14/12/2013

ERMO | Discurso Direto


Em tempo de Aniversário, recebemos hoje no Portugal Rebelde os bracarenses Ermo, um duo formado em 2011 por António Costa e Bernardo Barbosa que, apesar da acentuada juventude dos seus membros, ostenta uma originalidade bem vincada, tanto mais surpreendente quanto rara nestes tempos hegemónicos em que a formatação e as imitações ditam as regras.
  
E se é um mistério a individualização e sobrevivência de Portugal enquanto nação secular, contra todas as evidências e as lógicas mais sensatas, não deixa também de o ser a competência e a imaginação necessárias para a concepção de um bom disco – como este “Vem Por Aqui”. Faixa a faixa, os Ermo desvendam o seu mais recente trabalho, um disco que está disponível para download gratuito no site da Optimus Discos.

Eu vi o Sol - Serve como música introdutória ao álbum. É um tema de esperança que pretende ilustrar a claridade pelo seu negativo. Dá também o mote ao álbum, nos últimos versos deixando também clara a ideia que queremos deixar com este disco.

Correspondência - Uma carta de amor e ódio a Portugal. Ilustra um pouco o sentimento ambivalente que temos pelo nosso país e que, certamente, tantas outras pessoas também têm, mostrando que podemos odiar Portugal de tanto o amar.

Macau - É um tema que tenta mostrar um pouco como vemos a antiga realidade colonial portuguesa. Achamos bonita a ideia de haver um pouco de nós em vários sítios do mundo e esta canção canta a pegada portuguesa no mundo.

Porquê - Quisemos fazer uma música que fosse também uma pergunta. Que mostrasse que o povo português é uma entidade que se pensa imenso e que gosta de se espelhar em várias realidades, mesmo muitas vezes não gostando do que vê no seu reflexo.

Primavera - Mais que um tema que aborda a infância, é um também um tema que pode ser interpretado de várias formas. Tanto ao nível pessoal de cada um como a nível colectivo de um país primariamente nostálgico da sua infância colectiva.

Fronteira - Foi o primeiro tema que compusemos para este álbum. Fronteira pela sua letra que surge como um novo cantar da imigração e por ter sido basilar na transição do tipo de som que fazíamos antes deste disco e agora.

Projéctil - É uma música sobre um espaço bracarense onde se deu a nossa génese. A letra é bastante explicativa. “Melhor lugar de Braga, pior lugar do mundo”.

Pangloss - Inspirada na personagem de Voltaire, homónima do tema, pretende transmitir um pouco o espírito “panglossiano”, por assim dizer que o país nos impinge. Mandamos calar e comer, que é o que nos pedem para fazer. Impingimos que ninguém tem fome, porque toda a gente tem. Dizemos que tudo correrá bem, porque não é verdade.


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