13/08/2026

ANABELA SANTOS | Discurso Direto

De 15 a 23 de agosto de 2026, Figueiró dos Vinhos transforma-se num palco multidisciplinar de arte urbana, música, residências artísticas e projetos comunitários sob o mote "As Linhas que nos Vestem". O aclamado festival Fazunchar volta a apostar convictamente na descentralização territorial e no envolvimento ativo dos cidadãos, cruzando o património histórico e cultural local com a criação artística contemporânea. Anabela Santos da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos é hoje minha convidada em "Discurso Direto" para nos apresentar a edição de 2026 do Fazunchar. 

Portugal Rebelde - “As Linhas que nos Vestem” é o mote para mais uma edição do Fazunchar. Quer explicar- nos um pouco mais deste conceito? 

Anabela Santos - Sob o mote “As Linhas que nos Vestem”, a edição de 2026 celebra a identidade cultural local, inspirando-se fortemente no património, nas memórias e nas texturas industriais e históricas de Figueiró dos Vinhos. É a partir dessas referências que o festival procura olhar para o território e perceber de que forma as histórias, os lugares, as pessoas e os saberes que o constituem continuam a marcar aquilo que somos. As “linhas” são, neste sentido, uma forma de falar das diferentes camadas que compõem o território: as linhas que desenham as paisagens, as casas e as ruas, mas também as linhas das memórias, dos percursos, dos ofícios, dos tecidos e das relações que se foram construindo ao longo do tempo. E “vestir” é precisamente dar corpo a essa identidade, trazê-la para o presente e reinterpretá-la através da criação artística. Ao longo desta edição, essas linhas cruzam-se com diferentes linguagens e disciplinas. Murais, esculturas, desenho, fotografia, ilustração, têxteis, artesanato, música e criação comunitária vão ocupar diferentes espaços do concelho, estabelecendo diálogos entre o património e a contemporaneidade. Mais do que um tema que se encerra numa imagem ou numa ideia, “As Linhas que nos Vestem” é um convite a olhar para Figueiró dos Vinhos através das suas múltiplas camadas e a perceber como a arte pode ajudar a revelar, reinterpretar e valorizar aquilo que nos identifica. Através de um cartaz rico e multidisciplinar, as ruas e freguesias do município transformam-se, uma vez mais, num palco de criação, encontro e participação. 

PR - O festival volta a apostar convictamente na descentralização territorial e no envolvimento ativo dos cidadãos. Como é que tudo isto se vai desenvolver? Essa é uma das dimensões fundamentais desta edição. 

Anabela Santos - O FAZUNCHAR quer continuar a levar a criação artística para diferentes espaços do concelho, fazendo com que o festival seja vivido para além de um único lugar e chegando também às freguesias. A descentralização acontece através de diferentes propostas: das intervenções artísticas às visitas guiadas, passando pelas oficinas, pelo projeto comunitário e pela própria programação que se distribui pelo território. Mas é igualmente importante o envolvimento das pessoas. Queremos que os cidadãos possam participar nos processos, contactar diretamente com os artistas e contribuir para a construção das experiências que acontecem durante o festival. Temos, por exemplo, propostas de carácter intergeracional, onde se cruzam artes plásticas, têxteis e histórias de vida locais, e temos também as residências artísticas, que colocam os criadores em contacto direto com o território. A nossa intenção é que a arte não seja apenas algo que se observa, mas algo que se experimenta, se partilha e se constrói em conjunto. 

PR- A música no Fazunchar tem como protagonistas Noiserv, Zarko, DJ Ivo.I.AM e DJs Demi Johns. Quer falar-nos um pouco destas apostas? 

Anabela Santos - A música é mais uma das dimensões que integra esta edição multidisciplinar do FAZUNCHAR e que ajuda a criar diferentes momentos de encontro ao longo do festival. Também aqui procurámos cruzar diferentes gerações, percursos e relações com o território. O regresso de Noiserv representa, de certa forma, uma continuidade: é um artista que já passou pelo território e que regressa agora ao FAZUNCHAR, reencontrando um público e um lugar com os quais já existe uma relação. Por outro lado, Zarko surge como uma das novidades desta edição, trazendo uma geração mais jovem e um projeto que tem vindo a afirmar-se e a crescer no panorama nacional. É uma aposta num artista em expansão, que permite também ao festival acompanhar novas linguagens e novas formas de expressão musical. A programação cruza ainda estas propostas com DJ Ivo.I.AM e os DJs Demi Johns, artistas com uma ligação mais próxima ao território, residentes na região. São presenças que reforçam essa dimensão de proximidade e de valorização de quem cria, trabalha e vive aqui perto. São, por isso, diferentes formas de relação com o FAZUNCHAR e com o território: o regresso de quem já cá esteve, a descoberta de novos nomes em crescimento e a presença de artistas da região. E é precisamente esse cruzamento que procuramos na programação do festival. A música junta-se assim aos murais, às esculturas, às residências, às oficinas, às exposições, às visitas e à Roda de Conversas, não como um elemento isolado, mas como parte de uma programação que procura cruzar linguagens, pessoas e experiências e fazer do território um espaço de encontro e criação. 

PR - Para terminar, três boas razões para não perder a edição de 2026 do Fazunchar. 

Anabela Santos - Diria que a primeira razão é a diversidade da programação. Há propostas para diferentes públicos e diferentes formas de viver a arte: murais, esculturas, residências, workshops, oficinas, projeto comunitário, exposições, visitas guiadas, mercado de autor, conversas e música. A segunda é a possibilidade de descobrir Figueiró dos Vinhos através de outros olhares. Os artistas vão trabalhar a partir do território, das suas características, memórias e referências, e isso permite-nos olhar para espaços que conhecemos com uma perspetiva diferente. E a terceira é a dimensão humana do festival. O FAZUNCHAR constrói-se no encontro entre artistas, comunidade, visitantes e diferentes gerações. É essa participação e essa troca que dão sentido a um festival que procura levar a arte para o espaço público e aproximá-la das pessoas. Por isso, entre 15 e 23 de agosto, há muitas linhas para seguir em Figueiró dos Vinhos. Algumas já conhecemos. Outras vão ser traçadas durante o próprio festival.

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