26/07/2015

ESPIRAL | Discurso Direto


O trio aguedense Espiral editou recentemente o seu primeiro trabalho discográfico, de título homónimo "Espiral". Interpretado por Emiliana Silva (violino), Lara Figueiredo (flauta transversal e flautim) e Sara Vidal (harpa celta, guitarra e voz), este disco é o culminar de um percurso iniciado a Outubro de 2012, numa partilha constante através da música, que tem permitido estreitar laços e construir pontes de encontro. O Portugal Rebelde esteve à conversa com o trio Espiral e revela-lhe hoje em "Discurso Direto" o resultado desse encontro.

Portugal Rebelde - Antes de mais, como é que nasceu o projeto Espiral?

Espiral - Nasceu de uma forma muito descomprometida e sem qualquer tipo de expectativa. O nosso ponto de encontro foi na d’Orfeu, associação cultural em Águeda, onde nos conhecemos e constatámos que partilhamos este gosto pela música celta. Então, em Outubro de 2012 começámos a ensaiar regularmente, fomos descobrindo e trabalhando reportório tradicional, essencialmente da Irlanda e da Escócia, até que em Junho de 2013 fomos desafiadas pela Universidade Sénior de Águeda para uma actuação no Cine-Teatro S. Pedro. E se até então ensaiávamos de uma forma muito descontraída e descomprometida, este convite foi o ponto de viragem para a consolidação deste projecto.

PR - Sob a inspiração da música celta, o trio Espiral conjuga as sonoridades do violino, da flauta transversal e da harpa celta. Neste disco de estreia, os ouvintes são a viajar pelas músicas tradicionais da Irlanda, Escócia, Bretanha e Galiza?

Espiral - A música celta é um conceito muito polémico e funciona mais como uma etiqueta comercial, que propriamente um estilo musical. Por isso, o que propomos no disco e nos nossos concertos é uma viagem pelos países considerados celtas, através da sua música tradicional. Até agora temos trabalhado reportório da Irlanda, Escócia, Bretanha e Galiza, porque temos tido mais facilidade em encontrar temas que se adequam aos nossos instrumentos e à nossa sonoridade acústica. Fica ainda por abarcar País de Gales, Ilha de Man e Cornualha, para a viagem ficar completa.

PR - Numa frase apenas como caracterizariam este disco de estreia?

Espiral - Basta uma palavra: sinceridade. Quisemos que o disco plasmasse o que somos em concerto, sem efeitos especiais. Claro que agora, com alguma distância, há pequenos detalhes que gostaríamos de melhorar, como acontece a quase todos os músicos quando gravam um disco, mas quem ouvir o CD Espiral vai ouvir e sentir a nossa essência, sem contrastar muito com o que se ouve nos concertos e quisemos ser fiéis a isso.

PR - Já tiveram a oportunidade de apresentar as canções deste disco em palco. Como é que as pessoas têm recebido a vossa música?

Espiral - Este disco surgiu precisamente por petição do público, porque em cada concerto, no final, havia sempre alguém que nos perguntava onde é que podia comprar o disco. Foi o que realmente nos motivou a fazer este primeiro registo discográfico, como um cartão de apresentação, ao mesmo tempo de agradecimento a todos os que nos têm apoiado ao longo do nosso percurso. Apesar de que o que mais nos caracteriza é uma sonoridade delicada e romântica, em grande parte pelo lirismo da harpa, conjugada com o violino e a flauta, que resulta num som muito doce, enquanto trio temos sempre a preocupação de adaptar o reportório aos diferentes contextos onde actuamos: desde um festival ao ar livre, que exige um reportório mais animado e dançável, ao intimismo de uma capela ou uma actuação mais formal num cine-teatro, onde podemos fazer um alinhamento mais clássico e sereno. E nesta diversidade de situações, o público tem-nos acolhido sempre com muita atenção e satisfação, o que para nós é um alento.

PR - Para terminar, como é que vai ser o resto do Verão para o trio Espiral?

Espiral - Após a nossa estreia em Bragança, vamos logo de seguida para uma semana em residência artística no festival Andanças, em Castelo de Vide, onde vamos dar 3 concertos, dias 3, 5 e 7 de Agosto. E depois, regressamos aos palcos no fim do mês, dia 28, com um concerto-baile integrado na animação de Verão do Luso, no concelho da Mealhada. Para Setembro, está confirmada a nossa presença na Festa do Caldo de Quintandona, concelho de Penafiel, e estamos a fechar mais datas, que poderão acompanhar no sítio www.sonsvadios.org.

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