19/10/2014

ROGÉRIO CHARRAZ | Discurso Direto


“Espelho” é o título do segundo disco de Rogério Charraz. O sucessor de “A Chave” confirma a maturidade e a versatilidade de um compositor que aborda com o mesmo à vontade o amor ou a crítica social, e que explora vários ambientes musicais. Do folk ao rock, da morna ao reggae, são muitas as cores que transparecem da música de Rogério Charraz.

Portugal Rebelde - Quando olha para este seu segundo disco, revê-se por inteiro na imagem sonora que ele reflete?

Rogério Charraz - Completamente, daí a ideia de lhe chamar “Espelho”. Por outro lado espero também que as pessoas se revejam em algumas das emoções que ali são partilhadas.

PR - “Espelho” conta com a participação de alguns convidados: Luanda Cozetti, Sensi, Dany Silva e Miguel Calhaz. Do folk ao rock, da morna ao reggae, são estas as “cores” que fazem deste trabalho um álbum mais versátil?

RC - Creio que “A chave” já era um álbum versátil e diversificado do ponto de vista sonoro e estético. Este segue esse caminho, que no fundo é a minha verdade, no sentido em que como ouvinte também gosto de vários estilos de música.

PR - O Amor e a crítica social, são os temas que uma vez mais estão refletidos neste “Espelho”?

RC - Como outros: a amizade, o erotismo, a humildade... no fundo as canções falar daquilo que vou sentido e que quero transmitir em determinado momento da minha vida. Creio que este “Espelho” reflete o bom momento pessoal que atravesso e o momento difícil com que o País se debate.

PR - “Porto de Abrigo” foi a canção escolhida para apresentar este disco. De que é que nos fala este tema?

RC - Na verdade foi o segundo tema. Já tínhamos mostrado nos últimos meses “A febre do passado”, que fala das pessoas que vivem com a mágoa de não ter arriscado seguir as suas paixões e a sua vocação, refugiando-se na parte mais prática e economicista da vida. Já o “Porto de Abrigo” fala dos locais a que voltamos sempre, e que com o passar dos anos passam a fazer parte da nossa vida, assim como nós passamos a fazer parte da identidade desses espaços. Fiz esta canção a pensar na “Taverna dos Trovadores”, meu porto de abrigo há mais de quinze anos...

PR - A apresentação ao vivo das canções de “Espelho” vai passar entre outros pelos palcos do Centro Cultural Olga Cadaval (Sintra), Casino da Figueira da Foz e Teatro Garcia Resende (Évora). O que é que o público pode esperar destes concertos?

RC - O espectáculo tem para nós o desafio de encaixar num formato quinteto toda a diversidade de sons que estão registados em disco, e que não nos é possível transportar para o palco: guitarra portuguesa, quarteto de cordas, sopros, percussão, etc. Por outro lado existe a energia e cumplicidade da banda, e a respiração do público, que fazem sempre tudo soar de maneira diferente em cada noite. Do ponto de vista do alinhamento, tocaremos as novas canções, sem esquecer as mais emblemáticas de “A Chave”.

PR - Para terminar, que emoções espera que as pessoas vejam refletidas neste “Espelho?

RC - Nunca se deve esperar a reação do público, porque é sempre inesperada. Acima de tudo espero que as pessoas sintam e me comuniquem o que sentem. Se for de forma genuína, aceito sempre as boas e as más críticas, até porque não tenho a presunção de querer agradar a toda a gente...

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