformam-se,
uma vez mais, num palco de criação, encontro e participação.
PR - O festival volta a apostar convictamente na descentralização territorial e no envolvimento
ativo dos cidadãos. Como é que tudo isto se vai desenvolver?
Essa é uma das dimensões fundamentais desta edição.
Anabela Santos - O FAZUNCHAR quer continuar a levar a
criação artística para diferentes espaços do concelho, fazendo com que o festival seja vivido
para além de um único lugar e chegando também às freguesias.
A descentralização acontece através de diferentes propostas: das intervenções artísticas às
visitas guiadas, passando pelas oficinas, pelo projeto comunitário e pela própria programação
que se distribui pelo território.
Mas é igualmente importante o envolvimento das pessoas. Queremos que os cidadãos possam
participar nos processos, contactar diretamente com os artistas e contribuir para a construção
das experiências que acontecem durante o festival.
Temos, por exemplo, propostas de carácter intergeracional, onde se cruzam artes plásticas,
têxteis e histórias de vida locais, e temos também as residências artísticas, que colocam os
criadores em contacto direto com o território.
A nossa intenção é que a arte não seja apenas algo que se observa, mas algo que se
experimenta, se partilha e se constrói em conjunto.
PR- A música no Fazunchar tem como protagonistas Noiserv, Zarko, DJ Ivo.I.AM e DJs Demi
Johns. Quer falar-nos um pouco destas apostas?
Anabela Santos - A música é mais uma das dimensões que integra esta edição multidisciplinar do FAZUNCHAR e
que ajuda a criar diferentes momentos de encontro ao longo do festival. Também aqui
procurámos cruzar diferentes gerações, percursos e relações com o território.
O regresso de Noiserv representa, de certa forma, uma continuidade: é um artista que já
passou pelo território e que regressa agora ao FAZUNCHAR, reencontrando um público e um
lugar com os quais já existe uma relação.
Por outro lado, Zarko surge como uma das novidades desta edição, trazendo uma geração
mais jovem e um projeto que tem vindo a afirmar-se e a crescer no panorama nacional. É uma
aposta num artista em expansão, que permite também ao festival acompanhar novas
linguagens e novas formas de expressão musical.
A programação cruza ainda estas propostas com DJ Ivo.I.AM e os DJs Demi Johns, artistas com
uma ligação mais próxima ao território, residentes na região. São presenças que reforçam essa
dimensão de proximidade e de valorização de quem cria, trabalha e vive aqui perto.
São, por isso, diferentes formas de relação com o FAZUNCHAR e com o território: o regresso
de quem já cá esteve, a descoberta de novos nomes em crescimento e a presença de artistas
da região. E é precisamente esse cruzamento que procuramos na programação do festival.
A música junta-se assim aos murais, às esculturas, às residências, às oficinas, às exposições, às
visitas e à Roda de Conversas, não como um elemento isolado, mas como parte de uma
programação que procura cruzar linguagens, pessoas e experiências e fazer do território um
espaço de encontro e criação.
PR - Para terminar, três boas razões para não perder a edição de 2026 do Fazunchar.
Anabela Santos - Diria que a primeira razão é a diversidade da programação. Há propostas para diferentes
públicos e diferentes formas de viver a arte: murais, esculturas, residências, workshops,
oficinas, projeto comunitário, exposições, visitas guiadas, mercado de autor, conversas e
música.
A segunda é a possibilidade de descobrir Figueiró dos Vinhos através de outros olhares. Os
artistas vão trabalhar a partir do território, das suas características, memórias e referências, e
isso permite-nos olhar para espaços que conhecemos com uma perspetiva diferente.
E a terceira é a dimensão humana do festival. O FAZUNCHAR constrói-se no encontro entre
artistas, comunidade, visitantes e diferentes gerações. É essa participação e essa troca que dão
sentido a um festival que procura levar a arte para o espaço público e aproximá-la das pessoas.
Por isso, entre 15 e 23 de agosto, há muitas linhas para seguir em Figueiró dos Vinhos.
Algumas já conhecemos. Outras vão ser traçadas durante o próprio festival.

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