18/10/2014

CHOQUE EM CADEIA | Discurso Direto


Quatro amigos de infância juntaram-se em 2009 para formar uma banda rock. Com apenas 13 anos de idade, começaram a partilhar - primeiro no quarto de um deles e depois em estúdio - os sons que lhes iam na cabeça e a encontrar uma linguagem comum. Tocaram em festas de escolas, de faculdade, eventos municipais, um pouco por todo o lado. Cantavam em inglês, porque era essa a língua das bandas que mais os apaixonavam (Jimmy Hendrix, Nirvana, Rolling Stones e The Strokes), mas depressa passaram a cantar em português. Era a língua que fazia sentido para retratar a vida deles, dos jovens portugueses. Em 2014, puseram os "Pés na Estrada" e gravaram o seu primeiro álbum , um disco que procura retratar a vida em Portugal, em português.

Portugal Rebelde - Antes de mais, como é quatro amigos de infância se juntam para pôr os “pés na estrada”?

Choque em Cadeia - Desde cedo que sentimos vontade de fazer música. Aos 13 anos começámos a tocar juntos e logo no primeiro ensaio começámos a fazer músicas originais, nunca fomos uma banda muito dada a covers. Com o passar do tempo, fomos evoluindo, sobretudo por causa dos concertos que fomos dando e quando encontrámos o som que procurávamos, decidimos gravar o "Pés na Estrada". É um álbum que nasce graças ao palco.

PR - “Uma banda de rock, sem artifícios nem “manias”, que procura retratar a vida em Portugal, em português.” Este é o melhor cartão de visita dos Choque em Cadeia?

Choque em Cadeia - De facto, achamos que não temos muitos artifícios nem manias. Fazemos música por impulso, é quase como uma necessidade natural que temos de criar novas canções. A simplicidade também é muito importante para nós. Não estamos preocupados em fazer algo muito complexo nem demasiado produzido só porque sim. Simplesmente deixamos que a música nos leve e tentamos sempre manter viva a sua essência. De qualquer maneira, achamos que a melhor maneira de nos conhecer não pode ser uma frase, mas sim ouvir-nos a tocar, de preferência ao vivo!

PR - “Deixa Rolar” é o single de apresentação do álbum “Pés na Estrada”. Este é o tema que melhor define o espírito deste primeiro disco?

Choque em Cadeia - É difícil para nós escolher o tema que melhor define o espírito do disco. Mas achamos que o "Deixa Rolar" se enquadra bem naquilo que é o "Pés na Estrada". É uma música simples de Rock, que transmite uma atitude e uma maneira de estar com a qual nos identificamos.
Talvez seja um bocado o cliché do "It's only Rock'n'Roll but i like it". Seja como for, estamos a pensar em lançar mais singles nos próximos tempos, queremos rodar o máximo de músicas possível.

PR - Numa frase apenas como caracterizam o álbum “Pés na Estrada”?

Choque em Cadeia - "A liberdade é a nossa maior invenção", é uma frase que está presente no disco, no "Nada a Perder". Até chegámos a pensar em pô-la como título do disco...

PR - Depois da edição do álbum, haverá tempo para pôr os “pés na estrada” e apresentar as canções deste disco ao vivo?

Choque em Cadeia - Sem dúvida! Nós sabemos que estas músicas resultam muito bem ao vivo, até porque, como já dissemos, o disco nasceu muito graças à experiência que fomos ganhando com os concertos. Para além disso o que nós gostamos mais é de tocar ao vivo, não somos propriamente uma banda de estúdio. Vemos o processo de gravação como uma etapa necessária para tocar ao vivo e agora que essa etapa está ultrapassada, estamos ansiosos por ir para a estrada. Brevemente anunciaremos as primeiras datas!

PR - Para terminar, enquanto membros de uma geração que enfrenta problemas bem reais como o desemprego e a "fuga” para o estrangeiro, ainda acreditam que a cantiga é uma arma?

Choque em Cadeia - Sim, hoje, mais do que nunca, a música pode ser uma forma de denunciar o que está mal e de juntar as pessoas à volta de um ideal. Mas também é preciso que haja mais pró-atividade e menos apatia em relação a muitas coisas que estão a acontecer. Tem de ser a nossa geração a preocupar-se com o seu futuro e, sobretudo, não podemos aceitar que nos mandem para o estrangeiro como se fôssemos um mero número numa estatística qualquer.

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