"Era um segredo, uma força que não podia já pertencer a poucos. Num mundo de aparências e jogos de espelhos, faz sempre falta a força de uma verdade. Faz falta o fado de António Pelarigo.
Nem será preciso gostar de fado para sentir a invasão da alma que a voz de Pelarigo provoca: aquele timbre está carregado de vida, de excesso de vida. De alguém que não teve medo de embarcar nos dias e acolheu com a mesma força bonança e tempestade.
Durante muito tempo este filho de avieiros reservou para si e quem o queria ouvir a terrível beleza do seu fado. Pelarigo, homem livre e de vários ofícios, nunca cedeu a ser "artista", apesar do respeito e insistência dos seus pares, como Jorge Fernando ou João Ferreira Rosa.
Até agora. Até ao momento em que José Cid, com a sensibilidade fadista há muito apurada, desafia Pelarigo para um primeiro disco em nome próprio.
Este é o resultado: um conjunto de fados que corteja a herança e a mudança, com a voz de Pelarigo a tudo unir com a sua verdade que cheira a Tejo e vida. Esta voz é vida em estado puro. E logo, esta voz só poderia ser fado." (Nuno Miguel Guedes)
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