Longe dos tempos em que se estreou na série “Morangos Com Açucar”, Fernando Fernandes, FF, é a voz das canções de Saffra, revelando, pela primeira vez, a sua essência enquanto cantor e compositor naquele, que considera ser o seu primeiro disco a solo. O Portugal Rebelde este recentemente à conversa com Fernando Fernandes, e hoje mostra-lhe em "Discurso Direto" o que sobrou dessa "Safrra".
Portugal Rebelde - O projecto Saffra tem na sua génese a música popular portuguesa, mas funde uma série de outras influências sonoras. Quer falar-nos um pouco desta “aventura” musical?
Fernando Fernandes - Saffra é a fusão de vários universos musicais típicos do nosso país, como o fado, a musica popular, as marchas e modinhas envolvido por arranjos que apelam à modernidade e ao mesmo tempo que revisitam os anos de ouro da nossa música, daí a sua formação clássica no que respeita aos instrumentos que caracterizam este projeto.
PR - Este disco revela pela primeira vez, a sua essência enquanto cantor e compositor. O “caminho” até chegar aqui, foi longo e sinuoso?
FF - O caminho até aqui chegar é relativo. Podia dizer que são 10 anos, sendo este o tempo que tenho enquanto profissional mas também posso dizer que são 27, a idade que hoje tenho. Saffra carrega no fundo estes 2 espaços de tempo. A profissional, que me fez evoluir e amadurecer, preparando-me para este disco e a emocional, que corresponde à infância, àquilo que ouvia quando era miúdo e que me fez descobrir as primeiras notas, a minha própria voz.
PR - “Saffra deste ano”, foi a canção escolhida para apresentar este disco. De que é que nos fala este tema?
FF - Música de Tiago Machado e letra de Tiago Torres da Silva, "Safra Deste Ano" transporta-nos para a nossa época áurea do cinema ou do festival da canção acompanhado por grandes orquestras. Carrega na sua mensagem simples e popular a história de grandes amores que começavam na infância e se prolongavam pelo resto da vida.
PR - Lura e Dulce Pontes são as convidadas especiais deste disco. O que é que procurou nestes “duetos”?
FF - No caso do tema ‘Dança da Solidão’ sempre tive um enorme fascínio pela melodia e letra construídas por Paulinho da Viola mas achava, nas diversas versões que se foram fazendo, sempre melancólico. Lura, maravilhosa cantora cabo-verdiana que sempre admirei, traz a esta canção aquilo que sempre desejei. O balanço da Morna, dos ritmos e voz quente que a caracteriza e que contrasta com a tristeza da própria letra e composição. Por outro lado, existe uma referencia "mãe" neste projecto que se chama Dulce Pontes. Procurei-a e a sua generosidade rapidamente se transformou num tema original, que encerra este disco. Quando lhe mostrei o arranjo que o Tiago Machado fizera para o tema, propôs-se a gravar as vozes e os coros culminando num "dueto" não convencional.
PR - Numa frase apenas como caracterizaria este “Saffra”?
FF - Saffra, do árabe, safaria, é a minha primeira "estação de colheita".
PR - Para terminar, esta é a “colheita” que há muito esperava?
FF - Esta é a colheita que, quando for velhinho e olhar para o meu percurso, continuarei a gostar e continuará a fazer sentido.
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